Testes com vacina antiebola no Mali têm resultados promissores

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BBC

Resultados preliminares no Mali do primeiro teste de uma vacina contra o ebola realizado na África parecem promissores.

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Reprodução/BBC

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O primeiro voluntário no Mali foi o pediatra Seydou Sissoko, vacinado no dia 8 de outubro, na capital, Bamako. “Desde que eu recebi a vacina, me sinto bem. Não há diferença na forma de como eu me sinto agora e como eu me sentia antes”, disse.

Dez outros agentes de saúde deverão receber mais vacinas. O exercício faz parte de um grande estudo entre diversos países, iniciado no Reino Unido em setembro.

“Sabemos que depois de duas semanas eles estão começando a ter alguma resposta imune e não há reações adversas”, disse Samba Sow, epidemiologista de doenças infecciosas e especialista em vacinas e diretor do Centro de Desenvolvimento de Vacinas (DCV) no Mali.

O esforço envolve a Organização Mundial de Saúde (OMS), os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos e a farmacêutica britânica GlaxoSmithKline.

Especialistas esperam encontrar uma maneira de desenvolver a imunidade ao ebola, cujo surto já matou 4,8 mil pessoas na África Ocidental.

“O que me motivou a participar do estudo foi o fato de que sou médico e estarei regularmente em contato com pacientes (infectados pelo) ebola”, disse Sissoko. “Primeiro, é para me proteger, e, depois, para ajudar a comunidade científica a encontrar uma boa vacina contra a doença.”

Nesta semana, ele foi chamado para investigar dois casos suspeitos de ebola – um deles era de um homem que morreu depois de sangrar pela boca. Seydou Sissoko é um dos voluntários no Mali: “Não há diferença na forma de como eu me sinto agora e como eu me sentia antes”

No início, a família de Sissoko estava preocupada com sua participação nos testes: “Expliquei à minha esposa e ao meu irmão como (o teste) funciona e agora eles estão tranquilos com isso. Mas eu não falei sobre isso com meus pais, porque acho que eles não vão entender”.

Vacina inteligente

No total, 40 voluntários estão participando do estudo em Mali – todos são agentes de saúde aptos a lidar com casos do ebola se a doença se espalhar pelo país.

Até agora, houve apenas um caso: uma menina de 2 anos de idade, que havia viajado para um dos países mais afetados, a Guiné, em outubro, e morreu da doença.

Samba Sow é outro voluntário do teste. “É uma vacina muito inteligente, por isso esperamos que, se a vacina funcionar, estaremos protegidos e não ficaremos assustados de fazer o nosso trabalho”, disse ele à BBC enquanto era vacinado junto com outros nove voluntários.

Profissional de saúde retira suas roupas de proteção contra o ebola em Monróvia, Libéria. Foto: Reuters/Stringer/NewscomFuncionário do aeroporto da Cidade de Guatemala manipula um termômetro infravermelho que monitora a temperatura dos viajantes que chegam ao país. Foto: Reuters/Stringer/NewscomCartaz explicando o que é o ebola e como ele é transmitido é visto na área de desembarque aeroporto da Cidade de Guatemala. Foto: Reuters/Stringer/NewscomCachorro de estimação de Nina Pham, enfermeira americana que contraiu ebola, está sendo monitorado. Não se sabe ainda se os cães também podem contrair o vírus. Foto: ReproduçãoHospital em Dallas, nos Estados Unidos, onde enfermeira que tratava liberiano com ebola foi infectada com o vírus. Foto: APPoliciais isolam prédio em que mora o funcionário de saúde que pode ter sido infectado, em Boston, nos Estados Unidos. Foto: APPolícia isola casa em Dallas onde vive funcionário de hospital infectado por ebola, nos Estados Unidos. Foto: APHomem limpa local perto da ambulância que transportou paciente com suspeita de ebola, no centro médio Beth Israel Deaconess, em Boston, nos Estados Unidos. Foto: ReutersMédico, vestindo roupas de proteção, fica ao lado de um paciente isolado no sexto andar do hospital Carlos III de Madrid, Espanha, sábado. Foto: AP Photo/Daniel Ochoa de OlzaProfissionais de saúde devidamente equipados perto da janela no hospital Carlos III, em Madrid, onde a enfermeira infectada com o ebola está internada. Foto: Reuters/Paul Hanna/NewscomManifestantes dão apoio à Teresa Romero, enfermeira infectada com o ebola em Madrid, na Espanha. O quadro de Teresa é estável, porém grave. Foto: REUTERS/Jon Nazca Javier Limon Romero, marido de Teresa, enfermeira infectada com o ebola na Espanha, aparece na janela do seu quarto de isolamento, no Hospital Carlos III em Madrid. Foto: Reuters/Paul Hanna/NewscomTaxistas aplaudem em gesto de apoio à enfermeira Teresa Romero, infectada com ebola em Madrid, Espanha. Foto: Reuters/Andrea Comas/NewscomFuncionários do hospital em que a enfermeira espanhola está internada protestam em favor dela. Quadro de Teresa Romero é estável, mas grave. Foto: APPoliciais monitoram protesto de funcionários do hospital em que Teresa Romero, enfermeira infectado com ebola está internada. Foto: APExcalibur, cachorro de Teresa Romero (foto), foi sacrificado por autoridades espanholas. Foto: APThomas Frieden, um dos maiores especialista em ebola , epidemia é uma das maiores crises de sua carreira. Foto: Getty ImagesA ministra da Saúde da Espanha, Ana Mato, fala aos jornalistas após sessão parlamentar em Madrid, Espanha. Foto: ReutersProfissionais de saúde protestam na Espanham. Eles reclamam da falta de preparo e pouco treinamento para o combate ao ebola. Foto: APNa Nigéria, professoras medem temperatura de alunos . Foto: APNo Marrocos, passageiros que chegam ao País têm a temperatura medida para identificar possíveis casos da doença. Foto: APPromise Cooper, 16 anos, Emmanuel Junior Cooper, 11 anos, e Benson Cooper, de 15, perderam os pais na Libéria. Foto: APMamie Mangoe, amiga da família de Duncan, chora durante missa em homenagem  à vítima. Foto: APPrimeiro paciente diagnosticado com ebola nos EUA, Tomas Eric Duncan,  morre após dias internado em hospital. Várias pessoas foram isoladas. Foto: APNa Libéria, Mamadee,  de 11 anos, comemora cura do ebola dançando. Foto: Reprodução/BBCKumba Fayah, 11anos, sobreviveu ao ebola. Foi a única da família a vencer o vírus. Foto: APAgente de saúde desinfeta pacientes em centro de atendimento na Libéria. Foto: APMulher é liberada de centro de atendimento após banho de desinfetante. Foto: APAgentes desinfetam escola na Libéria. Foto: APMercy Kennedy, de 9 anos, chora após mãe ter sido levada para centro de atendimento. Foto: APNowa Paye, de 9 anos, é levada para centro de atendimento por apresentar sintomas da doença. Foto: APAgentes encaminham Yarkpawoto Paye, de 84 anos, para centro de atendimento. Foto: APEnfermeira se prepara para atender pacientes. Foto: APNa fronteira entre Mali e Guiné, agente mede temperatura de imigrante. Foto: ReutersBritânico William Pooley é um dos sobreviventes da maior epidemia de ebola da história. Foto: ReutersMédico oferece água a paciente com o vírus do ebola. Foto: Sylvain Cherkaoui/Cosmos/MSFMural com instruções sobre sinais da doença, dentro de tenda que abriga pacientes com ebola. Foto: Sylvain Cherkaoui/Cosmos/MSFPaciente chega de maca à uma das unidades dos Médicos Sem Fronteiras. Foto: Sylvain Cherkaoui/Cosmos/MSFProfissionais de saúde precisam ter o corpo completamente isolado por vestimentas especiais para não contrair o vírus. Foto: Sylvain Cherkaoui/Cosmos/MSFPacientes com ebola sendo tratados em Serra Leoa. Foto: Sylvain Cherkaoui/Cosmos/MSFResidentes de Monrovia (Libéria) se aglomeram perto do centro de tratamento do ebola. Ruas foram fechadas afetando o retorno para casa dos moradores, por causa da quarena. Foto: APPoliciais usam máscara em frente a um prédio comercial em Berlim que foi isolado depois que uma funcionária com suspeita de ebola foi levada ao hospital. Foto: ReutersPassageiros são rastreados em um aeroporto em Myanmar. Países asiátidos estão usando câmeras termais e médicos para identificar possíveis infectados. Foto: ReutersTaxistas aguardam passageiros do lado oposto do hospital em que o endocrinologista Patrick Sawyer morreu de consequência do ebola no isolamento, em Lagos (Nigéria). Foto: APPoliciais patrulham multidão para evitar que a área de quarentena do ebola imposta pelo governo seja ultrapassada. Foto: ReutersMais de mil pessoas já morreram no atual surto de ebola (6/08). Foto: APCorpo de homem morto por ebola é abandonado na rua, na Libéria (6/08). Foto: APCarnes de animais contaminados trazem riscos à população no oeste da África (5/08). Foto: ReutersLavar as mãos reduz as chances de contrair a doença (5/08). Foto: EPASurto de Ebola é o maior da história e já matou mais de 900 pessoas (5/08). Foto: ReutersEsse modelo molecular mostra partes do vírus do Ebola que os cientistas estudam na tentativa de produzir medicamentos que reduzem a propagação da doença. Foto: Science Photo LibraryImprensa e curiosos observam ambulância com enfermeira infectada que se trata com droga experimental (5/08). Foto: ReutersLiberiano de 40 anos morreu pouco após desembarcar em Lagos (26/07). Foto: APEquipe do Médico sem Fronteiras próxima ao corpo de uma vítima. Foto: Sylvain Cherkaoui/Cosmos/MSFO Médico Sem Fronteiras tem cerca de 300 funcionários nacionais e internacionais trabalhando nos países onde o vírus se espalhou. Foto: Sylvain Cherkaoui/Cosmos/MSFO ebola é uma doença viral, cujos sintomas inciais podem incluir febre repentina, forte fraqueza, dores musculares e de garganta. Foto: Sylvain Cherkaoui/Cosmos/MSFO vírus é altamente contagioso e não tem vacina ou cura, por isso equipes médicas usam roupas especiais para evitar contaminação. Foto: Sylvain Cherkaoui/Cosmos/MSFOs testes de laboratório irão determinar em questão de horas se as amostras contém ou não o vírus do ebola. Foto: Sylvain Cherkaoui/Cosmos/MSFApós exposição ao vírus na área isolada, roupas e botas das equipes de atendimento são desinfetadas com cloro. Foto: Sylvain Cherkaoui/Cosmos/MSFColchões são distribuídos a famílias cujas casas foram desinfetadas após a morte de um membro. Foto: Sylvain Cherkaoui/Cosmos/MSFSia Bintou passou mais de 10 dias em tratamento, com poucas esperanças de deixar o local viva, mas sobreviveu.. Foto: Sylvain Cherkaoui/Cosmos/MSFNem todos se salvam. Na foto, família de Finda Marie Kamano e outros membros da comunidade em seu funeral. Foto: Sylvain Cherkaoui/Cosmos/MSFA sepultura de Finda Marie é marcada com um broto de árvore. Foto: Sylvain Cherkaoui/Cosmos/MSF

Esse grupo de participantes recebeu o dobro da dose dada a voluntários anteriores. A ideia não é só investigar se a vacina provoca uma resposta imunológica, mas também descobrir qual é a dosagem eficaz.

As vacinas são mantidas em temperaturas de aproximadamente -80°C numa sala cujo acesso é restrito a apenas dois membros da equipe – e a geladeira é mantida trancada.

Sow explica que, ao contrário de muitas outras vacinas, que utilizam uma forma enfraquecida do vírus vivo, foi usado nesse estudo um vírus modificado de gripe comum que atinge chimpanzés, para transportar uma única proteína do ebola.

O vírus não é capaz de transmitir ebola, mas deve levar à produção de anticorpos contra o vírus. “O vírus do chimpanzé pode causar apenas um resfriado, mas não pode infectar alguém”, disse ele.

O epidemiologista Samba Sow também é voluntário para a vacina: “(Quero) ajudar a comunidade científica a encontrar uma boa vacina contra a doença”

Os voluntários são observados durante a primeira hora após a vacinação. Eles dão amostras de sangue antes do teste e depois de um dia, uma semana, duas semanas e 28 dias.

As amostras são processadas em um laboratório no centro de pesquisa. Os cientistas extraem células brancas do sangue – a parte do sangue que combate doenças – e observam-as em microscópio para ver se há uma resposta imunológica.

Elas são, então, enviadas à Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, para uma análise mais sofisticada determinar se há a imunidade contra o ebola.

“O que esperamos é ter essa vacina o mais rápido possível para que ela possa nos ajudar a controlar melhor a epidemia”, disse Sow.

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