Teste com sensor na orelha detecta em que nível de estresse a pessoa está

Veja a matéria completa sobre Teste com sensor na orelha detecta em que nível de estresse a pessoa está e fique por dentro de como cuidar da sua saúde.

“O estresse é invisível aos olhos, o que a gente vê são as consequências dele”, afirma o psicólogo Armando Ribeiro, coordenador do Programa de Avaliação do Estresse do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo. Para quebrar esse manto de invisibilidade, Ribeiro implementou no Brasil um método que já era popular nos Estados Unidos e que começa a se popularizar em clínicas de psicologia.

Trate-se de um teste que mensura o nível do estresse a partir do intervalo entre as frequências cardíacas. Muitas vezes, alguém que se julga no controle da situação pode estar quase no limite da exaustão. Após o procedimento, com um sensor conectado à orelha, o diagnóstico é preciso e independe da percepção do paciente. É como colesterol, que a pessoa não sente, mas os exames detectam.

Sinais de que você está estressado:

Mandíbula contraída e dores de cabeça frequentes. Foto: Getty ImagesRanger de dentes constante. Foto: Getty ImagesTremores leves nas mãos e nos lábios. Foto: Getty ImagesDores no pescoço, nas costas e espasmos musculares. Foto: Getty ImagesTonturas. Foto: Getty ImagesZumbidos no ouvido. Foto: Getty ImagesSuor frequente (inclusive nas mãos). Foto: Getty ImagesDificuldade para engolir. Foto: Getty ImagesGripes e resfriados frequentes. Foto: Getty ImagesUrticária e erupções de pele. Foto: Getty ImagesCrises frequentes de alergia. Foto: Getty ImagesDor de estômago, azia e náusea. Foto: Getty ImagesGases e inchaço. Foto: Getty ImagesDiarreia ou prisão de ventre. Foto: Getty ImagesDificuldade para respirar. Foto: Getty ImagesAtaques súbitos de pânico. Foto: Getty ImagesDores no peito, palpitação, pulso acelerado. Foto: Getty ImagesVontade frequente de urinar. Foto: Getty ImagesDesejo ou performance sexual diminuídas. Foto: Getty ImagesAnsiedade e excesso e nervosismo. Foto: Getty ImagesSensação constante de frustração. Foto: Getty ImagesDepressão ou mudanças de humor bruscas e frequentes. Foto: Getty ImagesAumento ou redução do apetite. Foto: Getty ImagesInsônia, sonhos perturbadores ou pesadelos. Foto: Getty ImagesFalta de concentração. Foto: Getty ImagesDificuldade para aprender informações novas. Foto: Getty ImagesEsquecimento e desorganização. Foto: Getty ImagesDificuldade para tomar decisões. Foto: Getty ImagesCrises de choro frequentes. Foto: Getty ImagesSentimento de solidão. Foto: Getty ImagesComportamentos obsessivos. Foto: Getty ImagesRetração social e isolamento. Foto: Getty ImagesCansaço e fadiga constantes. Foto: Getty ImagesUso frequente de medicamentos. Foto: Getty ImagesGanho ou perda de peso sem motivo aparente. Foto: Getty ImagesAumento do consumo de álcool e tabaco. Foto: Getty ImagesCompulsão por compras ou por jogos. Foto: Getty Images

A maioria dos pacientes de Ribeiro é gente que chega passando mal no pronto socorro sem saber que a causa poderia ter sido a secreção crônica do cortisol, hormônio do estresse. Uma vez encaminhada ao seu consultório, o primeiro passo é preencher uma folha com a chamada roda da vida, em que a pessoa assinala em um circulo notas para todos os âmbitos da sua vida, como recursos financeiros, equilíbrio emocional, família, desenvolvimento amoroso, saúde e disposição, além de outros.

Ao unir essas notas, como em uma brincadeira de ligar os pontos, o ideal é que o desenho se transforme em uma roda aberta, grande, que significaria notas mais altas e satisfatórias em cada fase da vida. O que acontece, no caso de quem está estressado, é que o círculo vira uma estrela de muitas pontas. Ou um círculo pequeno, que é ainda pior. O teste oferece ao psicólogo uma vislumbre de como o paicente enxerga a própria vida. “Consigo ver se a situação financeira não anda bem, se o relacionamento familiar está prejudicado, assim por diante”, comenta Ribeiro.

As perguntas seguintes já são para entender em qual dos quatro níveis de estresse a pessoa está. O primeiro é a fase de alerta, seguida pela resistência, quase exaustão (a fase do burn out) e a fatídica exaustão, período em que podem acontecer os infartos e AVCs. Para isso, o profissional pergunta como a pessoa se sentiu nas últimas 24 horas: as mãos ficaram frias? Sentiu o coração acelerado? Chorou? Teve tristezas? O apetite aumentou? Sentiu sensação de empachamento, de que a digestão não estava sendo feita direito? As perguntas depois se referem às mesmas sensações durante a semana e o mês.

A primeira fase do estresse, a fase de alerta, pode causar mãos e pés frios. Foto: Getty ImagesBoca seca. Foto: Getty ImagesDor de estômago. Foto: Getty ImagesAumento da transpiração. Foto: Thinkstock/Getty ImagesTensão e dor muscular. Foto: Getty ImagesRanger de dentes e aperto nas mandíbulas. Foto: Getty ImagesRoer unhas . Foto: Getty ImagesA segunda fase do estresse, conhecida por resistência, pode causar falta de memória. Foto: Getty ImagesMal estar generalizado. Foto: Getty ImagesFormigamento nas extremidades do corpo. Foto: Getty ImagesSensação de desgaste físico. Foto: Getty ImagesAlterações no apetite. Foto: iG ArteNa fase da quase exaustão os órgãos que são mais frágeis por questões genéticas começam a se deteriorar e o processo de adoecimento se inicia. Foto: BBC BrasilA fase de exaustão pode causar diarreias frequentes. Foto: Getty ImagesInsônia. Foto: Getty Images/ThinkstockTaquicardias. Foto: LightwiseTonturas. Foto: Getty ImagesPesadelos frequentes. Foto: Getty ImagesCansaço excessivo. Foto: Getty ImagesIrritabilidade. Foto: Getty ImagesAngústia. Foto: Getty Images

Todas essas informações precisam de uma confirmação, afinal, o paciente poderia mentir sobre sua vida. O diagnóstico certeiro vem com o aparelho de biofeedback, o tal do aparato tecnológico que é ligado no paciente e cujo resultado independe de que o paciente tenha dito que a vida é uma tragédia ou um mar de rosas.

O sensor pendurado na orelha é como um pregador de roupas com pressão suave, que não fura e não machuca. Com o eletrodo de superfície preso ao corpo, a pessoa senta e relaxa durante quatro minutos. Em absoluto silêncio. Durante esse tempo, o sensor, que está ligado a um software especial, vai detectar o quanto de estresse ela está e o quanto de relaxamento ela conseguiu durante os minutos imóveis.

Normalmente, o resultado vem em um gráfico que demonstra altas taxas de estresse e zero de relaxamento. A situação, em um caso desses, é preocupante e pode até surpreender o paciente, que não imaginava que estava em uma situação de estresse crônico.

Numa sessão seguinte, é hora de ajudar o paciente a aprender a respirar – a respiração é uma das chaves para controlar o estresse. O ideal é que a pessoa respire pelo diafragma, a ‘respiração do bebê’, aquela em que a barriga estufa quando é feita a inspiração e murcha até o fim no momento em que se solta o ar. Peito e ombro não devem mudar de posição. Ainda conectado ao sensor, o paciente tem um game para jogar. E só ganha quando estiver relaxado.

Um deles é assim: no computador aparece uma paisagem em preto e branco. O intuito é deixá-la colorida. Conforme o paciente for respirando corretamente e conseguindo relaxar de verdade, a imagem vai aos poucos ganhando cores. Dá para ver a grama ficando verde, o céu se tornando azul, as flores aparecendo e um arco-íris dando o ar da graça. Quando, por fim, a respiração fica correta, o desenho se colore inteiro. Isso significa que a respiração conseguiu enviar um pedido para o cérebro parar de estimular a produção de cortisol.

Agora, um novo resultado é emitido. Via de regra, o nível do relaxamento aumenta e o de estresse diminui. O tratamento completo demora cerca de três meses, em que além das técnicas de relaxamento e respiração, a pessoa faz sessões de terapia cognitivo comportamental.

“Para que os efeitos continuem, é necessário que a pessoa leve as técnicas de relaxamento para a vida, o que implica em diminuir o ritmo e aprender a lidar com as situações que não têm solução.”

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