Saiba como atuam os antidepressivos e quando seu uso é necessário – em Mulher de Corpo

Reportagem: Monique Zagari Garcia



antidepressivos

Os antidepressivos atuam no sistema nervoso, corrigindo falhas químicas que provocam as

alterações de humor

Foto: Felipe Lessa (Abá Mgt)

É claro que é normal ter dias tristes e difíceis ou passar por uma fase angustiante – são respostas naturais aos acontecimentos da vida, sintomas passageiros. Mas e quando, além da tristeza, a pessoa perde o prazer pela vida e não consegue retomar suas atividades por um longo período? Fique atenta, pois estes sintomas podem sinalizar a depressão, doença que merece a atenção das mulheres pelo fato de atingir muitas delas e que, quando não diagnosticada, pode gerar sérias consequências. Um dos métodos para tratar a depressão (principalmente as que apresentam sintomas graves) é o uso de antidepressivos, medicamento prescrito por médicos que visa tratar o problema. Mas como reconhecer a necessidade de fazer uso deste tratamento? Confira abaixo o que os especialistas têm a dizer:

Humor deprimido na maior parte do dia, perda ou ganho significativo de peso sem estar em dieta, diminuição ou aumento do apetite, quadros de insônia ou hipersonia muito frequentes, agitação ou retardamento psicomotor quase todos os dias, fadiga ou perda de energia, sentimento de inutilidade, culpa excessiva/inadequada, falta de concentração e pensamentos de morte recorrentes (não só medo de morrer, mas ideação suicida) são os principais sintomas que se deve ficar atenta para reconhecer a depressão e a necessidade de tomar antidepressivos”, aponta a psicoterapeuta cognitivo-comportamental Thaís Petroff Garcia (SP). A expert ainda ressalta a importância de a pessoa avaliar o quanto estes sintomas estão dificultando ou impedindo que ela mantenha sua rotina habitual: “Dependendo da intensidade dos mesmos, caso a pessoa ainda consiga manter suas atividades, pode-se buscar ajuda na psicoterapia para trabalhar as causas que desencadearam a depressão e, diante disso, tratá-la sem a necessidade de tomar antidepressivos”, completa.


A partir do momento em que os sintomas começam a atrapalhar a rotina da pessoa, que já não rende mais tão bem em suas atividades e se afasta cada vez mais do convívio social, o primeiro passo é procurar um psiquiatra: “O especialista fará uma avaliação completa na pessoa e escolherá o antidepressivo mais adequado, levando em conta as características do paciente e os sintomas apresentados (se tem o apetite aumentado ou diminuído, se já toma remédios para problemas do coração, se sofre de insônia, entre outros fatores)”, explica o psiquiatra Deyvis Rocha (SP).

Segundo o especialista, existem vários antidepressivos no mercado, todos bem parecidos em termos de efeito terapêutico, mas com diferenças marcantes no perfil de efeitos colaterais. Deyvis explica como atuam: “Os antidepressivos atuam no sistema nervoso, agindo nos neurotransmissores chamados serotonina, noradrenalina e dopamina de diferentes maneiras, mas todas estas com o resultado final de aumentar a oferta dessas substâncias nas sinapses. O aumento dos neurotransmissores melhora os sintomas de tristeza, desânimo e todos os demais que acompanham a depressão. É importante frisar que estes não são remédios que trazem a felicidade ou que impedem a ocorrência da tristeza. Os pacientes apenas vão se livrar da depressão, mas vão continuar se sentindo tristes quando algum fato ruim lhes acontece”, informa.

A psicóloga do Hospital São Camilo (SP) Rita Calegari deixa claro que, uma vez prescrita a medicação, a pessoa deve se conscientizar de que o tratamento para a depressão é como qualquer outro, exigindo rigor na utilização da dose prescrita, cumprimento de horários, comunicação com o médico em casos de reações inesperadas e jamais deve interromper o uso sem notificar o especialista. “É muito comum que, conforme os sintomas da depressão melhorem, o paciente interrompa o uso do antidepressivo por conta própria – o que pode por em risco sua saúde e prejudicar o sucesso do tratamento. O paciente também deve observar a indicação de não utilizar álcool em conjunto com a medicação, pois isso altera sua eficácia, podendo provocar alterações indesejadas e riscos sérios à saúde”, alerta. A psicóloga ressalta que os sintomas costumam melhorar após a segunda semana de uso: “Isso é muito comum e o paciente não deve esperar uma resposta imediata da medicação, pois esta atua na base do sistema nervoso, não sendo possível a percepção da melhora dos sintomas no mesmo dia”, conclui.

 

 

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