Pesquisas comprovam: açúcar favorece o envelhecimento precoce – em Nutrição

Se o açúcar já é considerado um vilão do corpo enxuto, se prepare para ter mais uma razão para mantê-lo longe da dieta: o carboidrato também envelhece a pele! A boa notícia é que há luz no fim do pote. Confira:


Reportagem: Carmen Cagnoni



açúcar-envelhecimento

Pesquisas científicas revelam que o consumo frequente de alguns alimentos
pode diminuir a ação do açúcar sobre o colágeno,
dentre eles, gengibre, orégano, canela e alho
Foto: Danilo Borges

O açúcar faz parte das grandes delícias da mesa, envolve a infância, as comemorações e as festas. Não há como negar: tudo o que é feito com açúcar é bom demais. Mas chega um momento na vida em que precisamos escolher: ou ele ou nós (mulheres saudáveis e bonitas!). Fonte de carboidrato simples, o açúcar branco, ou sacarose, é uma molécula facilmente metabolizada pelo organismo.

Gerador de energia, ele passa a causar problemas quando a quantidade consumida é mais que a necessária e o excesso acaba estocado pelo organismo. Quando isso acontece, além de contribuir para o aparecimento de quilinhos a mais, prejudica a pele devido a um processo denominado glicação.


Um dos primeiros especialistas a citar o assunto foi o médico e pesquisador americano Nicholas Perricone. “Quando os açúcares e os amidos são ingeridos, causam um surto de inflamação por todo o corpo. Eles podem aderir ao colágeno em nossa pele e em outras partes do corpo, por um processo chamado glicação, decompondo-o e dando origem às rugas“, conta em seu livro A Dieta Perricone (Ed. Elsevier).

O processo de glicação forma os chamados AGEs (Advanced Glycosylation End Products ou “Produtos de Glicação Avançada”), que causam oxidação, inflamação e envelhecimento precoce. “Os AGEs têm receptores específicos na pele, além de intensificarem os danos e a inflamação provocados pelos radicais livres”, afirma Patricia Ormiga, dermatologista e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica e da Sociedade Brasileira de Dermatologia (RJ).

“Essa reação provoca endurecimento dos tecidos responsáveis pela firmeza e elasticidade da pele, causando danos nas fibras dérmicas, desencadeando flacidez e marcas”, explica Lucianna Jardim, nutricionista e diretora da Way Diet — Nutrição Exclusiva (RJ). Falta de brilho e viço são outras consequências desse processo, que tende a se acentuar com o decorrer dos anos.

Beleza que vem de dentro

É fato que o envelhecimento cutâneo é um processo contínuo, que não pode ser parado. Mas há formas de minimizar sua ação. “Uma alimentação balanceada e rica em vitaminas, minerais e antioxidantes (como vitaminas E, C e A, polifenóis e selênio) pode retardar esse efeito e melhorar o aspecto da tez. Além disso, os AGEs produzidos pela glicação podem afetar, também, a estrutura da parede das artérias, deixando-as rígidas. Portanto, cuidar da dieta afeta positivamente o corpo e a saúde“, alerta Lucianna Jardim.


Segundo ela, o principal cuidado é não consumir açúcar ou carboidrato em excesso. “Além disso, podemos substituir os carboidratos simples (arroz branco, pão francês e doces) por carboidratos integrais ou o açúcar refinado pelo mascavo ou mel, pois estes, apesar de terem o mesmo valor energético, têm vitaminas e substâncias antioxidantes interessantes para a beleza da pele“, aconselha.

“Todo excesso de açúcar que ingerimos, ou que não é metabolizado pelo organismo, forma um complexo em conjunto com as proteínas, causando seu enrijecimento. O que se vê é uma pele opaca, sem viço e com rugas”, Marcella Delcourt, dermatologista

Beleza que vem de fora

Nem sempre o açúcar faz parte do time do mal. Ele também está presente no nosso corpo para fazer o bem. É o chamado glicano, polissacarídeo que colabora para a firmeza cutânea. “Esses formam um tipo de gel presente entre as células, ajudando a dar o efeito de pele preenchida.O problema é que essas substâncias diminuem com o tempo, limitando a capacidade de regeneração cutânea”, explica Marcella Delcourt, dermatologista (RJ).

Atualmente, a indústria cosmética oferece vários princípios ativos cuja função é combater o efeito de glicação e a perda de glicanos. “Um dos glicosaminoglicanos (GAGs) mais comuns é o ácido hialurônico, que está presente na matriz extracelular da tez. Ele é responsável pelo volume, elasticidade e firmeza cutânea e tem papel importante na redução de rugas”, conta Mika Yamaguchi, consultora técnica e farmacêutica da Biotec Dermocosméticos (SP).

Ela cita, ainda, outros ativos que agem na produção de glicanos: o Hyaxel (ácido hialurônico fracionado ligado ao silício orgânico) e Sculptessence (o ativo extraído da linhaça selvagem é rico em xilose e atua na produção e no aumento das glicosaminoglicanas). Outras substâncias consideradas antiglicantes também são importantes.

“A carnosina, o ácido alfalipoico e o picnogenol, associados a tecnologias de ponta como a nanotecnologia, são exemplos de ativos usados nos produtos modernos. E nunca podemos esquecer os ativos tradicionais e de ação reconhecidamente eficaz, como os retinoides e os alfa-hidroxiácidos, assim como as vitaminas de ação antioxidante. Todos possuem ação antiglicação”, argumenta Patricia Ormiga.

O artigo Pesquisas comprovam: açúcar favorece o envelhecimento precoce – em Nutrição
foi originalmente publicado em http://corpoacorpo.uol.com.br/dieta/dieta/nutricao/pesquisas-comprovam-acucar-favorece-o-envelhecimento-precoce/2755

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