Tratamento de varizes sem acompanhamento médico pode colocar paciente em risco

Veja a matéria completa sobre Tratamento de varizes sem acompanhamento médico pode colocar paciente em risco e fique por dentro de como cuidar da sua saúde.


Estudos nacionais apontam que 37,5% da população brasileira vive com varizes

Reprodução/Facebook

Geralmente, quem tem aquelas veias torcidas e dilatadas que costumam aparecer nas pernas e nos pés acaba se preocupando muito mais com o desconforto estético que a aparência das varizes e vasinhos causam, do que com as complicações da doença.

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Porém, a condição, que atinge 37,5% da população brasileira, vai além de um sinal esteticamente desagradável. As varizes
merecem atenção especial e podem ser indícios de um problema circulatório mais sério, podendo evoluir para trombose e úlceras, além de causar dores e inchaço.

Sem conhecimento sobre os riscos que a condição pode provocar, muitas pessoas descontentes com a aparência do corpo acabam procurando o tratamento de escleroterapia
ou aplicação
, como é conhecida popularmente a técnica para “desaparecer” com as veias dilatadas, com profissionais sem formação em medicina, desconhecendo o fato de que apenas o médico especialista pode indicar o procedimento adequado, após um diagnóstico correto do grau da doença.

Para esclarecer sobre como fazer o tratamento adequado e seguro para a doença, a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) lançou uma campanha que ressalta os riscos de se submeter à escleroterapia sem o devido acompanhamento médico.

Nos últimos seis meses, a sociedade informou que tem recebido denúncias de atuação de não médicos em procedimentos vasculares, vendendo a suposta impressão de não possuírem riscos de complicações.

De acordo com o diretor da associação e cirurgião vascular Francesco Botelho, muitas pessoas procuram profissionais não médicos para fazer a aplicação, o que pode colocar o paciente em risco de sofrer consequências sérias.

“O paciente que procura um profissional não médico para aplicação nas pernas corre riscos de sofrer consequências sérias. Para esse tratamento, é preciso mais que uma avaliação superficial. O angiologista ou cirurgião vascular realiza um exame clínico detalhado, capaz de diagnosticar se a pessoa apresenta insuficiência venosa ou outras condições que exigem condutas mais complexas, como cirurgias, por exemplo. Além disso, pode haver complicações, que variam desde a insatisfação estética com o resultado até ameaça à integridade física, trombose, embolia pulmonar, gangrena, infecções e reações alérgicas graves”

O médico disse ainda que mesmo antes de se submeter ao tratamento, é importante passar por uma avaliação médica, porque apenas o especialista pode indicar o procedimento adequado, depois de fazer um diagnóstico correto do grau da doença. Há situações em que é necessário um procedimento cirúrgico para resolver o problema.

A Sociedade alerta que há pessoas oferecendo até aplicação de ozônio
para tratar varizes. “Não há qualquer embasamento científico da eficácia e segurança desse tipo de procedimento para o tratamento de varizes ou telangiectasias”, aponta o Cirurgião Vascular e um dos coordenadores do Departamento de Doenças Vasculares com comprometimento estético Guilherme Peralta.

O Conselho Federal de Medicina (CFM), inclusive, já emitiu nota de repúdio ao Projeto de Lei que autoriza a ozonioterapia. “O CFM, que conta com a outorga de aprovar ou vedar procedimentos médicos no País, como dispõe a Lei nº 12.842/2013, já analisou esse procedimento por meio de Comissão específica. Na oportunidade, as evidências apresentadas não foram consideradas consistentes, sendo recomendado que a ozonioterapia apenas seja realizada de modo experimental, observando-se as recomendações de protocolos de pesquisa definidos pelo sistema CEP/CONEP”, apresenta o trecho da nota.

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Uso de glicose para tratar varizes


O tratamento de escleroterapia sem acompanhamento médico pode ser muito arriscado, apontam especialistas

Reprodução/Internet

Outro alerta é para o uso de glicose
nas aplicações. Embora haja profissionais não médicos sugerindo que a aplicação de glicose não causa reações, a SBACV destaca que não é bem assim. Podem ocorrer efeitos indesejados. Apesar de ser uma substância circulante no sangue, há riscos de problemas que podem levar a feridas e flebites, que é a inflamação do vaso.

Peralta acrescenta que a escleroterapia tem contraindicações e optar pelo tratamento sem uma avaliação médica é um risco. “Se a pessoa não tem pulso nos pés, é sinal de que ela tem um comprometimento arterial e a escleroterapia é contraindicada, pois pode causar complicações graves”, diz.

Dessa forma, a escleroterapia deve ser realizada em consultório médico. Dessa forma, se houver algum tipo de complicação, o paciente receberá o suporte adequado imediatamente para resolver o problema.

A SBACV reforça a premissa de que as varizes e vasinhos não podem ser avaliados como um problema meramente estético. É um tratamento invasivo e muito delicado para ser efetuado em qualquer ambiente e por quem não estudou o sistema vascular. A doença varicosa pode desencadear desdobramentos e até a perda de membros se não for adequadamente tratada. É importante realizar exames de imagem, como o Ecodoppler, para verificar o seu grau, e considerar todas as condições físicas, metabólicas e cardiovasculares do paciente.

Por esses motivos, a SBACV alerta a procurar um angiologista ou cirurgião vascular, que possui formação adequada e é, portanto, o profissional habilitado para apontar, com segurança, qual a melhor técnica a ser empregada em cada caso e a verdadeira dimensão de suas varizes.  

Entenda a condição

As veias localizadas na batata da perna têm papel essencial para bombear de volta o sangue que as artérias mandaram do coração para o corpo.

Felizmente, o sistema venoso externo – onde acontecem as varizes que costumamos ver e reclamar da aparência – é responsável por apenas 20% do retorno venoso do corpo. Os outros 80% estão por conta do sistema venoso profundo, com veias de grande calibre que ficam protegidas por músculos espessos. Quando a dilatação acontece ali, o problema é outro: é chamado de insuficiência venosa profunda, não mais de varizes.

Mas as varizes
do sistema venoso externo podem doer, arder, incomodar esteticamente e, dependendo do grau – existem quatro – até levar a úlceras varicosas. Contra elas não existe prevenção absoluta, mas há algumas medidas para retardar o aparecimento delas. A meia elástica é, de longe, a melhor opção.

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*Com informações da Agência Brasil

O artigo Tratamento de varizes sem acompanhamento médico pode colocar paciente em risco foi originalmente publicado em http://saude.ig.com.br/saude.ig.com.br/minhasaude/2018-06-21/varizes.html

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