Torniquete salvou muitas vidas no atentado de Boston

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Enquanto as pessoas sangravam em meio ao caos e à fumaça gerada pelas bombas que epxlodiram na maratona de Boston, os socorristas imediatamente adotaram para um recurso médico milenar para salvá-las: o torniquete.

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Usando cintos, camisas e outros materiais, eles amarraram com força os membros ensanguentados, em lances de ação rápida para evitar a grande perda de sangue, o choque e a morte. Esse trabalho rápido, sem dúvida, salvou muitas vidas, afirmaram os médicos dos hospitais da área de Boston, que receberam os feridos para atendimento logo após o atentado.


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O interessante é que, se isso tivesse acontecido há uma década, muitas equipes de emergência poderiam ter evitado o uso do torniquete – também chamado de garrote. Até pouco mais de uma década atrás o torniquete ainda estava envolvido em uma antiga controvérsia sobre se ele mais prejudicava do que ajudava.

“Algumas pessoas viam o torniquete como um salva-vidas e outras diziam que ele era o instrumento do diabo”, conta John F. Kragh Jr., um cirurgião ortopédico do Instituto de Pesquisa Cirúrgica do Exército dos EUA, no Texas.

Embora torniquetes venham sendo usados para conter a perda de sangue pelo menos desde o tempo do Império Romano, os cirurgiões militares modernos começaram a duvidar da eficácia do recurso. Não houve bons estudos comprovando seu benefício e havia uma crença comum de que alguns torniquetes poderiam fazer mais mal do que bem, cortando o sangue e oxigênio para os membros e resultando em amputações.

“Há uma série de maneiras de estragar tudo”, diz Kragh, que é um dos principais pesquisadores sobre os métodos para controlar sangramentos. Às vezes, torniquetes não são suficientemente apertados, fazendo o sangramento realmente piorar.

No Vietnã, os torniquetes não eram usados frequentemente porque se pensava que levava a muitas amputações, conta Kevin Kirk, tenente-coronel do Exército, que é cirurgião-chefe de ortopedia no San Antonio Military Medical Center.

Isso porque muitas vezes torniquetes eram colocados muito acima da lesão, levando à perda de tecido que de outra forma poderia ser salvo, explica ele. Agora, eles são posicionados mais para baixo.

“Muitas vidas e membros foram salvas pelo uso de um torniquete”, diz Kirk.

A própria Cruz Vermelha americana chegou a chamar torniquetes de “último recurso” para hemorragia grave.

A poeira assentou apenas na última década, de acordo com alguns especialistas, após a publicação de estudos feitos por Kragh e outros pesquisadores a partir da guerra do Iraque. As pesquisas mostraram que os realmente salvaram vidas, aumentando as taxas de sobrevivência para até 90%. Hoje, torniquetes são rotineiramente feitos em soldados feridos.

Alguns especialistas, no entanto, continuam cautelosos. A Cruz Vermelha, por exemplo, continua a argumentar que torniquetes podem ser usados de forma inadequada ou em situações em que a perda de sangue não é grande o suficiente para justificar o uso.

“É evidente que, se uma perna é arrancada, não há problema em ir direto para o torniquete”, diz Richard Bradley, membro do conselho consultivo científico da Cruz Vermelha. Mas, a entidade continua a aconselhar apenas a aplicação de uma pressão direta no ferimento, em situações menos extremas.

Torniquetes devem ter pelo menos 4 centímetros de largura e precisam ser muito apertados para fechar adequadamente o fluxo de sangue. Bradley também ressalta que é importante usar um torniquete real, se possível. A cobertura jornalística da tragédia de Boston descreve equipes de emergência utilizando todos os tipos de coisas como torniquetes improvisados.

“Um cordão é melhor do que nada? Provavelmente”, afirma Bradley. “Mas outros tipos de cuidados de saúde e o transporte rápido aos hospitais foi tão ou mais importante para salvar as pessoas”, acrescenta ele.

* Por Mike Stobbe

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O artigo Torniquete salvou muitas vidas no atentado de Boston foi originalmente publicado em http://saude.ig.com.br/minhasaude/2013-04-18/torniquete-salvou-muitas-vidas-no-atentado-de-boston.html

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