"Todo mundo deveria correr uma São Silvestre uma vez na vida", diz estreante

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Arquivo pessoal

Camila Brown teve uma gradivez molar e retirou tumores dos seios que tiveram biópsia inconclusivas. Deveria fazer quimioterapia, mas depois de uma depressão profunda, começou a correr incentivada pelo pai, livrou-se do tratamento e estreou nesta quarta-feira (31) na São Silvestre. 

História de Camila: Da depressão para São Silvestre: ‘Depois que comecei a correr, nasci de novo’

As amigas Cristiane Sampaio e Meyre Alvarenga usaram o esporte para sair da obesidade. Depois de perderem 35 e 42 kg respectivamente, elas colocaram a São Silvestre 2014 como meta e alcançaram o objetivo. 

E João Fernandes Martins, de 57 anos. Ele teve três infartos, passou por quatro cirurgias e começou a correr há dois anos. A prova desta manhã foi a sua primeira São Silvestre, mas foi a corrida de número 61 no seu currículo. 

Eles participaram de uma série de reportagens do iG sobre a tradicional corrida de rua de São Paulo. Nesta quarta, fomos acompanhar como cada um viveu essa estreia. Foi uma mistura de suor, lágrimas e superação. 

“Todo mundo deveria correr uma São Silvestre na vida”, disse Meyre, ainda eufórica algumas horas depois de cruzar a linha de chegada. E ela e amiga Cristiane mantiveram a tradição e concluíram a prova de mãos dadas, como fazem desde a primeira corrida juntas. O difícil foi controlar o choro. 

“Quando virei à direita na Paulista depois da subida da Brigadeiro e vi a chegada eu já comecei a chorar. A Cris me segurou e disse para eu parar que ainda faltava corrida”, conta Meyre. “Naquele final a gente acelera porque quer acabar e fazer bonito. Mas depois de cruzar a linha, a gente se abraçou e ficou uns cinco minutos ali, chorando”, completa Cristiane. 

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O objetivo das amigas, que começaram a correr este ano, era completar a prova de fato correndo, sem caminhar. “Tem gente que vai preocupado com o tempo, mas meu objetivo era correr sem parar os 15 km. E consegui”, afirma orgulhosa. As amigas fizeram a prova em aproximadamente duas horas. 

Já o João Fernandes teve mais dificuldades. Ele passou grande parte da corrida caminhando ou em um trote leve, mas acelerou no final. “Era um mar de gente. Na largada você nem precisa andar, é empurrado. Corri mesmo nos últimos 5 ou 6 km e fiz essa parte em 22 minutos. Cheguei com 1h20min cravado”, conta o aposentado. 

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Mas a multidão também é um atrativo. “O momento mais emocionante foi a descida depois da Paulista. Você olhava para frente e tinha um mar de gente. Olhava para trás e tinha mais ainda. Foi maravilhoso. E todo mundo te apoia”, explica. 

Foi o apoio que ajudou o corredor na temida subida da Brigadeiro Luis Antônio, parte final da prova. “Quando faltavam uns 50 metros para acabar, o corpo cansou e tive que andar. Mas alguém passava e gritava para manter o foco. Aí voltei a correr”, fala João. 

Camila teve que suportar um fator a mais na prova desta quarta: o calor. A brasileira mora há oito anos nos Estados Unidos e treinou para a São Silvestre em pistas e parques com temperaturas beirando o 0º . “Foi mais difícil por causa do calor, mas consegui”, disse Camila, que correu ao lado do pai, quem a inspirou para o esporte depois da depressão. “Disse que ele poderia ir no ritmo dele, mas ele ficou ao meu lado o tempo todo e falou que iria de carona comigo”, detalha. 

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A subida da Brigadeiro também surpreendeu Camila. Nos treinos em Dallas ela teve poucos trechos de subidas e descidas para se preparar e se assustou com a reta final da prova paulistana. “Eu vi muita gente passando mal e fiquei preocupada. Não sabia se iria aguentar. Fui andando e completei a prova. Mas sabia que isso poderia acontecer. Sabia dos desafios e tinha estudado o trajeto. Foi como eu imaginava”, fala. 

Desânimo pela dificuldade no final? Nada disso. “Agora eu preciso voltar e subir a Brigadeiro. Será meu próximo objetivo”, projeta. 

Mas os competidores também fizeram suas reclamações. Segundo os corredores, faltou água em alguns postos de hidratação e o primeiro deles, próximo aos 4 km de prova, ficava em uma rua estreia e curva e ali acabava se formando um tumulto e era preciso paciência e ficar correndo no lugar. 

No final, o clima da São Silvestre contagiou os estreantes. “Nunca tinha nem assistido de perto e estava ali correndo. E na Paulista, meu lugar preferido de São Paulo e onde meu pai me levava para passear. E foi a coisa mais linda as pessoas gritando, incentivando em todo o percurso. Você se sente um herói”, afirma Meyre.

Camila contou ainda com uma trilha sonora especial. Ela correu escutando a mesma música que usou nos treinos nos Estados Unidos. “Quando corria e estava dificil, pensava em como seria correr aqui nas ruas de São Paulo, na Paulista, na São João. E agora eu estou aqui, com a mesma música. Eu consegui”, comemora. 

O sentimento é de missão cumprida para todos. E parece que eles não param por aqui, “Era um desafio e não importa o que acontecesse, eu só iria parar na linha de chegada. E foi isso mesmo. Quero levar a energia dessa prova para sempre comigo”, comenta Meyre. “Vai virar tradição”, sentencia João Fernandes.

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