Saiba porque estamos mais próximos de uma pandemia do que nunca

Veja a matéria completa sobre Saiba porque estamos mais próximos de uma pandemia do que nunca e fique por dentro de como cuidar da sua saúde.

Não se sabe exatamente quando, mas pode levar apenas uma tosse, um beijo, um toque ou até mesmo uma mordida para que, não só a sua vida, mas as vidas de todos ao seu redor, mude completamente. Os especialistas já estão em alerta porque, a qualquer momento, uma epidemia global pode acontecer.

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Segundo alguns médicos, a saúde pública corre mais risco do que nunca de enfrentar surtos em grande escala ou até pandemias
, como aquelas que já vimos antes: gripe suína, Ebola e Zika.

“Estamos tão seguros no mundo quanto países menos desenvolvidos”, afirmou Jimmy Whitworth, professor de saúde pública internacional na instituição London School of Hygiene & Tropical Medicine
, se referindo à Inglaterra. Com tantos sistemas de saúde e economias em um estado frágil, ele tem certeza de que nenhuma nação está protegida. “As doenças infecciosas não respeitam fronteiras”, afirmou.

De acordo com o estudioso, a cada mês, a Organização Mundial de Saúde (OMS) é alertada para centenas de pequenos surtos. “Sempre há surtos que ocorrem o tempo todo, em todo o lugar”, disse Whitworth.

Mas, ele acredita que a maneira como vivemos hoje seja o principal motivo que poderá nos levar à uma epidemia a qualquer momento. Saiba os motivos:

1. Crescimento das populações e urbanização


Quanto maior a população, maior também o contato entre as pessoas, demanda por saneamento  básico e risco de pandemia

shutterstock/Reprodução

À medida que as populações crescem, o mesmo acontecerá com o número de habitantes que vivem na cidade. Segundo as Nações Unidas, há uma previsão de que 66% da população mundial viverá em áreas urbanas até 2050.

E quanto maior o número de pessoas na cidade, “maior será a pressão sobre o saneamento”, disse David Heymann, chefe do Centro de Segurança Sanitária Global na Chatham House. Além da proximidade das pessoas, Heymann também acredita que a terceira fonte de infecção viria com o aumento da demanda de alimentos, que pode fazer com que os agricultores cultivem mais produtos, com mais animais, tornando o convívio dessas pessoas ainda mais próximo dos animais.

Os animais funcionam como reservatórios para doenças, como o gado para a tuberculose e a tripanossomíase, conhecida como doença do sono, ou as aves, que contribuíram para a gripe aviária. Com mais pessoas se deslocando dos espaços rurais para os urbanos, as chances de infecções e propagação aumentam muito.

2. Invasão de novos ambientes


Desmatamento também é um fator que agrava a proliferação de doenças infecciosas

Arquivo pessoal

Conforme o número de pessoas cresce, a quantidade de terra necessária para abrigá-las também precisa ser maior. Por isso, territórios anteriormente desabitados, como florestas e áreas rurais são ocupadas. Essa aproximação com o, até então, desconhecido, também proporciona contato com novos animais e, inevitavelmente, novas infecções.

Um exemplo é a “a febre de Lassa, que só ocorre porque as pessoas que vivem na floresta  a destroem para a agricultura”, explicou Heymann.

A febre de Lassa é uma doença hemorrágica viral, que acontece pelo contato com as fezes de roedores infectados. Pode causar febre e hemorragia de várias partes do corpo, incluindo os olhos e nariz. A transmissão de pessoa para pessoa também é possível, embora menos comum. Os surtos ocorrem geralmente na África Ocidental.

Heymann explica que a Lassa é um exemplo de que pessoas que vivem perto de ambientes florestais, onde reside roedores infectados, só passaram a contrair a doença porque os agricultores destruíram essas florestas, deixando os animais sem ter para onde ir, além das casas dos seres humanos.

3. Alterações climáticas


Enchentes podem aumentar o risco de doenças infecciosas, assim como o aumento das ondas de calor

Divulgação

Há muitas evidências que não param de surgir para comprovar que as mudanças climáticas estão contribuindo para o aumento de risco de surtos. Com o maior número de ondas de calor e enchentes, doenças transmitidas pela água, como a cólera, e vetores de doenças, como mosquitos em novas regiões, podem aumentar.

Entre 2030 e 2050, as mudanças climáticas deverão causar cerca de 250.000 mortes por ano, devido ao estresse por calor, desnutrição e propagação de doenças infecciosas como a malária, conforme a OMS informou.

4. Viagens internacionais


A troca de países também aumenta o ricos de epidemias se espalherem por outras nações

Reprodução

A chegada de turistas do mundo todo atingiu um recorde de quase 1,2 bilhão em 2015, segundo a Organização Mundial do Turismo da ONU, 50 milhões a mais que 2014. Foi o sexto ano consecutivo de crescimento acima da média. E com maior número de pessoas se movimentando por todo o mundo, existe mais risco de doenças se espalharem em países diferentes.

“Agentes infecciosos viajam em humanos muitas vezes dentro de seu período de incubação”, explica o especialista do Chatham House. O período de incubação é o tempo entre a infecção e o início dos sintomas, o que significa que as pessoas podem transmitir uma doença, embora eles não aparentem estar doentes.

Acredita-se que a pandemia de síndrome respiratória aguda grave (SARS) de 2003 tenha começado com o médico Liu Jianlun, que percebeu sintomas do vírus, pego pelo ar, em uma viagem a Huang Xingchu, na China. Ao voltar para casa, ele foi visitar sua família em Hong Kong. Isso fez com que ele infectasse pessoas no hotel que esteve hospedado e seus parentes. Ele foi hospitalizado e morreu, assim como um de seus familiares.

Em menos de quatro meses, cerca de 4.000 casos e 550 mortes por SARS podem ser atribuídos à estadia de Liu em Hong Kong. Mais de 8.000 outras pessoas foram infectadas em mais de 30 países em todo o mundo.

Mas Heymann salienta que não são apenas os seres humanos que propagam doenças através de viagens. Infecções podem ser espalhadas por insetos, alimentos e animais que se passam de um país para outro. “O comércio também é um problema”, disse ele, usando o exemplo da malária, que pessoas em aeroportos se infectaram com essa doença por meio de mosquitos que embarcaram em um avião e infectaram a comida.

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5. Conflito civil


Nações que vivem em conflitos civis são mais afetadas economicamente deixando os cuidados com a saúde vulneráveis

shutterstock/Reprodução

“Os surtos podem destruir completamente um país”, disse Whitworth, citando a epidemia de Ebola em 2014, na qual a Serra Leoa, a Guiné e a Libéria estavam “muito perto de desmoronar”.

Os conflitos civis haviam atormentado os três países, deixando suas infraestruturas econômicas e de saúde em extrema necessidade de reconstrução – e mal preparadas para uma infecção tão séria. Esse problema, combinado com a migração entre esses três países e outros ajudou a espalhar o Ebola.

6. Menos médicos e enfermeiros nas regiões de surto


Geralmente áreas com maior risco de infecções contam com um baixo volume de profissionais da saúde,

Cecília Bastos/Usp Imagens

Além de um sistema de saúde fraco, os países onde os surtos são mais propensos também têm menos médicos e enfermeiros para tratar a população. “Temos de lidar com isso como uma realidade”, declarou Heymann, acrescentando que alguns países até incentivam médicos recém-formados a viajar para novas regiões para fortalecer as áreas mais vulneráveis, mas não é tão simples controlar para que os profissionais continuem trabalhando em áreas arriscadas.

7. Acesso à informação


Divulgação de informações com rapidez podem ajudar a evitar problemas na saúde pública

BBC

Na era da informação, tudo pode ser difundido por meio de plataformas digitais, aproximando conteúdos que poderiam ser regionais, para níveis globais. Embora a maioria dos pequenos surtos possam ter sido desconhecidos por populações mais distantes do epicentro, as pessoas hoje estão mais informadas do que nunca e buscam por informações transparentes e rápidas.

“O mundo procura de uma autoridade séria e que possa alertar a população mundial de maneira mais rápida”, disse Heymann. Ele acredita que a OMS faz esse papel, mas não é tão eficaz quando o assunto é a rapidez e transparencia com o conteúdo disseminado. Em 2014, quando o surto do Ebola ganhou destaque, a organização foi criticada por ser muito lenta para responder sobre dúvidas e despreparada.

“Nem todas as informações na internet ou nas mídias sociais são precisas”, disse Mark Feinberg, presidente do comitê científico consultivo da recém-lançada Coalition for Epidemic Preparedness Innovations. “Garantir uma comunicação precisa para o público é extremamente importante.”

Os especialistas acreditam que a combinação de todos esses elementos colabore para que haja outra pandemia. Eles também ressaltam que o mundo não está pronto para lidar com o que está por vir. É preciso ficar atento às informações e se proteger com as ferramentas que temos disponíveis, como por exemplo, manter a carteira de vacinação em dia, e tomar cuidados básicos com a saúde.

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O artigo Saiba porque estamos mais próximos de uma pandemia do que nunca foi originalmente publicado em http://saude.ig.com.br/saude.ig.com.br/2017-04-03/risco-de-pandemia.html

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