Projeto usa fotos de mulheres com câncer para resgatar a autoestima

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Câncer de mama não é uma fita cor-de-rosa. O slogan acompanha o projeto do fotógrafo norte-americano David Jay, que há sete anos se dedica a produzir retratos de jovens mulheres afetadas pela doença.

A crítica à mundialmente famosa campanha de conscientização sobre o câncer de mama reflete a opinião da maioria das mulheres que se dispuseram a tirar a roupa diante das lentes de Jay. As fotos pretendem oferecer à opinião pública a chance de encarar, ainda que por poucos minutos, uma realidade que ninguém espera enfrentar.

“Para essas mulheres jovens, fazer as fotos representa uma vitória pessoal sobre esta doença terrível. Isso as ajuda a recuperar feminilidade, sexualidade, identidade e poder, depois de terem sido roubadas de uma parte importante disso tudo. Por meio dessas imagens simples, eles parecem obter alguma aceitação do que aconteceu a elas e também força para seguir em frente com orgulho” explica o artista, que antes do projeto ganhava a vida como fotógrafo de moda.

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Batizada como The Scar Project
(Projeto Cicatriz, em livre tradução), a iniciativa começou de maneira despretensiosa, quando Paulina, uma amiga de Jay, foi diagnosticada com câncer de mama aos 29 anos e em duas semanas teve de ser submetida a uma mastectomia – cirurgia de retirada de uma ou das duas mamas.

“Ela era uma jovem mulher linda e forte, e eu já havia tirado centenas de fotos delas, desde os 17 anos. Assim que a vi, logo após a cirurgia, soube que precisava fotografá-la de novo. Como fotógrafo, registrar aquelas imagens foi a minha forma de confrontar, entender e aceitar o que estava vendo”, conta o artista. Surgiu então a ideia de registrar a verdade sobre a realidade pungente, quase sempre escondida, das cicatrizes e mutilações resultantes do tratamento cirúrgico da doença.

A primeira exposição do projeto abriu em 2010, em Nova York, e foi um sucesso de público. Desde então, o projeto já foi apresentado em diversas cidades dos Estados Unidos e gerou um livro e um documentário. Perto de cem mulheres entre 18 e 35 anos foram clicadas pelas lentes do fotógrafo: australianas, mexicanas, italianas, indianas, brasileiras e, claro, norte-americanas.

Jay conta que decidiu excluir mulheres com mais de 40 anos do projeto para aumentar a conscientização sobre a doença entre as jovens – elas têm uma taxa de sobrevivência menor e morrem mais frequentemente de câncer de mama do que de qualquer outro câncer.

“99% da atenção da mídia está focada na doença em mulheres com mais de 40. Só que mais de 11 mil jovens são diagnosticadas com câncer de mama anualmente nos Estados Unidos. No restante do mundo as estatísticas também são muito altas.”

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Mesmo com sete anos de estrada, o conjunto da obra, garante o fotógrafo, ainda não está fechado. Ele segue acrescentando alguns poucos novos retratos, mas atualmente o foco das lentes está nas mulheres que já posaram e seguem lutando contra o câncer de mama.

“Sigo fotografando elas na medida em que a doença progride. Faço isso até perto delas morrerem. A foto final é acrescentada ao retrato inicial e vai para a exposição.”

“Há algo dolorosamente belo na humanidade. Uma beleza que transcende as imagens brilhantes produzidas em massa e alimentadas pela mídia. Dá para reconhecer instantaneamente a condição humana. Esperança, desespero, amor, perda, coragem, medo. Uma beleza tão frágil.”

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