Parar de fumar é possível com tratamento e terapia; veja histórias de sucesso

Veja a matéria completa sobre Parar de fumar é possível com tratamento e terapia; veja histórias de sucesso e fique por dentro de como cuidar da sua saúde.

Quando se quer parar de fumar, não basta controlar a abstinência. Acabar com o hábito é fundamental já que o tabaco está associado ao prazer de pegar um cigarro e levá-lo à boca

Getty Images

Por curiosidade, a primeira tragada. Em seguida, a segunda. Por que não? Outra com os amigos no bar. É assim que começa o vício de muitos fumantes que, depois de alguns anos, notam o mal que o cigarro faz à saúde e procuram parar de fumar. Decisão amplamente incentivada neste 29 de agosto de 2015, data marcada pelo Dia Nacional de Combate ao Fumo.

A tarefa de abandonar o fumo e lutar por mais saúde, no entanto, pode se revelar, em muitos casos, mais difícil do que o previsto. Mas não impossível. Tratamentos medicamentosos e psicoterapia ajudam, de fato, o fumante a acabar com o vício.

No ramo farmacológico, alguns medicamentos receitados por médicos ajudam o fumante a parar com o tabaco sem sofrer com a abstinência. O pneumologista do Hospital 9 de Julho, Alexandre Kawassaki, conta que a reposição de nicotina por meio de adesivo na pele ou em pastilhas mastigáveis ajuda o tabagista a abandonar o vício. A propiona, uma droga mais antiga, também é um tratamento de escolha entre médicos, já que atua em neurotransmissores no cérebro e diminui a abstinência. Além delas, há a vareniclina, clonidina e nortriptilina

No caso da vareniclina, Kawassaki conta que o medicamento tira o prazer que a nicotina traz. “O remédio faz com que o fumante fique sem aquele prazer de fumar”, diz. “Se é uma pessoa que fuma e não está com muita vontade de parar, a variniclina é um tratamento possível”.

Jorge Fontes com a esposa: ele criou um grupo sobre antitabagismo em rede social e atribui largar o vício ao compromisso virtual

Arquivo pessoal

Hábitos

Mas não basta controlar a abstinência. Acabar com o hábito também é importante, já que o tabaco, segundo o pneumologista, está associado a ter algo na mão, ao prazer de pegar um cigarro e levá-lo à boca. Muitos, pela rotina, associam o cigarro ao horário do almoço, jantar, café e outras atividades. Nesse ponto, a terapia cognitivo-comportamental e a hipnose podem ajudar a desconstruir esse hábito.

Segundo a psicóloga clínica e hipnoterapeuta Vânia Calazans, algumas pessoas, por iniciativa própria, largam o cigarro em determinadas situações, mas acabam voltando a fumar quando estão irritadas, ansiosas ou preocupadas.

“Todo fumante tem um ritual, há um condicionamento nessa história”, diz ela. A hipnose busca desassociar esse hábito para que o paciente possa ter outros recursos para lidar com situações de estresse, aborrecimentos e tensões e não descontar no cigarro.

Algumas técnicas de hipnose, como a aversiva, associa o cigarro a algo que a pessoa tem nojo. Ao tentar levar o cigarro à boca, ela pode ter náuseas. Para evitar o desconforto, vai desacostumando a fumar. “Podemos também substituir o desejo de fumar por vontade de beber água, por exemplo. A pessoa vai, então, trocando o hábito”.

Não é possível prever quanto tempo uma pessoa passará fazendo terapia, mas 15 sessões, no mínimo, são necessárias, segundo Vânia. “Se o paciente tem bom resultado em menos sessões, fazemos a manutenção da terapia uma vez por mês”.

A hipnose é um estado de relaxamento profundo em que o paciente fica consciente durante todo o tempo. “As ondas cerebrais estão em estado de alerta e não de sono. Apenas em relaxamento”, diz a hipnoterapeuta. Segundo ela, o paciente interrompe o transe hipnótico na hora que quiser.

“É mais ou menos o que acontece no sonho: o cérebro entende que o que está acontecendo é real e o corpo responde fisiologicamente. Se alguém sonha que morreu alguém querido, pode acordar com um aperto no peito. Na hipnose é a mesma coisa”.

Segundo a médica a hipnose só funciona a partir daquilo que o paciente escolhe fazer. “Não adianta querermos propor uma coisa que o cérebro não quer fazer. Ele não aceita e a hipnose não funciona”.

Apesar das dificuldades, eles conseguiram. Veja depoimentos de pessoas que deixaram o cigarro para trás:

Parei de fumar porque tenho uma filha de dois anos e quero viver mais por ela
“Muitas vezes tentei parar de fumar, mas em todas as tentativas foram frustradas, porque sofria de abstinência da nicotina. Hoje, com 30 anos, parei de fumar por causa da minha filha de dois anos e cinco meses. Quero viver mais por ela. Ainda sinto vontade de fumar, mas não como antes. Não quero mais esse vício para a minha vida. Antes, fumava três maços por dia. Para iniciar o tratamento só podia fumar 10 cigarros por dia e eu não consegui. Mesmo assim, comecei o tratamento com adesivos de nicotina, e parei de fumar logo em seguida. Graças a Deus, não tive recaída. O tratamento ajudou muito, porque eu era agressivo pela falta do cigarro e melhorei 100%”.
Edgar Ambrozzio, 30, auxiliar de serviços gerais, Rio de Janeiro.

Associava o cigarro a tudo: almoço, jantar, tristeza, alegria, frio ou calor
“Comecei a fumar com 13 anos e parei aos 33. Meu filho estava com 10 meses e toda hora o deixava de lado para fumar. Já havia tentado outras duas vezes, mas sem aquela determinação. Dessa vez, o pensamento foi por ele. Os primeiros dias sem o cigarro foram ruins, já que tinha o hábito de associar o cigarro a tudo, como almoço, jantar, café, tristeza, alegria, frio ou calor, e isso me deixava perdido nos primeiros dias. Fiz terapia a laser [técnica indolor que aplica laser em pontos específicos de acupuntura] e estou há mais de um ano longe do cigarro. Por esse método, as crises de abstinência são bem menores do que pelo adesivo”.
Daniel Costa, 34 anos, empresário, São Paulo.

Comecei a fumar aos 18 anos por achar charmoso
“Comecei a fumar aos 18 anos por ser moda e por ser charmoso, mas fumava muito pouco. Aos 22, o vício passou a ser mais sistemático. Parei depois de 50 anos. Decidi parar porque o vício estava me prejudicando muito, tinha bronquite e fiquei tão mal que ou parava ou morria. Decidi uma noite, então, e nunca mais fumei. Já faz três anos e meio. Os primeiros e todos os outros dias são de batalha. É como matar um leão por dia, mas me mantenho firme até hoje e tenho conseguido ficar longe do cigarro. Usei como estratégia mascar pastilhas com nicotina. De um ano para cá, masco chiclete, assim consigo driblar a vontade. Não tive nenhuma recaída, mas continuo na luta. Tenho a persistência como lema. Não prometi a ninguém, mas essa é uma combinação que fiz comigo mesma”.
Maria Carolina Pascoalino, 75, professora aposentada, Iracemápolis (SP).

Não tive recaída porque não queria fazer feio perante o grupo antitabagismo
“Comecei a fumar aos 15 anos e parei aos 61 anos por iniciativa própria, pois passei a não ver nada de vantajoso no cigarro. Os primeiros dias sem fumar foram um ‘Inferno de Dante’. Comecei a largar o cigarro com adesivos de nicotina em três estágios, de 21mg, 14mg e 7mg de nicotina. Sempre usava o recurso da garrafinha de água gelada e, por último, resolvi criar um grupo no Facebook sobre antitabagismo, para que ficasse preso ao compromisso e não fizesse feio perante as pessoas que passaram a conviver com o meu trabalho. Não tive recaída por causa do grupo. Hoje, com quase cinco anos de abstinência, não me lembro mais do cigarro  em nenhum momento. Parei dia 30 de novembro de 2010 às 17h. Esse foi o horário do meu último cigarro”.
Jorge Fontes, 66, auditor, Rio de Janeiro (criador do grupo “Eu não quero mais fumar”)

Fumei 30 anos e parei depois de um resfriado forte
“Fumei durante 30 anos e parei há 10. Antes fumava dois maços por dia, me sentia mal e tinha desejo de parar, mas sabia que era difícil. Até que tive um resfriado muito forte e cheguei a ter até falta de ar. Para dormir, sentava na cama e me debruçava em uma banqueta, porque se deitasse, faltava o ar. Por causa disso, fiquei uns três dias sem fumar e, quando fui melhorando, aproveitei que tinha conseguido ficar esses dias sem o cigarro e comecei a largar. As duas primeiras semanas foram difíceis, até que chegou uma hora que eu acabei esquecendo. Mas tem que querer mesmo parar de fumar. Se a pessoa fuma e se sente bem é difícil largar”.
Wânia Laurino Rubino, 55, comerciante, São Paulo.

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