"Ovário artificial" pode ajudar mulheres a engravidar após quimioterapia

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Testes de implantes do ovário artificial em humanos deve demorar de cinco a dez anos

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Mulheres que ficaram inférteis após serem submetidas à quimioterapias e radioterapias ou qualquer outro tratamento capaz de danificar a fertilidade feminina poderão ter uma nova chance para engravidar com um tipo de “ovário artificial” criado em laboratório.

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Médicos de Copenhague, na Dinamarca, desenvolveram o ovário artificial
a partir de tecidos e óvulos humanos. Em um teste, a equipe mostrou que o dispositivo pode manter os óvulos humanos vivos por semanas, aumentando as esperanças de que a abordagem poderia, um dia, ajudar mulheres a terem filhos mesmo após tratamentos agressivos.

Além disso, o implante também poderia ser útil para mulheres com condições como a esclerose múltipla e a beta-talassemia, que também exigem terapias agressivas em alguns casos e que prejudicam a fertilidade. Pacientes que passam por uma menopausa precoce também poderiam se beneficiar do implante.

Atualmente as mulheres que enfrentam um diagnóstico de câncer já podem ter o tecido ovariano removido e congelado antes de serem submetidas a tratamentos capazes de prejudicar a fertilidade feminina
. Nesses casos, depois que a paciente está curada, o tecido é colocado de volta em seu organismo para que ela possa ficar grávida
naturalmente.

Para a maioria das mulheres, o procedimento é seguro. No entanto, certos tipos de câncer, como de ovário ou leucemia, são capazes de invadir o próprio tecido ovariano, o que significa que, quando o ele for congelado, depois descongelado e colocado de volta, haveria o risco de a doença voltar. Por esse motivo, o congelamento de tecido ovariano raramente é oferecido a pacientes de alto risco.

Como é feito um ovário artificial?

Susanne Pors e outros pesquisadores do Rigshospitalet, hospital conceituado em Copenhague, acreditam que os ovários artificiais podem ser uma opção mais segura. Para fazer o implante, os médicos usaram substâncias químicas para remover o tecido ovariano doado com todas as células, incluindo qualquer possível célula cancerígena que estaria à espreita.

Isso fez com que uma espécie de “estrutura” de tecido fosse criada, composta, em sua maioria, por colágeno, a proteína que dá força à pele. Os médicos então semearam esta estrutura com centenas de folículos ovarianos humanos, que são agregações esféricas de células encontradas no ovário, a unidade básica do sistema reprodutor feminino.

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Testes em humanos deve demorar

Apesar das descobertas promissoras, até o momento, poucos testes foram feitos. Um ovário artificial com 20 folículos humanos foi implantado em um rato e a equipe de pesquisadores descobriu que um quarto dos dispositivos sobreviveu por pelo menos três semanas. Na ocasião, os vasos sanguíneos começaram a crescer em torno do ovário para mantê-lo nutrido no animal.

“Esta é a primeira prova de que podemos realmente apoiar esses óvulos. É um passo importante ao longo da estrada”, informou Pors ao Guardian. “Porém, levaremos muitos anos até que possamos colocar o implante em uma mulher.”

Segundo a médica, isso pode levar de cinco a dez anos de trabalho antes que os ovários artificiais estejam prontos para testes em humanos.

Nick Macklon, diretor médico da London Women’s Clinic, afirmou que, embora haja um baixo risco de contrair câncer de tecido ovariano congelado, é um perigo que os médicos levam a sério. “Houve certos tipos de câncer nos quais não podemos usar este procedimento devido a essa preocupação”, disse ele.

Por isso, Macklon vê a criação do dispositivo como um “desenvolvimento empolgante”. “Apesar de este ser o início do trabalho, é uma prova de conceito muito interessante”, acrescentou.

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Stuart Lavery, ginecologista do Hospital Hammersmith, também se demonstrou empolgado sobre o assunto. “Será muito reconfortante, se este trabalho chegar a funcionar, que as pacientes possam fazer o implante do ovário artificial
sabendo que não há risco de transplantar o câncer de volta para elas. A beleza disso é que muitas das mulheres que com o dispositivo vão engravidar naturalmente, sem precisar passar pela fertilização in vitro”.

O artigo "Ovário artificial" pode ajudar mulheres a engravidar após quimioterapia foi originalmente publicado em http://saude.ig.com.br/saude.ig.com.br/minhasaude/2018-07-04/ovario-artificial-fertilidade-feminina.html

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