OMS publica documento que classifica vício em videogames como doença mental

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O diagnóstico do vício em videogames considera a falta de controle e a prioridade dos jogos na vida da pessoa

Pixabay

A Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu na segunda-feira (18) o vício por videogames como um dos problemas de saúde mental na nova Classificação Internacional de Doenças (CID), um sistema que foi criado para listar, sob um mesmo padrão, as principais enfermidades, problemas de saúde pública e transtornos que causam morte ou incapacitação de pessoas.

Pela primeira vez, o vício em videogames
foi incluído como perturbação mental, ou seja, doença caracterizada pela “perda de controle no jogo”. O diagnóstico considera, por exemplo, a falta de controle e a prioridade dos jogos na vida da pessoa. A medida já havia sido anunciada em janeiro
, mas foi publicada somente agora.

O documento descreve o problema como padrão de comportamento frequente ou persistente de vício em games, tão grave que leva “a preferir os jogos a qualquer outro interesse na vida”.

A CID mais recente havia sido finalizada em 1992, e neste ano, em sua 11ª edição,  foi produzida com códigos para as doenças, sinais ou sintomas. O documento é utilizado como uma fonte de consulta por médicos e pesquisadores para rastrear e diagnosticar enfermidades.

Para o diagnóstico do vício em videogame, a OMS diz que é necessário haver um comportamento extremo com consequências sobre as “atividades pessoais, familiares, sociais, educativas ou profissionais” e, “em princípio, manifestar-se claramente sobre um período de pelo menos 12 meses”.

Os sintomas são:

  • Não ter controle de frequência, intensidade e duração com que joga videogame
    ;
  • Priorizar jogar videogame a outras atividades;
  • Continuar ou aumentar ainda mais a frequência com que joga videogame, mesmo após ter tido consequências negativas desse hábito.

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Vício em videogames no mundo

Países como o Reino Unido, por exemplo, já haviam identificado a condição como um problema importante para a saúde pública , com clínicas especializadas no tratamento do vício em games.

A Coreia do Sul já possui lei que proíbe o uso de games
por pessoas menores de 18 anos entre meia noite e seis da manhã. No Japão, os jogadores recebem advertência se passarem de uma certa quantidade de horas mensais entretidos com os games. Na China, uma empresa de tecnologia determina até quantas horas que uma criança pode jogar.

Já nos Estados Unidos, o Manual de Estatísticas e Diagnósticos de Distúrbios Mentais (DSM, na sigla em inglês) considerava o distúrbio relacionado a games e videogames uma “condição a ser estudada”, sem reconhecê-la oficialmente.

Recentemente, um estudo feito na Universidade de Oxford, na Inglaterra, apontou que o fato de uma criança passar muito tempo na frente das telas jogando videogames não significa, necessariamente, que há o risco de vício.

Isso porque os pesquisadores verificaram que, assim como os adultos, elas usam a tecnologia digital ao longo do dia, enquanto realizam outras tarefas, não chegando ao ponto de abdicarem de outras atividades.

CID

O documento também passou a incluir condições relacionadas à identidade de gênero no capítulo sobre saúde sexual – antes estavam relacionadas à saúde mental. A 11ª edição da CID será apresentada na Assembleia Mundial de Saúde, que ocorrerá em maio de 2019, para que seja aprovada pelos Estados-Membros. Se aceitas, as mudanças deverão entrar em vigor 1º de janeiro de 2022.

A OMS recebeu mais de 10 mil sugestões de profissionais de saúde de todo mundo para a formatação da nova classificação, A CID-10, ainda em vigor, foi aprovada em 1990. De acordo com as propostas, serão incluídos um capítulo sobre medicina tradicional, outro sobre saúde sexual, considerando o tema relativo a transgêneros, e o transtorno
gerado pelo  vício em videogames
. Neste último caso, o tema está entre as “desordens de dependência”.

A relação de doenças listadas na CID reúne mais de 55 mil códigos.

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O artigo OMS publica documento que classifica vício em videogames como doença mental foi originalmente publicado em http://saude.ig.com.br/saude.ig.com.br/minhasaude/2018-06-19/vicio-em-videogames-vicio-oms.html

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