Novo implante ajuda a melhorar refluxo

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Um pequeno anel magnético implantado na base da garganta está melhorando muito a vida de pessoas com azia crônica que não obtêm alívio do problema com o uso de medicamentos. É uma nova maneira de tratar o refluxo gastroesofágico, condição que afeta milhões em todo o mundo e pode aumentar o risco de problemas de saúde mais graves.


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O problema acontece quando um músculo, enfraquecido, não contrai como deveria depois que engolimos o alimento. Isso faz com que uma pequena quantidade do suco gástrico volte para a garganta. Drogas como o esomeprazol magnésio e o omeprazol reduzem a quantidade de ácido, mas não resolvem o problema subjacente, chamado pelos médicos de doença do refluxo gastroesofágico (DRGE).

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O encanador americano Rodd Foster ficava tão mal que costumava dormir sentado para manter o jantar no estômago. A enfermeira Tricia Carr se preocupava se desenvolveria complicações como as que mataram sua mãe. Os dois californianos conseguiram melhorar do refluxo com um novo dispositivo já vendido na Europa e aprovado há um ano pela agência americana reguladora de alimentos e medicamentos (FDA).

“O tratamento mudou a minha vida. Há 30 anos que eu não conseguia comer normalmente e agora consigo comer o que quiser e quando quiser”, conta Foster, 61 anos.

Reforço no músculo

O dispositivo Linx, fabricado pela Torax Medical Inc., de St. Paul, Minnesota (EUA), é um anel de esferas de titânio com imãs internos, colocado em torno do músculo fraco na base do esôfago em uma operação feita por meio de pequenas incisões na barriga, a laparoscopia. O anel reforça o músculo fraco para mantê-lo fechado, impedindo o refluxo de suco gástrico, mas é flexível e se expande para deixar o alimento passar quando engolido. O dispositivo vem em diferentes tamanhos, tem cerca de 1 centímetro de diâmetro e se expande para cerca de 3 centímetros. Uma vez implantado o aparelho não é sequer sentido.

O aparelho custa 5 mil dólares (9,9 mil reais), a operação pode custar de 12 a 20 mil dólares (de 23 a 39 mil reais), dependendo despesas hospitalares, diz John Lipham, cirurgião que realiza o procedimento na Universidade do Sul da Califórnia e no Hospital Presbiteriano Hoag Memorial, em Newport Beach. Muitas seguradoras nos Estados Unidos já cobrem o implante do dispositivo para pacientes que não obtêm melhoras com os medicamentos antiácidos.

“É um dispositivo inteligente. Os ímãs apenas reforçam um pouco a pressão que normalmente existia no local e ajuda a bloquear a volta do suco gástrico” explica Donald Castell, gastroenterologista da Universidade Médica da Carolina do Sul, em Charleston – ele também está implantando o tratamento em alguns pacientes.

Os dois médicos são consultores da Torax. Para um terceiro especialista, sem vínculos financeiros com a empresa – Daniel DeMarco, do Centro Médico da Baylor University, em Dallas – os primeiros resultados com o dispositivo são “muito impressionantes”. Mas só o tempo dirá se eles se manterão por muitos anos, disse o especialista.

A DRGE não é apenas uma questão de qualidade de vida: o refluxo ácido crônico pode aumentar o risco de uma condição chamada esôfago de Barrett, que pode aumentar o risco de câncer de garganta.

“Ninguém duvida de que o refluxo deve ser tratado”, mas a maioria das pessoas consegue alívio apenas com o uso de medicamentos, disse Brian Reid. Ele é diretor do Programa de Esôfago de Barrett no Centro de Pesquisa em Câncer Fred Hutchinson, em Seattle.

Antiácidos não funcionaram para Tricia Carr, de 54 anos de idade.

“Você está super bem e de repente dói. É horrível”, contou ela, cuja mãe teve uma complicação grave de refluxo crônica – fibrose pulmonar – condição que a levou à morte.

“Por conta disso eu realmente estava ansiosa por resolver o meu problema de refluxo”, contou ela.

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Depois de conhecer o dispositivo em uma apresentação feita por Lipham no Hoag, o hospital onde Tricia trabalha, em Newport Beach.

“Depois da palestra fui direto para ele e disse: ‘Eu preciso de uma dessas coisas’”, contou Tricia. O dispositivo, implantado em outubro no hospital de USC, em Los Angeles, “corrigiu completamente o problema do refluxo”.

Um benefício extra: Tricia agora come mais devagar e mastiga mais a comida mais, para evitar problemas de deglutição que algumas pessoas têm logo após a cirurgia. Ela contou que perdeu cerca de 4,5 quilos apenas adotando essa atitude na hora das refeições.


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Lipham e outros médicos publicaram recentemente um estudo feito em 100 pacientes com o dispositivo no New England Journal of Medicine. Todos tinham refluxo por pelo menos 10 anos e foram piorando apesar de usarem antiácidos. Depois de terem o anel magnético implantado a qualidade de vida melhorou substancialmente para 92%, e dentro de um ano, 86% não necessitaram mais usar medicamentos para reduzir a acidez no estômago.

O efeito colateral mais frequente do implante foi a dificuldade de deglutição, o que ocorreu em 68% dos pacientes logo após a cirurgia. Isso caiu para 11% ao fim de um ano e para 4% depois de três anos.

Seis dos 100 pacientes precisaram ter o dispositivo removido. Em três deles a razão foi a persistência dos problemas de deglutição. No restante a retirada foi motivada por problemas diversos. O dispositivo está disponível até agora em 24 estados norte-americanos.

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O anel de esferas ainda não está disponível no Brasil – a Anvisa pede que seja feito um protocolo nacional para testar o novo tratamento e isso ainda não foi feito. O cirurgião do aparelho digestivo Sergio Szachnowicz, que atua no Brasil e conhece a novidade, esclarece: o implante do anel é um procedimento pouco mais simples do que a cirurgia convencional, tem menos chances de complicação, mas não serve para todo mundo.

“Aparentemente o aparelho funciona melhor em pessoas que têm uma doença menos grave e não seria indicado para quem tem hérnia de hiato grande ou esofagites erosivas severas”, afirma o especialista.

Szachnowicz lembra outro fator limitante: o preço. Quando chegar ao País, é provável que os impostos de importação dobrem o valor do implante, acredita o médico.

* Por Marilynn Marchione (AP), com informações da redação

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