Nove genes que podem estar ligados à artrose devem ajudar em novos tratamentos

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Artrose é o tipo de reumatismo mais comum, representando cerca de 30% a 40% das consultas em ambulatórios de reumatologia

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Pesquisadores da Universidade de Sheffield e do Instituto Wellcome Sanger conseguiram identificar nove genes que podem estar ligados à osteoartrite. A doença, também conhecida como artrose, é a mais frequente entre os reumatismos, representando cerca de 30% a 40% das consultas em ambulatórios de reumatologia, segundo dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia.

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A descoberta demonstrou ser importante porque, segundo os cientistas, com a detecção de genes relacionados à artrose
, será possível identificar alvos da condição, e assim, elaborar novas possibilidades de tratamentos baseados nas informações genéticas desses indivíduos.

A doença articular degenerativa
atinge mais de um em cada quatro adultos em todo o mundo. E, apesar de não ter cura, medicamentos podem ajudar a aliviar os sintomas – que pioram progressivamente com o tempo.

Impacto na qualidade de vida

Mesmo com alguns tratamentos disponíveis, é possível que a osteoartrite
cause certas limitações ao paciente. Por ser uma condição que provoca o desgaste da cartilagem
que recobre as extremidades dos ossos e que danifica outros componentes articulares, a doença é conhecida por ser a quarta enfermidade que mais reduz a qualidade de vida para cada ano vivido, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os prejuízos causados pela artrose podem desgastar a cartilagem articular, que promove o deslizamento sem atrito
entre as extremidades ósseas durantes os movimentos. Sendo assim, danos causados pela condição podem gerar dor, inchaço e limitação funcional, principalmente nas juntas das mãos, coluna, joelhos e quadris.

Para se ter ideia do quão debilitante a enfermidade pode ser, a Sociedade Brasileira de Reumatologia
ressalta que, a partir de dados da previdência social no Brasil, é possível perceber que 7,5% dos afastamentos do trabalho são causados pela doença, que é a segunda entre as que justificam o auxílio-inicial.

A SBR afirma também que a condição não é tão comum antes dos 40 anos, mas passa a ser frequente após os 60 anos. A partir dos 75 anos, 85% das pessoas têm evidência radiológica ou clínica da doença, mas somente 30% a 50% dos indivíduos com alterações observadas nas radiografias reclamam de dor crônica, conforme informa a organização.

Estudo

Depois de analisar dados genéticos em quase 328 mil pessoas no Reino Unido, a Dra. Eleftheria Zeggini, uma das principais autoras do estudo, e sua equipe identificaram nove locais anteriormente desconhecidos no DNA, cujas expressões diferiram em pessoas com e sem osteoartrite.

Então, para determinar se esses genes poderiam realmente causar a doença, eles testaram duas amostras de tecido de pessoas que tiveram que realizar cirurgias de substituições de joelho: um tecido relativamente saudável e um do tecido articular artrítico.

“Foi um passo importante para o trabalho, identificando os alvos potenciais”, acrescenta, Zeggini. Os pesquisadores também analisaram as conexões entre esses genes e outras condições associadas à osteoartrite, incluindo obesidade e diabetes tipo 2.

A obesidade é o principal risco evitável para condição, e Zeggini e sua equipe conseguiram confirmar que a ela é causal à artrite, porque eles encontraram as mesmas predisposições genéticas conhecidas para obesidade em pessoas que também apresentavam artrose.

“Não é a primeira vez que isso foi percebido, mas agora reafirmamos usando o maior número de amostras até então”, conta a líder da pesquisa. “Isso é realmente relevante porque a osteoartrite é a doença musculoesquelética mais prevalente, a principal causa de deficiência e sua prevalência está aumentando ao mesmo tempo que a obesidade, que é um fator de risco modificável”, acrescenta.

Eles também descobriram que os fatores genéticos por trás da osteoartrite dos joelhos e que afetam os quadris eram 88% semelhantes, um ponto forte e anteriormente comum.

Para transformar sua descoberta em um tratamento, Zeggini diz que as experiências para alterar a expressão genética deverão ser feitas nos modelos de tecido celular.

Existem algumas terapias de genes da osteoartrite em curso nos EUA e no Reino Unido, e diversos desses tratamentos foram aprovados em outros países.

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Tratamentos

Para aliviar os sintomas de artrose, muitos médicos indicam a utilização de medicamentos que podem ir desde analgésicos simples, anti-inflamatórios não esteroides até narcóticos.

Os analgésicos simples podem minimizar a dor em pessoas com graus leves e moderados de dor da doença. No entanto, o uso dessas drogas não interfere na inflamação.

Já os anti-inflamatórios podem diminuir a inflamação, além de aliviar a dor. Mas nem todo mundo consegue ter uma resposta positiva e que valha à pena aos fármacos desse grupo. Por causar muitos efeitos colaterais, como dor de estômago, zumbido nos ouvidos, problemas cardiovasculares, lesões no fígado e nos rins, a adaptação não é muito popular. Em idosos os riscos de complicações aumenta.

Algumas terapias são recomendadas para fortalecer os músculos que conectam os ossos afetados, como fisioterapia e terapia ocupacional. A prática de exercícios tem exatamente essa função e, com a prática, a amplitude do movimento é maior e a dor menor. Com um terapeuta ocupacional é possível aprender outras maneiras de realizar tarefas de simples, feitas anteriormente sem sofrimento, de maneira que as articulações já dolorosas não fiquem estressadas.

Quando esses tipos de práticas não funcionam, é possível partir para infiltrações, como injeções de cortisona, que aliviam a dor articular. Nesse caso, a área em torno da articulação é anestesiada e, em seguida, uma agulha perfura a articulação e injeta a medicação. No entanto, essa técnica é limitada, pois pode agravar lesões articulares ao longo do tempo.

Injeções de ácido hialurônico também são indicadas no alívio da dor, fornecendo amortecimento em sua articulação. Esses agentes são semelhantes a componentes encontrados normalmente em seu líquido articular.

Há também quem opte por procedimentos cirúrgicos. O realinhamento dos ossos pode ser útil para alinhar o membro afetado por meio de um corte no osso, assim, a dor pode diminuir, já que o peso do corpo é deslocado para longe da parte desgastada.

Em alguns casos é possível que haja a substituição da articulação, que é quando o cirurgião remove as superfícies articulares danificadas e as substitui por próteses. O procedimento é mais comum nos quadris e joelhos.

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O artigo Nove genes que podem estar ligados à artrose devem ajudar em novos tratamentos foi originalmente publicado em http://saude.ig.com.br/saude.ig.com.br/2018-03-19/artrose-genes-tratamento.html

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