Médicos fazem apelo sobre a suplementação de ácido fólico

Veja a matéria completa sobre Médicos fazem apelo sobre a suplementação de ácido fólico e fique por dentro de como cuidar da sua saúde.


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Juliane Luduvice, 19 anos, não gosta de falar da gravidez
e dá graças a Deus por ainda estar magrinha. Já no sexto mês, garante que se usar uma bata ninguém vai perceber a barriga. Ela não chora, reprime qualquer possibilidade de lágrima com a fala rápida, curta e dura, assim como é a vida. Este foi o jeito que ela encontrou de suportar a dor imensa que sente por saber que “gera um bebê que não vai vingar”.

A bebê dentro da barriga de Juliane tem uma má formação congênita: é anencéfala. A notícia foi dada assim mesmo pela médica após uma ultrassonografia
transvaginal quando ela estava no terceiro mês de gravidez. O tubo neural, estrutura que dá origem ao cérebro e a medula espinhal, não foi fechado e a bebê vai nascer sem a calota craniana e o couro cabeludo e não deve sobreviver muito tempo depois do parto.

A dor de Juliane faz parte de uma estatística que assusta: um em cada mil bebês nascem no Brasil com defeito do fechamento do tubo neural. Esta má formação acarreta em anencefalia, quando o cérebro do bebê não se forma adequadamente, ou em espinha bífida, que é um dano na coluna vertebral. A anencefalia leva o bebê a óbito e os casos de espinha bífida provocam paralisia nos membros inferiores, incontinência urinária e intestinal.

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“Os números no Brasil são altos e os casos de bebês com má formação no tubo neural atingem todas as classes sociais, pois 50% dos nascimentos não são planejados”, disse Eduardo Borges da Fonseca da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).

Ainda não se sabe exatamente a causa da má formação do tubo neural, sabe-se apenas que ela tem relação com o ácido fólico, importante divisor celular que atua no DNA. Estudos mostraram que a ingestão da vitamina hidrossolúvel pertencente ao complexo B pode evitar em 75% a incidência de problemas na formação do tubo neural.

Portanto, recomenda- se a suplementação 0,4 mg por dia de ácido fólico para a mulher que deseja engravidar. A recomendação é que a suplementação comece, no mínimo, 30 dias antes da data em que a mulher planeja engravidar
e seja mantida pelos três primeiros meses de gestação.

Mulheres como Juliane, que tem casos na família de nascimento de bebês com má formação no tubo neural, devem ter suplementação ainda maior. A recomendação é receber suplementação sintética de 4 mg de ácido fólico. “Meu tio teve um filho com anencefalia e a minha avó também”, conta Juliane.

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O problema é que o tubo neural é formado entre o 17º e o 30º dia após a concepção, muitas vezes antes mesmo de a mãe se dar conta de que está grávida. Além disso, a taxa de ácido fólico precisa estar alta um mês antes de a mulher engravidar. “Só metade dos casos de gravidez no Brasil são planejadas, logo não há a preocupação com o ácido fólico”, diz Fonseca.

De acordo com Fonseca, o ácido fólico é naturalmente encontrado em vegetais de folhas verde-escura, como couve, brócolis, espinafre e também no feijão, lentilha, aspargos, morango, kiwi, bife de fígado e suco de laranja. “Mesmo com uma dieta excelente, a mulher só vai conseguir uns 0,2 mg de ácido fólico. Porém o ácido fólico encontrado na natureza só é absorvido 50% pelo corpo. Portanto, nesta conta, ficaria faltando 0,3 mg”, diz.

“Eu não sei nem como vai ser o parto. Se vai ser normal ou cesariana. Eu também não comprei nada do enxoval. A minha médica disse que ela vai viver no máximo 48 horas”, disse Juliane, que decidiu não abortar. A previsão é que Ana Julia nasça no dia 27 de setembro.

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