Mãe provisória doa parte do fígado ao filho de um ano

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A vida de Lucas, 1 ano, estava em sobressalto, dividida em duas esperas. Ele nasceu em um núcleo familiar conflituoso e foi inserido em um programa de adoção temporária, enquanto a justiça decidia seu destino. O menino também tem uma alteração séria nas vias biliares de nascença e, por isso, desenvolveu cirrose hepática. Esperar por um transplante
era a única saída.


Divulgação SES / Foto: Mauricio Bazilio.

A primeira contagem regressiva cessou há cinco meses, quando Lucas ganhou um lar provisório na zona norte do Rio de Janeiro. A segunda espera terminou há quatro dias, data em que recebeu um fígado novinho em folha da mãe provisória.

Rosiléa Ornelas dos Santos, 45 anos, é a tutora de Lucas e foi a doadora de parte do fígado que pode salvar o menino da doença congênita que prejudicava o desenvolvimento.

A cirurgia foi realizada na quarta-feira (8) no Hospital Estadual da Criança, do Rio de Janeiro, após uma bateria de exames identificar que nenhum familiar biológico do paciente era compatível.

Ao mesmo tempo, as análises mostraram que a mãe provisória da criança estava apta ao transplante. “Não pensei duas vezes”, disse Rosiléa à reportagem, três dias depois do procedimento, com algumas dores, certo enjoo e nenhum arrependimento.

História

No início do ano, Lucas foi incluído em um projeto chamado Família Acolhedora. O programa recruta adultos voluntários para ficarem responsabilizados por crianças retiradas dos pais por decisão judicial, normalmente vítimas de violência ou negligência familiar.

O período de guarda provisória é definido por juízes da Infância e Juventude. Neste prazo, a Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS) afirma que “as crianças e adolescentes com este histórico têm a oportunidade de conviver em família”, para vivenciarem a experiência de limites e almoços de domingo . Enquanto isso, é definido se os abrigados voltam à família biológica – que são submetidas à acompanhamento psicológico e social – ou são encaminhadas à adoção (não necessariamente feita pelos tutores que cuidaram delas neste período).

Quando ficou sabendo que o Lucas precisava de uma família para dar este suporte, Rosiléa ofereceu todo seu amor, lembra ela, que é “acolhedora voluntária”, trabalha como costureira e já mãe de uma mulher de 25 anos, de um jovem de 16 e tem um neto de 3 anos, todos dividindo o mesmo teto.

“Sabia que ele estava doente, que ficava internado de tempos em tempos e uma hora precisaria de um transplante. Então, depois de cinco meses convivendo com ele, descobri que eu poderia doar uma parte do meu fígado. Não tive nenhuma dúvida .”

O rim, o fígado e o pulmão são os únicos órgãos que podem ser doados por doadores vivos, desde que eles sejam sadios, sem hábitos de risco, como fumo, uso de drogas ou consumo excessivo de bebidas. Para transplantes de coração e pâncreas, a compatibilidade é procurada entre pessoas com quadro de morte encefálica (em que o cérebro para de responder sem nenhuma chance de reversão).

Em geral, informa a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), as crianças que nascem com problemas congênitos são os receptores de doadores vivos. Por ainda estar em fase de crescimento, o organismo delas consegue fazer com que a parte doada se regenere e funcione plenamente tempos depois.

Em 2012, 186 pacientes infantis receberam um fígado, 45,6% deles vindos de doadores vivos, que quase sempre são parentes próximos (pais ou irmãos). Os especialistas dizem que a doação entre pessoas sem parentesco é possível, mas mais difícil, desde que haja compatibilidade. Rosiléa foi um achado.

“Minha mãe disse que só pode ter sido sorte. Venceu até o medo de injeção, já que para fazer a cirurgia precisou fazer exames semanais, sempre com a necessidade de retirar sangue”, diz Luciana, a mais velha de Rosiléa. “Todos nós apoiamos. O Lucas mudou nossa vida”, completa ela, ao afirmar que a chegada do menino promoveu uma mistura de papéis.

“Eu sou meio irmã meio mãe dele. Minha mãe é parte mãe, parte avó. Meu filho Yuri que tem três anos diz que ganhou um irmão, um amigo que, ao mesmo tempo, é um tio”, brinca, logo emendando que Rosiléa não abre mão do posto de titular oficial, do tipo coruja, com o berço de Lucas instalado no quarto dela, ao lado da cama de casal.

Próximos capítulos

O garoto que ganhou uma mãe, dois irmãos e um tio provisórios ainda precisará ficar internado mais 10 dias na UTI. Rosiléa deve ter alta neste domingo, Dia das Mães. “Nós nos candidatamos a adotar o Lucas em definitivo, mas ainda esperamos a decisão judicial”, afirmou Luciana.

Segundo ela, o prazo de tutela do menino está com Rosiléa até novembro. Qualquer que seja o próximo capítulo, Lucas estará com fígado forte para as outras esperas que a vida guarda para ele.

O artigo Mãe
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