Hospital lança programa para conscientizar médicos e gestantes do parto adequado

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A regra da ANS para estímulo ao parto normal no Brasil, que começou a vigorar em julho deste ano, causou revolta em muitos médicos, além de deixar gestantes desconcertadas por não compreenderem se podiam ou não escolher o tipo de parto que desejassem. Segundo as novas diretrizes, o médico deve justificar a causa de uma cesariana sob o risco de não receber pagamento sobre o procedimento.

Se a gestante for de baixo risco e quiser que o parto seja necessariamente uma cesariana, terá de assinar um termo dizendo que está ciente dos riscos dessa cirurgia. Além disso, antes do parto, a gestante recebe esclarecimentos sobre o parto natural, o que pode fazer com que ela mude de ideia.

“A intervenção de uma cesariana deve ser feita na hora certa, senão teremos bebês prematuros. Esse é o grande problema de agendar uma cesárea

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A medida visa reduzir a quantidade de cesáreas desnecessárias que acontece no País, inclusive cesáreas agendadas previamente. O Brasil é um dos países do mundo em que há taxas mais altas de cesariana, em torno de 85%.

O médico e diretor da colaborativa pelo parto adequado do Institute for Healthcare Improvement (IHI), Paulo Borem, contou que um hospital de Jaboticabal, interior de São Paulo, foi um dos hospitais-pilotos que embasaram essa nova regra. O estabelecimento passou de uma taxa de 1% de índice de partos vaginais para 55% de nascimentos naturais após um trabalho de esclarecimentos. “Houve também uma redução de 60% de recomendação de UTI para os bebês, redução da mortalidade perinatal, além de ter gestantes mais satisfeitas”, conta.

Trabalho de parto

O Hospital Israelita Albert Einstein, em parceria com o Institute for Healthcare Improvement (IHI), lançou, em maio deste ano, o projeto “Parto Adequado”. A ideia é capacitar hospitais privados e públicos para que possam aplicar as diretrizes do parto adequado: fazer cesarianas quando elas são realmente necessárias e partos normais em pacientes de baixo risco.

“Nosso projeto não incentiva o parto normal a qualquer custo e nem a cesárea com hora marcada, já que são duas coisas ruins. Precisamos fazer o que é necessário para cada paciente”, diz Rita de Cássia Sanchez, coordenadora da maternidade do Hospital Albert Einstein e coordenadora do projeto Parto Adequado.

“A maioria das gestantes é de baixo risco, então entrarão em trabalho de parto e poderão ter o bebê pelo parto normal. Algumas delas, de risco, precisarão de uma intervenção”, afirma.

“A intervenção [cesariana] deve ser feita na hora certa, senão teremos bebês prematuros. Esse é o grande problema de agendar uma cesárea. Se não é a hora do bebê nascer ainda, se o bebê ainda não deu um sinal para iniciar o trabalho de parto na mãe, ele pode ser prematuro e ir para a UTI neonatal”, diz Rita de Cássia.

Ela ainda esclarece: “Com isso, a mãe não consegue amamentar o filho na primeira hora de vida, não há o contato pele a pele da mãe com o bebê, além de uma série de outras coisas que o parto normal oferece”.

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Segundo a médica, as regras da ANS não são suficientes para mudar a cultura dos médicos, que estão acostumados a fazer mais cesarianas do que partos naturais. Ela sinaliza que também é preciso mudar a cultura da gestante que tem medo do parto normal. “É necessário mexer no modelo de assistência ao parto”.

Rita ressalta a importância do trabalho de parto para a mãe: “Entrar em trabalho de parto é bom para a mulher também, já que há a liberação da ocitocina, que ajuda muito na amamentação”.

Segundo a médica, a cultura da cesariana começou primeiramente com a impressão de que algo que é tecnológico é melhor do que algo natural e fisiológico. A partir desse pensamento, o projeto “Parto Adequado” tenta desmistificar os problemas.

As gestantes, diferentemente de outros países, como o Reino Unido, preferem que o médico da hora do parto seja o obstetra que a acompanhou durante o pré-natal. Como o parto normal é imprevisível – ninguém sabe a hora exata que o bebê vai nascer -, o médico deveria, então, estar disponível 24h por dia, inclusive aos finais de semana. Se ele tem algum compromisso, no entanto, deixa a gestante “desamparada”.

Para evitar esse problema, o projeto propõe que a gestante passe, durante o pré-natal, com ao menos três médicos. Esses médicos, por sua vez, seriam da mesma equipe e, caso algum não esteja disponível na hora do parto, a gestante tem outro em quem confiar no momento do nascimento do filho.

Outro pilar do projeto é a contratação de mais enfermeiras obstetras que fiquem ao lado da gestante durante o trabalho de parto e poupe o médico de ficar cuidando exclusivamente da paciente durante todo o período.

“O médico tem um caráter mais intervencionista”, diz Rita de Cássia. Com isso, ele acompanharia a paciente por poucas horas e faria o parto. Além disso, o projeto busca atualizar médicos que não estão familiarizados com parto normal com tanta frequência.

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