Fiocruz modifica 90% de Aedes aegypti impossibilitando a transmissão de doenças

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Projeto consegue eliminar a transmissão de dengue, Zika e chikungunya pelo Aedes aegypti

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Projeto que pretende acabar com a disseminação de doenças como dengue, Zika e chikungunya pelo mosquito Aedes aegypti
é testado com 90% de sucesso. A proposta Eliminar a Dengue: Desafio Brasil, organizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) consiste em substituir os insetos comuns por outros incapazes de transmitir as doenças.

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Cientistas liberaram mosquitos infectados com a bactéria Wolbachia, que é natural e já existe em outros insetos, mas no
Aedes Aegypti

é capaz de “esteriliza-lo”, barrando a reprodução dos vírus das doenças. O teste foi feito no Ponto Final, no bairro de Jurujuba, em Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro, onde a substituição dos mosquitos foi efetiva.

Como funciona

Para realizar o experimento, a bactéria foi retirada da mosca da fruta e inoculada no ovo do Aedes aegypti
, fazendo com que o inseto já tenha a Wolbachia
em seu organismo intracelular. Após a alteração, os mosquitos voltam ao ambiente natural e, com tempo, a reposição dos que podem infectar pelos que não podem vai acontecendo naturalmente, aumentando gradativamente a quantidade de insetos sem a condição de repassar o vírus.

O pesquisador da Fiocruz Luciano Moreira, que lidera o projeto no Brasil, fala sobre o sucesso do projeto-piloto realizado pela instituição. “Significa que 90% dos mosquitos daquela área têm redução na capacidade de transmitir as doenças. O mosquito continua lá, mas não vai transmitir dengue, Zika e chikungunya”.

Essa substituição acontece quando ocorre o cruzamento dos insetos, quando a fêmea faz a transmissão da bactéria para seus filhotes. “Para os mosquitos com Wolbachia
se estabelecerem, a gente precisa que, por um tempo, a gente faça a soltura e eles vão procriando e cruzando com os mosquitos do campo e isso faz com que a bactéria seja passada para os seus descendentes e vá aumentando em número até chegar a um tempo quem que não precisa mais soltar”, esclareceu Moreira.

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Novos testes

Outro teste está sendo aplicado em Tubiacanga, na Ilha do Governador, zona norte do Rio. Lá, o pesquisador afirma que os resultados estão sendo semelhantes aos de Niterói. As liberações dos mosquitos começaram em agosto de 2015 e foram até janeiro de 2017 e estão sendo monitoradas.

“Toda semana vai a campo, coleta os mosquitos nas armadilhas e vê se estão positivos para a Wolbachia
. A gente viu que a porcentagem foi aumentando ao longo do tempo e hoje cerca de 90% dos mosquitos estão positivos. Pensando que faz mais de 15 meses que não soltamos mosquitos ali, é um grande sucesso”, destacou.

A escolha das regiões para o projeto foi feita justamente para testar a eficácia da medida em diferentes áreas. Tubiacanga é mais urbana, enquanto Jurujuba é próxima à floresta.

Outras áreas também estão sendo estudadas para a implantação do teste, em Niterói: São Francisco e Charitas, e a ideia é expandir, em junho, para os bairros Cafubá, Jacaré, Jardim Ibuí, Piratininga, Santo Antônio e Camboinhas, na Região Oceânica do município. Pelos cálculos da Fiocruz, a iniciativa ajudará a proteger mais 32 mil habitantes dessas doenças.

O projeto-piloto de alteração nos mosquitos Aedes aegypti
faz parte do programa internacional Eliminate Dengue: Our Challenge, e tem apoio do Ministério da Saúde e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

*Com informações da Agência Brasil

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O artigo Fiocruz modifica 90% de Aedes aegypti impossibilitando a transmissão de doenças foi originalmente publicado em http://saude.ig.com.br/saude.ig.com.br/2017-05-23/aedes-aegypti.html

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