‘Estímulo é fundamental’, diz mãe de filho com autismo que é ator e dublador

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Depois de se formar no ensino médio, Eric fez um curso profissionalizante de ator e outro de dublador

Reprodução/Arquivo pessoal

“A única coisa que me lembro do que a médica disse foi que entre uma criança ‘normal’ e uma criança autista havia um espaço enorme entre elas”, afirma Rosana Ponomavenco, mãe do Eric, de 22 anos, que tem autismo
, é ator, dublador e ainda está em treinamento para trabalhar com Tecnologia da Informação.

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Quando o filho recebeu o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), Rosana não tinha muita ideia do quanto o autismo
poderia afetar Eric. “Me perguntava se ele iria conseguir ler, falar, casar… me disseram que tudo dependia de quanto estímulo ele iria receber, que o estímulo era fundamental. Então, fiz tudo o que tinha ao meu alcance para que isso acontecesse”, conta a mãe.

Na verdade, esse tipo de informação não é tão simples de se ter logo após a detecção da condição. Isso porque o TEA
pode ser dividido em diversos tipos, que variam os níveis de acordo com os sintomas de cada pessoa.  “As manifestações do quadro são muito variáveis e exigem uma compreensão individual para cada caso. É necessário buscar os centros de interesse do autista e a partir daí então elaborar estratégias que possibilitem interação com a sociedade”, explica a fonoaudióloga Ana Lúcia Duran.

O TEA – que não é definido como doença – é tido como um conjunto de condições médicas que causam “prejuízos na interação social e na comunicação, associados a comportamentos repetitivos e interesses restritos”, conforme esclarece a terapeuta ocupacional do Grupo São Cristóvão Saúde, Dayane Sanches de Castro.

A pediatra do Hospital e Maternidade São Cristóvão, Claudia Fenile Conti, ressalta que o autismo se traduz muito nos detalhes do comportamento da criança, gestos, agitação, o olhar e de que forma ela interage com o mundo externo.

“Infelizmente, não há um exame específico que detecte o autismo, o diagnóstico
é feito com as informações coletadas nas consultas, como os sinais observados, histórico familiar e conversas com os pais, além de uma avaliação complementar do neuropediatra”, completa ela.

Na maior parte dos casos, a condição é diagnosticada ainda na primeira infância, entre os 12 e 24 meses de vida. “Os sinais podem ser dificuldades de interagir com outras crianças e adultos, não manterem contato visual, não atenderem quando se é chamado, comportamento repetitivo, entre outros. Os sintomas variam de acordo com o estímulo fornecido pelo ambiente familiar, do grau do TEA e se está associado ou não a outras patologias”, comenta Dayane.

Ainda não se sabe exatamente o que colabora para o TEA. Alguns estudos indicam multifatores, desde genéticos, ambientais, complicações durante o nascimento, até infecções maternas ou medicação recebida antes ou após nascer.

Para que o autista se desenvolva da melhor maneira, é importante que haja uma intervenção precoce por parte de uma equipe transdisciplinar, com neuropediatra, psiquiatra, terapeuta ocupacional, fonoaudióloga, psicólogo, psicopedagogo e outros profissionais que forem necessários de acordo com cada caso.

“Devemos promover uma melhora na qualidade de vida, ampliando a perspectiva da autonomia, independência, linguagem, socialização e capacidades cognitivas”, comenta a terapeuta ocupacional.

Orientar os pais também é fundamental para o sucesso do tratamento. “Pais de crianças autistas são facilitadores para o desenvolvimento dos filhos, visto que estão mais em contato do que os profissionais envolvidos. É recomendado que os pais interajam brincando com a criança naquilo que ela gosta de fazer, sempre parabenizando e incentivando cada etapa e acertos, com paciência para esperar o tempo dela, respeitando o ritmo e rotina. Disponibilizar momentos sociais, deixando que brinquem com outras crianças também é importante. E assim, a empatia dela pode ser mais facilmente conquistada”.

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Estímulo é fundamental para pessoa com autismo


Eric se encantou com o teatro e adora atuar

Reprodução/Arquivo pessoal

Celebrado nesta segunda-feira (2), o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo traz à tona discussões sobre como melhorar a qualidade de vida da pessoa com a condição. O secretário-geral da ONU, António Guterres, aproveitou a data para lembrar a reafirmação do “compromisso de promover a plena participação de todas as pessoas com autismo na sociedade e garantir o apoio necessário para que estas possam exercer seus direitos e liberdades fundamentais”.

Como mãe de uma pessoa autista, Rosana lembra o quanto o estímulo para que o filho se desenvolvesse foi importante para que ele se tornasse um jovem ativo e independente, dentro de suas limitações. “Desde as fonoaudiólogas que ele teve, Jacy Perissinoto e Flávia Salles, a escola de inclusão Ânima que, para a época, estava muito à frente do seu tempo, a escola que foi responsável pela alfabetização dele, Via Sapiens, até a professora Mara Regina Gonçalvez, que descobriu uma habilidade no Eric que mudou a vida dele”, conta.


Quando criança, ao saber que Eric tinha autismo, sua professora descobriu uma habilidade que mudaria sua vida: decorar textos

Reprodução/Arquivo pessoal

A professora Mara percebeu que Eric era muito bom em memorizar textos e trabalhou essa característica para aproveitá-la ao máximo. Assim, o jovem começou a fazer teatro, até realizar um curso profissionalizante e depois outro de dublagem. Mesmo não sendo aulas voltadas para pessoas com autismo, além de bem aceito, Eric também se sentiu acolhido.

Hoje, Eric está com uma peça em cartaz, faz a dublagem de um personagem com autismo para uma série de televisão e está em um treinamento para trabalhar com Tecnologia da Informação. A rotina que ele tem não é muito diferente dos garotos de sua idade: pega ônibus, estuda japonês – país que foi visitar sem a mãe, em 2015 – estuda inglês, faz academia, almoça e volta para casa sozinho.

“O que eu descobri nesses anos todos com meu filho é que ele sempre me surpreende. É tudo uma questão de tempo e investimento para que ele aprenda uma coisa nova. Quando eles são pequenos ficamos com dúvidas e medos sobre como vão se virar sem a gente por perto. Mas eu acredito que toda mãe que tiver um filho especial deve fazer de tudo para que ele seja o mais independente possível e nunca deixar de acreditar que ele tem potencial”, afirma Rosana.

Conforme o médico explicou à mãe logo quando detectou a condição em Eric, o espectro do autismo é bastante amplo e pode ser limitante em alguns casos, causando problemas de comunicação e socialização, o que não é o caso do jovem, mas é o da maioria . No entanto, é importante lembrar que o estímulo é positivo e deve ser trabalhado em todos os casos, respeitando sempre a limitação de cada um.

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O artigo ‘Estímulo é fundamental’, diz mãe de filho com autismo que é ator e dublador foi originalmente publicado em http://saude.ig.com.br/saude.ig.com.br/minhasaude/2018-04-02/autismo-dia-do-autista.html

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