Enxaqueca atinge 15 a cada 100 brasileiros; saiba tudo sobre a doença – em Mulher de Corpo

Desencadeada por diversos fatores, a dor de cabeça provocada pela cefaleia deve ser monitorada pela paciente e pelo médico para poder se chegar a um diagnóstico correto

Por Jorge Olavo | Foto Shutterstock | Adaptação Ana Paula Ferreira



O diagnóstico da enxaqueca pode levar pode levar meses

ou até anos / Foto Shutterstock

“Parece que a minha cabeça vai explodir. A dor é tão incômoda que preciso parar o que estou fazendo. A claridade e o barulho intensificam ainda mais o meu desconforto.” Você se identifica com essa situação? Além disso, sente enjoo e tem alteração na visão? Esse é o quadro clássico da enxaqueca, doença neurológica que costuma incomodar 15 a cada 100 brasileiros de forma recorrente. Ou seja: ela vem, passa e de repente está de volta. A enxaqueca é um dos tipos mais comuns de dor de cabeça primária, ou seja, ela não é motivada por outra doença. 

O principal indício é de que ela seja causada por fatores genéticos, entretanto, sua manifestação não segue um padrão, podendo ser desencadeada por diversos motivos em cada paciente. “As pessoas acham que o que desencadeia a dor para um vai ser igual para as outras, mas não é assim que acon¬tece”, alerta Ana Maria Ladeira Ya¬mada, neurologista e membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia, do Rio de Janeiro (RJ). 

Fatores desencadeantes 

Entre as causas desencadeantes normalmente associadas à enxaqueca estão o estresse, determinados hábitos alimentares e aspectos hormo¬nais. Assim, algumas pessoas podem perceber que as crises começam após a ingestão de vinho tinto, laticínios ou frutas cítricas; outras podem associar a doença a fatores emocionais, como irritabilidade ou ansiedade. 

Um terceiro grupo pode ainda constatar que a dor de cabeça tem início após um longo período de exposição ao sol ou vem em decorrência das alterações hormonais do ciclo menstrual. Não existe regra. A enxaqueca afeta pessoas de todas as idades e classes sociais, mas há maior incidência entre mulheres e costuma começar na juventude. É uma doença que, se não controlada, afeta a qualidade de vida da paciente. 

Identificação difícil 

Contudo, ter o diagnóstico da doença não é algo tão simples como parece e pode levar meses ou até anos para se chegar a uma conclusão. Ana Maria explica que, para isso, é preciso avaliar o histórico da paciente e acompanhála por um tempo. Exames podem ser solicitados ao longo do monitoramento para excluir a possibilidade de ou¬tras enfermidades.

“É importante haver uma boa relação entre médico e paciente já que requer tempo para acompanhar a evolução da doença, fazer o diagnóstico e encontrar o tratamento mais adequado para cada pessoa”, afirma Ana Maria. O profissional mais indicado para acompanhar a evolução da doença e apontar o tratamento mais adequado a cada paciente é o médico neurologista. 

Tratamentos específicos 

Basicamente, existem dois tipos de tratamento para a enxaqueca: a prevenção para evitar novas crises e o uso de analgésico para controlar a dor. Em raras situações, também pode ser indicado procedimento cirúrgico. Segundo Eduardo Barreto, neurocirurgião, do Rio de Janeiro (RJ), o tratamento preventivo busca neutralizar os fatores que desencadeiam a doença. “Se verificarmos que algum alimento tem relação direta com a enxaqueca, indicamos uma dieta balanceada. A atividade física também é altamente recomendada para trazer melhorias ao organismo”, afirma o especialista. Outras atividades e terapias também podem ser benéficas para quem sofre com enxaqueca. Entre elas estão a meditação, a ioga, a acu¬puntura e sessões de radiofrequência. Nesse caso, são medidas que auxiliam no controle do estresse. 

Tipos 

Há duas versões de enxaqueca: a clássica e a comum. A classificação é feita diante da presença ou não de aura – fenômeno que provo¬ca alteração visual da paciente na crise. O tipo clássico vem acompanhado de aura, e é o menos comum. Durante a crise, o indivíduo tem a visão prejudicada por espectros em forma de estrelas, raios ou riscos. 

Diário amigo 

Registrar em um diário alguns dados sobre a dor que está sentindo pode ser útil para diagnosticar a enxaqueca e identificar o que pode desencadear a doença. Os dados descritos no relatório podem variar de acordo com as orientações de cada médico, mas a paciente irá anotar o dia e o horário em que a dor de ca¬beça começou, a intensidade da dor (em uma escala de 1 a 3; de leve a incapacitante), se houve náusea ou vômito, os sintomas e os possíveis fatores desencadeantes da doença.

A partir dessas informações será possível verificar a intensidade e a frequência das crises, indicando o caminho de tratamento a ser adotado. “É importante a pessoa assumir uma postura ativa em relação à doença, anotando essas informações em diário”, afirma Eduardo Barreto.

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