Entenda os efeitos dos suplementos e remédios mais utilizados por quem treina – em Mulher de Corpo

Consultamos os especialistas para entender os efeitos no organismo de alguns dos suplementos e remédios mais utilizados por quem treina e esclarecer quando vale a pena tomá-los e quando podem ser uma roubada. Confira!

Por Daniel Navas | Foto Christian Parente | Adaptação Ana Paula Ferreira



Lançar mão de remédios para ajudar no desempenho na academia

pode não ser uma boa ideia / Foto Chistian Parente

O treino de ontem foi pesado e hoje você mal consegue andar de tanta dor. Ou, justo hoje, dia daquela aula de bike que você ama, acordou com a cabeça explodindo. Se sua melhor saída para essas situações é sacar da bolsa um comprimido capaz de acabar com o desconforto — e seguir malhando —, você não está sozinha. 

De olho em resultados melhores na atividade física, muita gente recorre com frequência a medicamentos e suplementos que acredita serem inofensivos, mas podem trazer consequências indesejadas para a saúde e a performance. É claro que muitas dessas substâncias existem para facilitar nossa vida e, com orientação e bom senso, nos salvam do sofrimento em diversas ocasiões. Consultamos os especialistas para entender os efeitos no organismo de alguns dos suplementos e remédios mais utilizados por quem treina e esclarecer quando vale a pena tomá-los e quando podem ser uma roubada.

1. Inibidor de apetite

Quem não gostaria de uma solução mágica para abreviar o tempo e o suor na academia e acelerar o emagrecimento? Isso faz muitas mulheres recorrerem a remédios geralmente à base de anfetaminas, capazes de eliminar a sensação de fome. “A substância envia uma mensagem ao cérebro, que repassa ao corpo dizendo que está saciado”, explica Guilherme Corradi, médico do esporte e membro da Academia Americana de Medicina Esportiva. Geralmente, os moderadores de apetite trazem, além de anfetaminas, compostos químicos para reduzir a ansiedade – fluoxetina, por exemplo. “O uso indiscriminado provoca dependência química e, em doses erradas ou em combinação com outras substâncias, pode provocar ou agravar arritmias cardíacas, alucinações, ataques de pânico e agressividade e problemas respiratórios”, avisa Gisele Battistelli, profissional de educação física do Serviço de Educação Física e Terapia Ocupacional do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS). Mas e a perda de peso? Costuma ser temporária porque, quando o organismo se acostuma com os efeitos do remédio, os impulsos do emagrecimento já não funcionam mais. Com isso, a fome aumenta, o organismo passa a reter calorias e ocorre o efeito sanfona.

2. Analgésicos e anti-inflamatórios 

Tecnicamente, analgésicos e anti-inflamatórios não-esteroides, ou AINEs (ibuprofeno, ácido acetilsalicílico, paracetamol e diclofenaco), agem do mesmo modo no organismo, embora em intensidades diferentes: bloqueando a substância envolvida no processo inflamatório e diminuindo a dor. Quando se trata de atividade física, a dor é resultado de uma inflamação natural e necessária para a reconstrução do músculo, que sofreu lesões pelo desgaste. “Se você toma um anti-inflamatório, interrompe esse ciclo e atrapalha a recuperação adequada, que é o que garante o benefício de hipertrofia muscular”, esclarece Guilherme Corradi. De acordo com estudo publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, o hábito de tomar analgésicos sempre que surge um desconforto pode levar a dor crônica e dependência. “Depois de um tempo consumindo o remédio indiscriminadamente, o efeito dele deixa de ser percebido e a pessoa tende a aumentar a dose. Isso, ainda por cima, eleva o risco de danos ao estômago, fígado e rins”, alerta o médico


3. Relaxante muscular

O tipo mais comum é dos chamados agentes antiespasmódicos, que têm ação no músculo esquelético. “Cada vez que o cérebro envia um comando para você se movimentar, uma mensagem corre pelo nervo e chega ao músculo, que se contrai”, explica Márcio Bacci. No pós-treino, é normal que ocorram espasmos musculares como resposta ao esforço, e a ação do remédio é bloquear essa transmissão do nervo ao músculo, inibindo a ação contrátil e possíveis dores. Porém, o uso constante do medicamento pode trazer riscos à saúde. “Secura na boca e sede, redução ou aumento dos batimentos cardíacos, dificuldade para urinar, visão embaçada, pupilas dilatadas, fraqueza, vômito, náuseas, tonturas, sonolência e dor de cabeça são alguns dos efeitos colaterais”, aponta Gisele Battistelli. O desempenho na academia também é prejudicado. “Na atividade física, o recrutamento das fibras musculares deve ser intenso e repetitivo. Qualquer bloqueio a essa ação interfere na contração e, com isso, no ganho de força ou volume muscular”, observa Márcio.

4. Termogênico

São aceleradores do metabolismo, substâncias que atuam no organismo elevando a temperatura corporal por meio do estímulo dos sistemas cardiovascular, respiratório e nervoso central. “Muita gente recorre a eles para conseguir melhor performance em determinada prática esportiva ou com a finalidade de emagrecimento”, afirma Eduardo Sanchez, endocrinologista do Hospital Quinta D´Or, no Rio de Janeiro. De acordo com ele, há estudos que apontam mesmo ganhos no rendimento com o uso de termogênicos à base de cafeína. “Quando a finalidade é perda de peso, as doses das substâncias precisam ser bem mais elevadas, aumentando o risco de efeitos adversos”, conclui. O consumo acima do limite (cerca de 400 mg de cafeína por dia) pode resultar em efeitos colaterais simples, como boca seca, tontura, tremor, palpitações e insônia, e outros mais graves, como arritmia, infarto e acidente vascular cerebral. Pessoas que sofrem de ansiedade, depressão ou outros transtornos psíquicos só podem tomar aceleradores de metabolismo com aval de um médico, já que eles atuam no sistema nervoso.

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O artigo Entenda os efeitos dos suplementos e remédios mais utilizados por quem treina – em Mulher de Corpo
foi originalmente publicado em http://corpoacorpo.uol.com.br/blogs/blogs/mulher-de-corpo/entenda-os-efeitos-dos-suplementos-e-remedios-mais-utilizados-por-quem-treina/11057

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