Droga usada para tratar câncer de pulmão pode servir para câncer de mama

Veja a matéria completa sobre Droga usada para tratar câncer de pulmão pode servir para câncer de mama e fique por dentro de como cuidar da sua saúde.


Agora, a substância será testada em pacientes com estágio avançado do câncer de mama lobular

shutterstock

Cientistas britânicos apontam que um medicamento usado para tratar câncer de pulmão também poderá ser útil no tratamento de câncer de mama
. As informações são de um estudo publicado no Cancer Discovery
nesta segunda-feira (2). A pesquisa foi financiada pelo sistema de saúde pública do Reino Unido (NHS, na sigla em inglês).

Leia também: Outubro Rosa: saiba o que é mito e verdade sobre câncer de mama

Apesar de não ser qualquer tipo de câncer de mama
que pode ser curado com a droga – é necessário que se trate de um tumor causado por um defeito genético – a novidade é bastante animadora para a comunidade médica e pacientes de pessoas com câncer. Isso porque se refere a um medicamento já aprovado e disponível no mercado, o que facilita sua aprovação e possibilida que seu uso aconteça mais rapidamente do que um novo remédio recém-desenvolvido.

Depois da descoberta, a substância será testada em pacientes com estágio avançado do câncer de mama lobular. No total, a pesquisa receberá o financiamento de 750 mil libras.

A droga é o crizotinibe
, aprovada no Brasil desde 2016 e que é destinada para o câncer de pulmão. Ela atua em pacientes com alteração genética ALK. Nesses casos, o gene ALK se funde com o gene EML4 e produz uma enzima que favorece o crescimento de células cancerosas. Com o uso do remédio, a produção dessa enzima que causa o câncer é bloqueada.

Para tratar o câncer de mama, a droga inibe alguns tipos de tumores lobulares, que começam nas glândulas produtoras de leite. Essas formas de câncer se dão por conta de um defeito na proteína E-cadherin, que é utilizada para manter as células juntas. Quando há um problema na enzima, as células começam a crescer de forma desordenada.

De acordo com a literatura médica, aproximadamente 13% dos cânceres de mama possuem esse tipo de defeito, e 90% dos cânceres do tipo lobular se referem ao que podem ser tratados com o crizotinibe. Segundo o serviço de saúde britânico, mais de 7 mil mulheres são diagnosticadas com essa alteração todos os anos.

Durante a pesquisa, foram testadas outras 80 moléculas para tentar controlar dois genes chaves usados pelas células cancerosas. Assim, os pesquisadores chegaram à conclusão de que o  crizotinibe foi a substância que mais ajudou a controlar esses genes – principalmente o responsável pelo defeito na E-cadherin. Além de combater as células cancerosas da enzima, as células saudáveis permaneceram praticamente intactas.

Além disso, os cientistas também estão investigando mais sobre a droga, que pode ser útil também no tratamento de cânceres de mama resistentes à terapia hormonal. Nesses casos, após a resistência ao tratamento com hormônios, um dos únicos tratamentos disponíveis para o câncer é a quimioterapia.

Leia também: Empoderamento feminino e seu protagonismo na luta contra o câncer de mama

Novo serviço oferecido para tratar câncer de mama


Tratamento só será oferecido para mulheres com câncer de mama no estágio inicial e realizaram a lumpectomia

shutterstock

No último mês, um novo procedimento passou a ser oferecido por alguns centros hospitalares do sistema público de saúde do Reino Unido a mulheres que tiveram câncer de mama e passaram por cirurgias para retirar o nódulo. A técnica está sendo vista como a nova alternativa à radioterapia, já que 30 minutos de uma única sessão do tratamento pode substituir até seis semanas de radioterapia

O Instituto Nacional de Saúde e Excelência de Cuidados britânico forneceu as máquinas que realizam o procedimento para uso em seis hospitais: Royal Free, Whittington e Guy’s em Londres, além de outros centros nas cidades de Winchester, Swindon e Harlow.

Única sessão

Conhecido pela sigla em inglês IORT (Radio Therapy Intra-Operative, ou Radioterapia intraoperatória, em português) o procedimento se trata da administração de uma única dose direcionada de radioterapia no local onde o tumor estava, imediatamente após a operação de remoção do nódulo, enquanto o paciente ainda está sedado.

Com a sessão única, a técnica poupa mulheres do inconveniente de mais de um mês de visitas hospitalares diárias e também de estarem expostas a um risco de complicações causadas pela radioterapia tradicional – recomendada por seis semanas, geralmente, a mulheres que se submeteram a cirurgia.

Na radioterapia , os feixes externos de luz são direcionados para o peito e, embora a técnica seja eficaz, pode danificar o tecido próximo e os órgãos vitais, como o coração e os pulmões.

Porém, sua eficácia é comprovada apenas para pacientes que tiveram pequenos tumores e realizaram a lumpectomia, cirurgia que pode retirar o câncer em estágio inicial e não exige a retirada da mama.

Ensaios clínicos da Universidade de Londres mostraram que o método é extremamente eficaz para as mulheres com tumores nos estágios 1 e 2 – o menor tipo operável. Além disso, as análises apontaram que o número de pacientes que tiveram câncer de mama e morreram por outras causas que podem estar relacionadas à radioterapia também diminuiu.

Número de quimioterapias diminui

Pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, afirmam que a utilização de quimioterapia como primeira opção para tratar casos de câncer de mama em estágio inicial está diminuindo
, mesmo com as diretrizes sobre o controle do tumor permanecerem inalteradas.

O estudo, que analisou 3 mil mulheres americanas que tinham chances de serem indicadas à quimioterapia, foi publicado em dezembro no “Journal of the National Cancer Institute”, uma publicação do Instituto Nacional do Câncer nos EUA.

As participantes foram tratadas entre 2013 e 2015, e foram categorizadas entre aquelas que tinham prontuários mais elegíveis para a quimioterapia pelo tipo de tumor.

Os autores da pesquisa questionaram os médicos sobre os tratamentos recomendados à suas pacientes, e perceberam que, em 2013, 34,5% das mulheres haviam passado pelo procedimento quimioterápico. Porém, em 2015 esse número caiu para 21,3%. A recomendação para a terapia também diminuiu de 44,9% para 31,6%.

Testes genéticos

Para responder a pergunta sobre o motivo pelo qual a indicação para a quimioterapia havia diminuído, os pesquisadores selecionaram 504 oncologistas que já faziam parte do estudo para uma entrevista.

Dos entrevistados, 67,4% dos médicos afirmaram que quando as mulheres não aceitavam fazer a quimioterapia de primeira, eles solicitavam testes genéticos para verificar a chance do câncer atingir os linfonodos, o que seria um indicativo para o tratamento. Em situações que o exame aponta uma chance menor, a quimioterapia não era recomendada.

No entanto, entre as mulheres que aceitavam a quimioterapia, foi constatado que as chances de o médico solicitar o teste genético era menor, de apenas 17,5%.

Segundo os autores do estudo, a adoção desse comportamento representa uma mudança cultural entre os médicos, que estão abrindo mais chances do paciente participar das escolhas do tratamento.

O artigo Droga usada para tratar câncer de pulmão pode servir para câncer de mama foi originalmente publicado em http://saude.ig.com.br/saude.ig.com.br/minhasaude/2018-04-03/cancer-de-mama-nova-droga-tratamento.html

Deixe uma resposta