Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio: especialistas contam como prevenir casos

Veja a matéria completa sobre Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio: especialistas contam como prevenir casos e fique por dentro de como cuidar da sua saúde.

Suicídio atinge mais homens e pessoas entre 15 a 29 e acima de 65 anos, enquanto depressão ocorre mais em mulheres

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Mais de 800 mil pessoas se suicidam a cada ano, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Grave problema de saúde pública, ainda que permaneça sendo um tabu na sociedade, o suicídio é hoje a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, apesar de a esmagadora maioria dos casos serem evitáveis.  

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De tantas vítimas que fez, desde 2003 a prática é lembrada no Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, data criada especialmente para alertar para as diversas formas que existem para se evitar o suicídio, celebrada neste sábado (10) com o lema “conectar, comunicar, cuidar”.

“O problema é altamente evitável. A pessoa frequentemente vai falar com outras que está pensando em se matar, que já tem um plano”, explica o presidente da Associação Latinoamericana de Suicidologia, o psiquiatra Humberto Correa. “Existe um mito de que quem se mata não avisa, não fala. Mas isso é mentira.”

É justamente contra esse mito que a data criada pela Associação Internacional para Prevenção do Suicídio tenta lutar. Com base nas três palavras que estão “no coração da prevenção à prática” – conectar, comunicar e cuidar –, a organização incentiva as pessoas a evitarem que o número de vítimas da tragédia continue superando as centenas de milhares anualmente.   

“Para uma pessoa falar que quer se matar, ela até pode estar querendo chamar atenção, mas esse não é o único aspecto que a gente tem de considerar. Porque, se uma pessoa fala isso ‘só’ para chamar atenção, também indica que ela não está muito bem”, ressalta o psiquiatra e pesquisador da Unicamp Neury Botega. “O que acontece é que, quando uma pessoa faz um comentário desse tipo, ela provoca rejeição. A gente está mais propenso a admirar quem luta pela vida.”

Vontade de se matar pode ocorrer por vários fatores, mas os principais deles são os transtornos mentais, como a depressão. Foto: PixabayDepressão quando atinge crianças e adolescentes faz com que eles tenham um desempenho pior na escola e queiram perder as aulas. Foto: PixabayQuem quer se matar costuma reclamar constantemente da vida e usar expressões como “preferia morrer”, “nem sei se estarei aqui na próxima semana” e “não aguento mais”. Foto: PixabayPessoa passa a perder interesse pelas coisas que antes achava prazerosas e começa a se isolar. Foto: Pixabay

Tabu

Apesar de ser extremamente comum – e evitável, na maioria das vezes –, o suicídio segue sendo um tabu mesmo entre aqueles que já sofreram com o trauma em seus círculos mais íntimos. O pesquisador Neury Botega conta que as próprias famílias que perderam entes queridos por meio da prática não levam nem duas gerações para transformar o ocorrido em tabu, escancarando a dificuldade que a maioria das pessoas têm em tocar no assunto. 

“Na sociedade, parece que, se a gente fala sobre ideias de suicídio, é taxado como mórbido, que a gente quer dar ideia errada pra pessoa. Só que não”, aponta o psiquiatra. “É tabu, assim como, no passado, não se podia falar na palavra câncer.”

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De acordo com o especialista, o fato de o problema ser muitas vezes relacionado a alterações mentais – a maioria dos casos envolve pessoas com doenças como depressão, transtorno bipolar e esquizofrenia – causa ainda mais temor entre as pessoas. Mas é essencial ficar atento.

Fatores estressantes como a perda de um emprego, uma separação conjugal ou mesmo a morte de alguém próximo também podem levar pessoas deprimidas a pensar em tirar a própria vida. Abusos na infância, sejam eles sexuais, físicos ou psicológicos, são outros agravantes.

“A gente ‘tem’ de ser feliz, estar bonito na fotografia, ser um vencedor, mas a vida não é assim. Então, pode ser que muitas pessoas na atualidade tenham uma profunda intolerância para suportar a dor, a angústia, aquelas coisas normais da vida”, resume o especialista.

Tratamento

Uma coisa é unanimidade entre os pesquisadores: a melhor solução para se evitar a tragédia é por meio da conversa. Assim, não só as pessoas que estão em volta daquela com pensamentos suicidas devem ficar atentas para buscar o diálogo: é também necessário que a própria pessoa se observe para, se necessário, buscar ajuda para ser escutada.

Exatamente por isso existem grupos de apoio como o Centro de Valorização da Vida (CVV), ONG que disponibiliza, por meio de uma rede de voluntários disponível pelo número de telefone 141, email, chat e Skype, a oportunidade de conversar gratuitamente e ter apoio emocional a fim de evitar uma nova morte – sempre sob sigilo.

“Nem sempre é fácil se abrir com alguém, até porque a pessoa chega a esse ponto normalmente por se sentir solitário, sem confiar em ninguém para tratar de assuntos muito íntimos”, avalia Carlos Correia, voluntário do CVV. 

Pessoa que quer se suicidar costuma falar do desejo e sobre como quer fazer isso, mas precisa ser levada a sério. Foto: PixabaySolidão é um fator de risco, já que estudos indicam que pessoas que convivem com outros se matam menos que aquelas que levam uma vida solitária. Foto: PixabayPrimeiro passo para evitar o suicídio é conversar com alguém sobre o problema, seja um amigo, familiar ou líder religioso. Foto: PixabayÉ possível também conversar, sob total sigilo, com voluntários do Centro de Valorização da Vida (CVV) pelo site cvv.org.br ou telefone 141. Foto: Pixabay

Depressão

Apesar de não ser o único fator que leva uma pessoa a querer se matar, a depressão, transtorno mental com causas ao mesmo tempo biológicas e ambientais, é de longe a doença mais ligada ao suicídio no mundo. E, cada vez que a patologia se aloca na vida da pessoa, a situação piora. 

“É uma doença recorrente. Em geral, a pessoa tem vários episódios ao longo da vida. Aquela que teve uma vez tem 50% de chance de ter uma segunda. Quem teve dois quadros tem cerca de 75% de chance de ter um novo episódio. Quanto mais episódios, maior a chance de ter um próximo”, afirma o psiquiatra Humberto Correa.

Doença que causa sintomas como desânimo, tristeza, falta de prazer, alterações no sono e no apetite, a depressão apresenta seus primeiros sinais no comportamento cotidiano da pessoa. Atos como começar a faltar ou mesmo chegar atrasado a compromissos, por exemplo, podem ser associados à doença.  O uso abusivo do álcool como forma de aliviar a condição também deve ser visto como sinal de alerta.

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“Pessoas próximas podem e devem ajudar porque o deprimido muitas vezes não reconhece o problema ou vai ter muita dificuldade em pedir ajuda pelas próprias características da doença”, alerta Correa.

Além de ser um fator de risco para o suicídio, há uma forte relação entre a depressão e problemas cardiovasculares e doenças clínicas de forma geral. O lema “conectar, comunicar, cuidar”, do Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, resume bem como ajudar aqueles com a doença.

O artigo Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio: especialistas contam como prevenir casos foi originalmente publicado em http://saude.ig.com.br/saude.ig.com.br/2016-09-10/suicidio-prevencao.html

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