Detox: corpo faz isso sozinho, basta seguir uma alimentação saudável

Veja a matéria completa sobre Detox: corpo faz isso sozinho, basta seguir uma alimentação saudável e fique por dentro de como cuidar da sua saúde.

Suco 'detox': ele pode até ser saudável mas não substitui o fígado na eliminação de toxinas

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É impossível não se expor a algum tipo de toxina ambiental e igualmente irreal não ter substâncias tóxicas produzidas pelo próprio corpo circulando no organismo. Em tese, então, ele estaria carregando uma série de substâncias ruins que só um bom suco ‘detox’ conseguiria mandar embora, certo? Errado.

O fígado por si só faz esse trabalho, mas sem ajuda ele não consegue fazer tudo sozinho, precisa de insumos provenientes de uma alimentação equilibrada. Quem não toma sucos detox mas tem uma alimentação minimamente saudável, tem um fígado (e um organismo!) feliz.

O nutrólogo Roberto Navarro explica: toda vez que temos contato com alguma substância tóxica, seja pela boca, pelo intestino, ou mesmo por inalação (que vai para o pulmão), esses compostos vão parar no sangue. E, obrigatoriamente, passarão pelo fígado.

“Ele é um órgão central que recebe tudo o que passa pelo sangue e reconhece o que é um nutriente importante ou o que é uma toxina”, diz o médico.

Quando o fígado reconhece algo potencialmente tóxico, ele faz um processo completo chamado de detoxificação hepática, ou seja, ele reconhece a substância e, por meio de uma sequência de reações bioquímicas complexas que acontecem dentro das células do órgão, ele modifica a estrutura química da toxina.

“Uma vez feito isso, o fígado manda a toxina embora, para ser eliminada. Isso se dá pela urina, pela respiração, pela bile ou pelas fezes”, explica Navarro, acrescentando que a única condição para esse processo não ocorrer é quando o fígado está doente.

++ Veja a seguir oito coisas que podem prejudicar o fígado:

Procure não engordar. A obesidade causa gordura no fígado, condição que recebe o nome de esteatose hepática. Foto: Thinkstock/Getty ImagesÁlcool em excesso causa lesões no fígado e pode levar à cirrose hepática. Foto: Getty ImagesSuplementos vitamínicos sem necessidade: a vitamina C aumenta a absorção de ferro, por exemplo, e o excesso de ferro lesiona o fígado. Foto: Getty ImagesChá-verde em excesso pode causar falência do fígado. Cuidado! . Foto: Thinkstock/Getty ImagesAloe vera não é nada legal para o fígado. "O fígado sofre com crendices populares", diz hepatologista. Foto: Getty ImagesChás, como o de erva-cavalinha, cáscara-sagrada, espinheira-santa, mãe-boa, sacada, fedegoso e picão preto fazem mal ao fígado e podem até mesmo levar a um transplante do órgão. Foto: Thinkstock/Getty ImagesCuidado com o vírus da hepatite C, que é transmitido por meio de sangue contaminado. Ele lesiona o fígado a ponto de precisar de um transplante. Foto: ThinkstockNão se automedique. Os remédios podem lesionar o fígado. Um médico consegue avaliar se o benefício supera o risco e prescrever a melhor opção. Foto: Thinkstock/Getty Images

Para o fígado trabalhar a favor do organismo, ele precisa de enzimas, cuja produção e ação depende de determinados nutrientes obtidos pela alimentação. O principal, segundo Navarro, é um aminoácido chamado cisteína. “Essa cisteína é encontrada em alguns alimentos. São os compostos enxofrados ou sulfidrílicos”, diz.

Na feira, explica o especialista, esses compostos atendem pelo nome de alho, cebola, rúcula, agrião, espinafre, couve, brócolis e cogumelos comestíveis. São os que mais contêm esses aminoácidos, embora outros alimentos carreguem essas propriedades em menor teor.

“Talvez pelo apelo de vender um suco, ficou parecendo que a gente só consegue fazer o fígado trabalhar a nosso favor se tomar esses alimentos na forma de um suco. Na verdade, não. As pessoas podem comer de outras formas”, diz Navarro. Por exemplo: uma salada que tenha algum desses alimentos já supriria a necessidade do corpo. Um arroz com alho, também. Um bife acebolado, igualmente.

Detoxificação hepática não é a mesma coisa que desintoxicação, como a feita com as drogas. Podemos ser intoxicados por bactérias e medicamentos. Desintoxicação, para a medicina, é outra coisa. É um tratamento que se faz em hospitais quando se está com intoxicação aguda”, esclarece.

Quem se intoxicou com venenos, por exemplo, precisa usar medicamentos – dentro de um hospital de emergência – que possam impedir a absorção dele e preservar a vida.

Suco detox para emagrecer ou curar câncer? Não.

A maior associação do suco detox à boa saúde é a crença de que ele teria poderes milagrosos de emagrecimento, o que não é verdade.

“Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Na nutrologia, consideramos que esses sucos são saudáveis, desde que preparados sem coar e sem adicionar açúcar, principalmente se a pessoa não come nenhuma salada ou não tem uma ingesta adequada em compostos cisteínicos”, diz o médico. Agora, emagrecer? Ele discorda.

“Dizer que o suco detox emagrece ou cura o câncer, é complicado!”, diz. De acordo com Navarro, o suco é capaz de trazer um benefício, já que carrega antioxidantes e polifenóis.

“Mas não podemos dizer que vai tratar uma doença com um alimento. Toda vez que se faz um apelo de curar, de desintoxicar, é sensacionalismo”.

A nutricionista funcional Bianca Innocêncio da Clínica Andrea Santa Rosa conta que sempre primeiro propõe uma alimentação mais saudável aos pacientes, com alimentos de verdade.

“Procuramos reduzir a exposição a produtos químicos para fornecer mais nutrientes a todos os sistemas. Utilizar um suco natural e nutritivo pela manhã é uma boa maneira de se começar o dia, mas sem dúvida tal recomendação não substitui alimentos frescos ao longo do dia”, ressalta.

E quem não come nenhum desses alimentos?

Navarro explica que o fígado leva cerca de 120 dias para completar a detoxificação de metais pesados e tóxicos, como chumbo, mercúrio ou alumínio. Se ele não for capaz de excretar dentro desse prazo, os metais passam a morar dentro das células, seja do próprio fígado ou dos ossos e, a médio prazo, pode desencadear doenças degenerativas, além do câncer.

Seja no suco, seja na salada ou no ensopado, os alimentos com aminoácidos cisteínicos devem fazer parte de uma dieta equilibrada. Em quem, no entanto, torce o nariz para todos, a balança vai pender para o lado ruim.

“Se não ingiro nenhum alimento saudável para meu fígado trabalhar e me exponho a metais tóxicos e agrotóxicos, tenho um risco relativamente maior. Para isso, no entanto, teria de estar em uma desnutrição grave, já que os compostos cisteínicos também estão presentes em oleaginosas, frutas e outros legumes. Em quantidades menores, mas estão”.

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