Cerca de 10% dos que procuram atendimento para tuberculose já tiveram a doença

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Entre os principais sintomas da tuberculose estão as dores no peito, febre e tosse

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Cerca de 10% da população que foi ao hospital em busca de ajuda por conta da tuberculose já havia tido a doença antes, mas abandonaram o tratamento, conforme apontou o Ministério da Saúde.

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De acordo com a pasta, apenas em 2017, 69,5 mil novos casos de tuberculose
surgiram no País. Desses, 13.347 foram casos de retratamento, quando há abandono da terapia.

No mesmo ano, a proporção de pessoas com a condição era de 33,5 a cada 100 mil habitantes, coeficiente considerado alto de acordo com a meta preconizada pela Organização Mundial de Saúde, que é de 10 casos por 100 mil habitantes.

O tratamento da doença é longo e é preciso ter certeza de que o bacilo Koch, bactéria que causa a condição, foi completamente eliminado. Os medicamentos devem ser tomados por cerca de seis meses, o que poderia ser uma das justificativas para a alta taxa de abandono.

“É essencial realizar o tratamento
de forma correta e no tempo determinado para evitar o desenvolvimento de bactérias resistentes aos antibióticos. Durante este período é necessário monitorizar possíveis efeitos colaterais dos medicamentos utilizados. Uma minoria dos casos precisará de outros recursos, como internação ou medicamentos alternativos”, afirma a pneumologista do Hospital Santa Clara, Dra. Maria Cristina Marquez Carneiro.

Ainda de acordo com os dados do Ministério da Saúde, os estados com maior proporção de retratamentos foram Rio Grande do Sul (23,3%), Rondônia (19,9%) e Paraíba (19,5%).

População carcerária

Os casos de tuberculose na população privada de liberdade também chamaram atenção das autoridades. Segundo o levantamento, eles representam cerca de 10,5% dos registros da doença em todo o País.

Algumas populações apresentam maior risco de adoecimento por tuberculose, devido às condições de vida e saúde a que estão expostas, como é o caso da população privada de liberdade.

“Reduzir a carga da doença nesses ambientes acaba impactando na população geral, uma vez que as pessoas privadas de liberdade recebem visitas de familiares, além da convivência constante com profissionais de segurança e de saúde que também retornam às suas casas ao final do dia“, ponderou a coordenadora do Programa Nacional de Controle da Tuberculose, Denise Arakaki.

Desta forma, a pasta decidiu lançar, nesta quarta-feira (6), o projeto “Apoio ao desenvolvimento de ações em saúde para a comunidade carcerária com foco na tuberculose”, em parceria com o Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

As ações do projeto terão duração de dois anos, e terão foco na educação em saúde, por meio de campanhas informativas e oficinas para os presos. O objetivo é ampliar o diagnóstico e tratamento precoce de todos os casos, melhorando as estratégias de controle da tuberculose no sistema prisional.

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Dados


Para detectar a doença é necessário uma  radiografia de tórax e de testes da secreção respiratória para identificação da bactéria

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A análise do Ministério da Saúde mostrou que  o percentual de cura de casos novos foi 73%, maior do que se comparado ao ano de 2015, quando era 71.9%. Os estados do Acre (84,2%), São Paulo (81,6%) e Amapá (81,7%) alcançaram os maiores percentuais de cura no mesmo ano.

Em 2016, foram registrados 4.426 óbitos por tuberculose, resultando em um coeficiente de mortalidade igual a 2,1 óbitos a cada 100 mil habitantes, que apresentou queda média anual de 2,0% de 2007 a 2016.

No ano passado, o Ministério da Saúde lançou o Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose como Problema de Saúde Pública, que ratifica o compromisso com a Organização Mundial de Saúde (OMS) de reduzir a incidência da doença na população mundial, que hoje é de aproximadamente 100 casos para cada 100 mil habitantes. A meta é chegar, até o ano de 2035, a menos de 10 casos por 100 mil habitantes. Juntamente com a redução da incidência, o Brasil também assume o compromisso de reduzir o coeficiente de mortalidade para menos de 1 óbito por 100 mil habitantes.

Sintomas, diagnóstico e prevenção

A infecção acontece quando uma pessoa inala múltiplas vezes a bactéria, a qual é transmitida através das secreções respiratórias de pessoas que têm a Tuberculose Pulmonar, principalmente pela tosse, espirros e fala. Portanto, é necessário um contato próximo e prolongado com alguma pessoa que tenha a doença ativa. Quanto mais fechado, pouco ventilado e arejado o ambiente, maior a chance de contágio.

De acordo com Maurício Ota, médico radiologista da Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem (FIDI), o principal sintoma da tuberculose pulmonar é a tosse seca ou produtiva, persistente por três semanas ou mais.

“Outros sintomas
incluem febre baixa vespertina, sudorese noturna, emagrecimento, cansaço ou fadiga. A forma extrapulmonar ocorre mais comumente em pessoas que apresentam comprometimento imunológico como HIV positivo ou AIDS”, explica o especialista em radiologia do tórax e abdômen.

O diagnóstico
é realizado pela avaliação médica da história e exame físico do indivíduo e auxílio da radiografia de tórax e de testes de diagnósticos realizados em amostras da secreção respiratória para detecção da bactéria (baciloscopia e cultura do escarro).

“Nesse momento com os dados clínicos e dos exames, o médico fará a diferenciação da doença com outras doenças pulmonares semelhantes. Se não for possível o diagnóstico neste ponto, outros exames deverão ser realizados. No caso de suspeita de tuberculose em outros órgãos, outros tipos de exames são realizados, como biópsias”, explica Carneiro.

A prevenção da doença se dá a partir de diversas frentes de ação. A primeira delas é o diagnóstico e tratamento das pessoas doentes o mais rápido possível, pois quanto mais rápido o início do tratamento menor a possibilidade transmissão para outras pessoas.

Outra medida importante é a pesquisa ativa dos contatos dos doentes, ou seja, investigar a presença da bactéria em pessoas que tiveram contato prolongado com o doente (familiares, colegas de trabalho, etc.), instituindo o tratamento precoce na infecção latente, prevenindo que essas pessoas desenvolvam a doença também.

“A vacinação contra tuberculose
previne somente de formas graves da doença, e aparentemente não contribui para a redução das taxas de tuberculose pulmonar”, finaliza Maria Cristina Marquez Carneiro.

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O artigo Cerca de 10% dos que procuram atendimento para tuberculose já tiveram a doença foi originalmente publicado em http://saude.ig.com.br/saude.ig.com.br/2018-06-07/tuberculose-abandono-tratamento.html

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