Candidíase crônica? Mude a dieta – em Nutrição

Como a maioria dos distúrbios do corpo, a proliferação da Candida tem relação direta com certos alimentos. Saiba como prevenir-se e reduzir os sintomas

Por Natasha Franco | Foto Shutterstock | Adaptação Ana Paula Ferreira



A candidíase é causada pelo fungo Candida albicans, que já

vive naturalmente na região íntima da mulher 

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Antes de a medicina ser o que conhecemos hoje, Hipócrates já observara a influência da dieta na saúde de seus pacientes. Foi daí que nasceu a citação “que o alimento seja o teu remédio.” Hoje, cada vez mais a ciência comprova que a alimentação tem uma influência direta no funcionamento de nosso corpo. Comer bem pode evitar diversas doenças: colesterol alto, diabetes,  hipertensão e até candidíase. Isso mesmo! Embora os estudos sobre o assunto ainda estejam em fase inicial, sabe-se que pode haver efeito benéfico na escolha dos itens certos para levar à mesa.  

Antes de entender todos esses mecanismos, é preciso saber melhor o que é a candidíase: o problema é causado pelo fungo Candida albicans, que já vive naturalmente na região íntima da mulher, convivendo com outras bactérias da área.  A candidíase acontece quando há um desequilíbrio da flora vaginal e esse fungo se prolifera mais do que o esperado, gerando sintomas desagradáveis. “Entre eles, corrimento esbranquiçado, vermelhidão,  coceira, queimação e inchaço na vulva”, descreve Marcello Vale,  ginecologista especialista em Reprodução Humana da clínica Origen,  do Rio de Janeiro (RJ). O médico ressalta que o quadro complica quando a candidíase se torna recorrente, pois causa muito desconforto e pode facilitar a infecção por outros agentes. “O mais importante é sempre tomar as medidas preventivas para evitar a instalação da infecção”,  complementa.  

Normalmente, esse fungo começa a se proliferar quando há uma queda no sistema imunológico: é como se o organismo usasse suas defesas justamente para mantê-lo em seu devido lugar. E nesse ponto a alimentação já se torna decisiva. Afinal, nada como refeições balanceadas para melhorar as defesas do corpo.

Resultados mais rápidos

Mas novas evidências, no entanto, têm mostrado que a alimentação pode ir além nessa defesa: “Tem-se observado que o consumo excessivo de açúcar, somado ao desequilíbrio da microbiota vaginal, pode impactar negativamente, criando ambiente propício para o supercrescimento do fungo”, explica Clarissa Fujiwara, nutricionista clínica e mestre em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP). Claro que só mudando a alimentação você não consegue reverter a ocupação do fungo. É preciso seguir o tratamento indicado por seu ginecologista de confiança. Mas aliar essas mudanças na alimentação ao tratamento pode trazer resultados mais rápidos. Entenda melhor as mudanças pregadas pela dieta anticandidíase em cada grupo alimentar:

Carnes

Entre as carnes, indica-se principalmente evitar as processadas. “Elas muitas vezes são acrescidas de dextrose e outros açúcares, o que não é interessante para quem está com candidíase, além de serem pouco saudáveis para todas as pessoas”, alerta Clarissa Fujiwara. Para garantir a força do sistema imunológico, invista nas carnes magras e orgânicas e nos peixes de águas profundas, que são ricos em ômega 3.  

Frutas

As frutas são ricas em carboidratos, no caso a frutose, mas têm nutrientes importantes para a imunidade, o que traz um impasse nutricional: será que vale mesmo a pena excluí-las da dieta enquanto se está com candidíase? “Para não eliminá-las por completo, o consumo deve ser moderado, adequando-se então o tamanho das porções em cada refeição”, diz a nutricionista Clarissa Fujiwara. Uma boa pedida é evitar frutas secas e aquelas com sabor adocicado,  que certamente terão mais frutose. Evite também os sucos coados, que perdem as fibras nesse processo, tendo um índice glicêmico maior. Algumas frutas,  no entanto, estão liberadas. O abacate e o coco fresco poderiam ser consumidos, pois são pobres em açúcares.  “As frutas vermelhas (mirtilo,  amora, framboesa e romã)  também são e ainda têm propriedade antifúngica, assim como a casca de limão, que pode ser utilizada em chás”, aconselha Fabiana Honda, nutricionista (SP).

Bebidas

Entre as bebidas, aquelas com teor alcoólico devem ser evitadas por um tempo: “as do tipo alcoólicas consistem, de forma geral, em fontes de carboidratos e, em longo prazo, o consumo de álcool excessivo tende a manter níveis mais altos de açúcar no sangue de forma consistente”, alerta Clarissa Fujiwara. Além disso, bebidas com grandes quantidades de açúcar, como os refrigerantes e os sucos,  devem ser evitadas nas horas das crises e até mesmo como forma preventiva. E se você é fã de chás, saiba que os de ervas são os melhores amigos de quem está com candidíase. Os especialistas afirmam que muitas ervas têm até propriedades antifúngicas, como orégano,  alecrim, coentro, manjericão,  cebola, alho, cominho, erva-doce,  cravo, canela e sálvia. Invista nelas e consuma à vontade.

Nada de largar o tratamento!

É muito importante lembrar que a dieta anticandidíase é apenas uma coadjuvante no tratamento do problema que, apesar de corriqueiro, deve ser combatido conforme as orientações do ginecologista. “Para tratar o problema, podem ser usados medicamentos via oral ou agentes tópicos, como cremes ou cápsulas vaginais”, explica Marcello Vale. Como a candidíase é uma doença que se manifesta com a queda das defesas do organismo, hábitos como dormir bem, relaxar, evitar situações de estresse, praticar exercícios físicos regulares e ter uma dieta balanceada aumentam a imunidade. “Além disso, outros cuidados são importantes, como tirar o biquíni molhado e a roupa suada da academia o quanto antes, e deixar essas peças secarem, assim como as calcinhas, em lugar ventilado e ao sol, se possível (e não no box do banheiro); trocar regularmente o absorvente interno durante a menstruação; usar lingerie de algodão, que favorece a transpiração; dormir sem calcinha, para arejar a região; e preferir saias e vestidos a calças compridas e roupas apertadas”, lista o médico.

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O artigo Candidíase crônica? Mude a dieta – em Nutrição
foi originalmente publicado em http://corpoacorpo.uol.com.br/dieta/dieta/nutricao/candidiase-cronica-mude-a-dieta/11537

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