Após 60 anos, cientistas descobrem por que talidomida causou malformações

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Filhos de mães que receberam a prescrição de Talidomida nos primeiros três meses de gestação tiveram complicações

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Milhares de recém-nascidos em todo o mundo foram afetados pelos efeitos graves da talidomida. Depois de mais de 60 anos sem explicação, cientistas conseguiram finalmente entender a razão pela qual a  droga causou a malformação dos membros em tantos bebês.

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Receitada inicialmente em casos de problemas de estômago, insônia e ansiedade, a talidomida
surgiu na Alemanha Ocidental, em 1957. Pouco tempo depois, a droga se popularizou e passou a ser indicada amplamente para grávidas que desejavam diminuir enjoos matinais.

Só no país de origem do medicamento, estima-se que 7 mil bebês nasceram com malformações
nas pernas e braços ou com membros totalmente ausentes – sem contar os milhares de casos em que as gestantes perdiam os bebês.

Além disso, outros 100 mil bebês ao redor do mundo, incluindo o Brasil, também nasceram com a mesma  doença congênita
, conhecida como focomelia. Apenas 40% dos bebês da Alemanha Ocidental e 50% dos nascidos em outros países sobreviveram.

Contudo, pesquisadores do Instituto norte-americano do Instituto de Câncer Dana Farber conseguiram identificar o que a droga causa no organismo. Segundo o estudo, a talidomida interfere nas proteínas de transcrição, que pode bloquear um gene essencial ao desenvolvimento dos membros.

Segundo os investigadores, a talidomida adultera as proteínas que controlam a expressão do gene SALL4, determinante no desenvolvimento dos membros durante a gravidez e a codificação de uma rede de outras características.

Para chegar a essa descoberta, os cientistas tiveram que analisar pessoas que nunca tinham sido expostas à substância mas que tinham malformações muito semelhantes, e que apresentavam igualmente uma falha nesse gene.

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Efeitos da talidomida


Pesquisadores pretendem estudar a fórmula da talidomida para usá-la no tratamento de hanseníase e câncer

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Quando se descobriu que a ingestão de um único comprimido nos três primeiros meses de gestação causa a focomelia, em 1961, a fórmula do medicamento foi retirada do mercado de consumo mundial.

No entanto, depois de quatro anos, cientistas descobriram que a droga poderia ser benéfica para o tratamento de estados reacionais em hanseníase. Mais tarde, pesquisadores ainda descobrirm inúmeras outras maneiras de se utilizar a fórmula, por exemplo, em terapias para pessoas que vivem com HIV, lúpus, doenças crônico-degenerativas como o câncer e até mesmo transplante de medula.

Por isso, para o Dr. Eric Fischer, do Instituto de Câncer Dana Farber, compreender os alvos da droga no organismo pode ajudar a entender melhor como a talidomida afeta vários genes e poderá abrir caminho para novas aplicações benéficas à saúde.

Agora que os cientistas conhecem a parte da talidomida que causa a doença congênita, é possível começar a reformular uma droga similar para agir no combate ao câncer, sem os efeitos colaterais causados anteriormente. 

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“Meu laboratório está profundamente envolvido no desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas que se baseiam no mesmo mecanismo de ação que a talidomida. 
Estamos buscando muitos projetos que visam uma melhor compreensão e derivatização da droga”, declarou Fischer.

O artigo Após 60 anos, cientistas descobrem por que talidomida causou malformações foi originalmente publicado em https://saude.ig.com.br/minhasaude/2018-08-13/talidomida-malformacoes-motivo.html

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