A operação no cérebro que inspirou uma jornada de coragem pelo Polo Sul

Veja a matéria completa sobre A operação no cérebro que inspirou uma jornada de coragem pelo Polo Sul e fique por dentro de como cuidar da sua saúde.

BBC

O projeto de expedição ao Polo Sul de Luke Robertson tem apoio de exploradores famosos, como Ranulph Fiennes

Due South/BBC

Enquanto Luke Robertson descansa no hospital Western General, com uma placa de metal na cabeça depois de uma cirurgia no cérebro, ele olha pelo jardim e vê um homem de aproximadamente 60 anos cercado por parentes.

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O homem estava enfrentando um tumor no cérebro. Luke imaginou que o colega de internação estava fazendo a “cara mais corajosa” para a família. Mais tarde, o doente de câncer conversou com o rapaz de 28 anos sobre as coisas que importam na vida.

“Ele estava naturalmente um pouco amedrontado”, disse Luke.

“Nós tínhamos tanta coisa em comum – esporte, natureza, expedições, viagens. Ele já havia sido operado três vezes. Dizia ter tido uma vida incrível, mas que não queria que ela acabasse.”

“Ele disse: ‘Aproveite o máximo da vida, faça tudo o que quiser. Você nunca sabe o que te espera’.”

“Aquilo tocou meu coração. Ele me deu muita inspiração numa época em que havia muita coisa passando pela minha cabeça.”

Rumo ao Sul
Infelizmente, o amigo de Luke não resistiu. Mas a história dele e as experiências de outros doentes de câncer que Luke conheceu, além da dor de perder um tio para a doença, inspiraram esse agente financeiro de Edimburgo, na Escócia, a embarcar em uma jornada solitária ao Polo Sul, sem supervisão e sem apoio.

Se ele atingir o objetivo do projeto, que batizou como “Due South” (Rumo ao Sul, em tradução livre), é provável que seja o primeiro escocês e – agora que tem 30 anos – o mais novo britânico a realizar a façanha. Mas ele precisa de ajuda.

Em novembro, Luke planeja arrastar 100 kg de equipamento por 1.170 km de neve e gelo durante 35 dias até o Polo Sul, queimando 10 mil calorias por dia e encarando temperaturas de -50ºC e ventos de 160 km/h.

Luke passou três semanas em meio a pacientes de câncer no setor de neurologia do hospital Western General durante seu tratamento

Due South/BBC

O início da jornada, previsto para o final de novembro, será definido pelas condições climáticas, mas há uma grande possibilidade de que ele passe o Natal sozinho.

“Pode ser que faltem presentes, tanto para dar como receber, mas talvez eu pegue mais uma hora de descanso e cante umas canções de Natal para manter a cabeça no lugar.”

Sem monitoramento nem suporte, ele não irá contar com ajuda externa, como suprimentos extras por avião, nem ajuda de animais ou veículos. Será apenas Luke em seus esquis, puxando um trenó na imensidão.

Ele já recebeu apoio financeiro dos exploradores Ranulph Fiennes e Mark Beaumont, e agora tenta levantar 50 mil libras (cerca de R$ 260 mil) para bancar a logística da expedição.

Se conseguir, ele espera arrecadar 25 mil libras (R$ 130 mil) para a organização Marie Curie, de apoio a pacientes terminais, ao completar a jornada.

Inspirado por exploradores clássicos como Shackleton, Scott e Amundsen, Luke – que cresceu na cidade escocesa de Stonehaven – sempre teve vontade de ir ao Polo Sul. Mas a sua cirurgia no cérebro foi o estopim.

Em fevereiro do ano passado, ele procurou um médico após ter fortes dores de cabeça e problemas de visão.

‘Grande choque’
No dia seguinte, ele passou por uma tomografia computadorizada, mas não por ressonância magnética, porque ele usa um marcapasso desde que teve um problema cardíaco aos 23 anos e o exame pode afetar o aparelho.

Ele então soube que havia uma suspeita de tumor cerebral.

Luke conta que só descobriu que tinha um cisto raro e não cancerígeno após cinco horas de cirurgia. Os médicos retiraram uma grande parte do cisto, mas ainda há uma porção pequena, e ele precisa passar por check-ups regulares para evitar que o cisto volte.

“Foi um choque grande, sobretudo para meus amigos e família, mas a positividade deles me ajudou a superar toda a situação”, disse Luke.

Luke treinou na Groelândia durante sua preparação para a viagem

Due South/BBC

“O apoio que recebi desde então é uma motivação e tanto – e pode te fazer superar qualquer coisa. Sinto-me em forma e saudável – já corri maratonas, circuitos e ultramaratonas. Posso fazer tudo que quiser, exceto esportes de contato e passar por raio-X em aeroportos.”

“Tudo isso me deu um novo sopro de vida – uma força para contar às pessoas que você pode sair ainda mais forte e superar desafios após fases difíceis.”

Luke recebeu apoio de Ranulph após contatar o explorador para falar de seus planos de atingir o Polo Sul depois da operação no cérebro. Ele também se encontrou pessoalmente com o lendário atleta, que concordou em ser patrono do projeto.

‘Desafio admirável’
“O desafio que Luke assumiu é admirável por vários motivos. Ele não está apenas buscando inspirar os outros a bater suas metas na vida, mas também levantando recursos para a organização Marie Curie, e faz isso após superar importantes desafios de saúde em sua vida ainda jovem”, afirma Ranulph Fiennes.

“Chegar sozinho e sem apoio ao Polo Sul é um dos desafios mais duros que existe. Eu desejo a ele tudo de melhor, e estarei acompanhando seu progresso com grande interesse”, completa.

Além de arrecadar fundos, Luke agora tem apenas que se preparar para a jornada. Ele já treinou na Noruega, na Groelândia e na “câmara fria” da Universidade de Glasgow.

Com auxílio de parentes e da namorada, logo irá se concentrar no que levar para a expedição além dos itens essenciais de sobrevivência.

Luke irá levar um telefone por satélite para manter contato com o “mundo lá fora”, e espera ter um rastreador para que as pessoas possam acompanhar seu percurso. Também deverá atualizar informações nas redes sociais.

A autobiografia de Ranulph, trabalho que inspirou Luke durante o tempo de saúde frágil, deverá ter um lugar no trenó, bem como chocolates e bolinhas de wasabi.

Ele está atualmente criando uma lista de músicas para ouvir no percurso, e está pedindo sugestões ao público. Duas músicas cotadas são “Keep Your Head Up”, de Ben Howard, e “A Fairytale of New York”, da banda The Pogues, essa última para manter o espírito festivo.

Diante da possibilidade de passar a ceia de Natal com comida desidratada congelada e queijo borrachudo, sozinho no meio da Antártica, certamente será uma data para ficar na memória.

Saiba mais sobre a expedição no site de Luke.

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