7 lições de uma corrida de obstáculos – em Treino sob medida

A editora da CORPO, Juliana Vaz, aceitou participar da primeira edição da Reebok Spartan Race, em setembro, no interior de São Paulo. O prêmio, além de medalha ao final da prova, é muita lama e reflexão! Vem ver tudo que ela contou!

Por Juliana Vaz |Fotos Shutterstock / Arquivo Pessoal | Adaptação Ana Paula Ferreira



Estas 7 lições vão te ajudar a se preparar melhor para as corridas de obstáculos

Foto Shutterstock

Desafios. Todo dia enfrentamos algum (ou vários) deles. Cumprir prazos, resistir aos docinhos e não estapear ninguém durante a TPM são alguns dos meus embates diários. Já ir à academia não é um deles – adoro treinar! A sensação boa depois da aula de muay thai e de como é divertido treinar com as amigas ajudam na motivação. 

A psicóloga do esporte do Comitê Olímpico Brasileiro e parceira da Associação Brasileira de Psicologia do Esporte, Carla Di Pierro, me explicou que a ligação entre esporte, esforço e recompensa nunca é formada por um único estímulo. “Ela se dá não só pelo bem-estar pós-treino e o sentimento de superação física, mas pela interação com outras pessoas praticando a mesma atividade”, diz. 

Mas o que faz pessoas sensatas se meterem em uma trilha cheia de terra e escalar muros que têm o triplo da sua altura, obstáculos que encarei na Reebok Spartan Race? A ideia de fazer algo que fuja do tédio de uma competição comum me animou na hora. Mal sabia o que essa prova me traria de ensinamentos – para o esporte e para a vida.

A cada trecho que eu pensava que o pior já tinha passado, surgia outro obstáculo – é ou não é uma metáfora da vida? “O esporte proporciona experiências e aprendizados para a vida inteira”, comenta a psicóloga. Essa prova me mostrou como é importante valorizar quem está ao meu lado, seja incentivando, seja pedindo ajuda. Também aprendi que preciso aceitar minhas limitações e ainda exercitei o desapego: depois de rolar em tanta lama, nem a Gisele Bündchen ficaria bonita.

Abaixo, listei 7 lições de uma corrida de obstáculos:

1. Planejamento faz a diferença

Na semana da prova, foquei na musculação, mas pulei o treino de corrida (que detesto), o que fez bastante falta: não tive fôlego suficiente para disparar em alguns trechos. Como foi a primeira edição do evento no Brasil, a organização publicou um vídeo de como são as competições lá fora. Apesar dos elementos surpresas, os principais desafios são divulgados para que os participantes se prepararem. Aprendi à custa de alguns burpees (moeda de pagamento para quem deixasse de cruzar um dos obstáculos) que deveria ter treinado mais força nos membros superiores e técnica de subida em corda.

2. Descanso também é treino

Em vez de dar um tempo ao meu corpo antes da corrida, quis treinar mais achando que isso me renderia mais performance. Mas apenas terminei com uma dor chata nos ombros em diversos momentos da prova. Dormir bem também é essencial.

3. Alimento é combustível

Tomei um café reforçado, com uma panqueca de ovos e aveia – “O ideal é fazer uma refeição caprichada algumas horas antes da prova para evitar desconfortos gástricos ao longo do percurso”, a nutricionista esportiva Maria Vitoria Falcão, de São Paulo, havia me sugerido – e encarei a estrada. A amiga que correu comigo não ouviu meu conselho e tomou apenas um copo de achocolatado e comeu uma banana. Não à toa a pressão baixou logo no inicio da corrida (e em diversos outros trechos) porque faltou energia de longa duração.



No fim do percurso: eu, diva, mesmo cheia de lama (em pé,

à direita) / Foto Arquivo Pessoal

4. Poupar energia é uma estratégia

Em seguida, os paredões de madeira (alguns com 1,5 m de altura) davam duas alternativas: rastejar por baixo deles ou encontrar um jeito de saltá-los. Mais à frente, com a pista ficando íngreme e uma boa parte da galera disparando à frente, eu, que já estava ofegante, fui no meu ritmo. Bastaram alguns metros para confirmar que fiz bem: uma fila se forma para a tarefa de, segurando um tronco de madeira, subir um pequeno morro. Não há maneira confortável de fazer isso, vale dizer.

5. Até o sofrimento tem um lado bom

Após o sufoco, cheguei ao momento mais divertido da prova: rolar no barro se esgueirando por baixo de uma teia de arame farpado. Eu e minha amiga simplesmente rolamos para chegar ao outro lado (é a tática da maioria para, inclusive, poupar energia).

6. Limites merecem respeito

Demorou mais 1,5 km para ganharmos um copinho de água. E os obstáculos se intensificam: barreirasmais altas, sacos de 20 kg para puxar por uma corda dificultam a chegada aos 7 km da final. Não conseguir vencer um obstáculo significa fazer 30 burpees. Enganamos o supervisor e pagamos “só” 15. Me orgulho? Não. Faria de novo? Sim. Ninguém merece tanto burpee!

7. Pedir ajuda não é vergonha

As paredes de madeira, que exigem não só habilidade na escalada como força suficiente para impulsionar o corpo e mantê-lo acima do chão, deixam qualquer estresse do dia a dia no chinelo. A turma que estava comigo me deixou para trás bem antes dos 5 km, mas ainda havia esperança: vários desconhecidos se ofereceram para ajudar minha amiga e eu. E não é fazer pezinho, não! Eles se agacham e oferecem a coxa e depois o ombro – como uma escada – para que possamos alcançar o primeiro apoio da parede. “Romper barreiras e confrontar situações, seja sozinha ou com ajuda de alguém, é um paralelo com a vida: nem sempre sabemos o que vem a seguir e, muitas vezes, precisamos de parceria para resolver os problemas”, diz Carla Di Pierro. Eu sou bem teimosa e orgulhosa, admito. Mas para seguir em frente nesse tipo de aventura é preciso deixar o ego de lado.

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O artigo 7 lições de uma corrida de obstáculos – em Treino sob medida
foi originalmente publicado em http://corpoacorpo.uol.com.br/fitness/fitness/treino-sob-medida/7-licoes-de-uma-corrida-de-obstaculos/11053

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