Nova ‘moda’ entre jovens, uso do Xanax como droga recreativa causa mortes

Veja a matéria completa sobre Nova ‘moda’ entre jovens, uso do Xanax como droga recreativa causa mortes e fique por dentro de como cuidar da sua saúde.


Xanax, fármaco para tratamentos de distúrbios de ansiedade está sendo usado mundialmente como droga recreativa

Reprodução/Twitter

Usado para tratar distúrbios de ansiedade, o tarja preta
Xanax tem se tornado cada vez mais popular entre jovens de 13 a 23 anos, sendo encontrado tanto em farmácias como também em festas frequentadas por menores de idade. De acordo com a apuração realizada pela VICE
internacional, na série de reportagens “Xanxiety”, o uso irresponsável do fármaco já levou muitos adolescentes à morte por overdose, principalmente no Reino Unido e nos Estados Unidos. 

Leia também: Lean: a droga à base de codeína que tem aumentado número de mortes por overdose

Um exemplo disso é o rapper norte-americano Lil Peep, que morreu em novembro do ano passado após misturar Xanax
 e Fentanil, um potente analgésico sintético. A combinação letal, segundo autoridades de saúde, caso não leve o usuário à morte, pode causar danos como dependência química, além de quadros graves de demência e depressão.

No Brasil, a intitulada “cultura do Xanax” não tem a mesma potência estrondosa que a dos países citados acima, por enquanto, porém, um recente roubo do medicamento em uma farmácia de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, e o aumento do número de páginas e hashtags dedicadas à droga no País evidenciam a crescente procura dos jovens brasileiros pelo ansiolítico, que também atua como auxiliar para tratamentos contra a insônia.

A expansão da cultura do Xanax e seus efeitos


Lil Peep faleceu por overdose de alprazolam

Reprodução/Youtube

Assim como o conhecido “lean”, uma mistura à base de codeína, prometazina, refrigerante e balas de goma, o alprazolam
é fortemente exaltado por artistas do hip-hop, que contam experiências pessoais com a droga em suas composições.

O rapper americano de 17 anos, Lil Pump, é uma figura que aparece frequentemente consumindo o fármaco benzodiazepínico ( BZD
), que tem propriedades sedativas, em sua casa e em festas luxuosas. Quando da comemoração de um milhão de seguidores no Instagram, o rapaz agradeceu o carinho dos fãs encomendando um bolo de Xanax para a ocasião.

Lil Xan, outro cantor dos EUA de 21 anos, também é lembrado pelo uso contínuo do apelidado “benzo”, inclusive já chegou a assumir que é viciado. Em entrevistas a diferentes veículos locais, o jovem relata que tudo começou porque sofre com fortes crises de ansiedade, que foram diminuídas com tratamento e consumo controlado e acompanhado do ansiolítico.

“Minhas crises de ansiedade eram muito fortes, eu não conseguia fazer quase nada sem passar mal. O Xanax me ajudou, porém, depois que o tratamento terminou, eu quis continuar consumindo o remédio por acreditar que voltaria à estaca zero sem ele. Foi aí que conheci lojas online que o vendiam”, relatou.

Na mesma entrevista, o americano disse que batalha contra o “endeusamento” dos ‘xans’, como descreve, já que sofreu tanto contra o próprio vício. Ele diz que quando se deparou com o mercado ilegal da droga, em que o medicamento é adulterado e possui aparência diferente e colorida, decidiu usar o trabalho contra o movimento.

“É triste. Para me livrar do vício passei por momento difíceis que me fizeram criar o ‘Xanarchy’, uma espécie de movimento anti-alprazolam, para ajudar os jovens que estão na situação em que me encontrava. É algo fora do comum o que acontece com você, houve vezes em que eu tomei as pílulas e tudo foi apagado da minha cabeça”, relata. 

Como o alprazolam age no organismo e no cérebro?

O doutor em Ciências Fisiológicas e professor de Farmacologia, Thiago de Melo Costa Pereira, afirma que a sensação de “perda de memória” relatada por Lil Xan é comum após o uso desenfreado de alprazolam, induzindo o usuário à hipnose, à sonolência e até mesmo à inconsciência.

O especialista explica que os efeitos surgem em menos de uma hora depois do uso do medicamento, proporcionando forte relaxamento. Dependendo da dosagem, a percepção visual do indivíduo fica alterada, acontece a memória ‘em branco’ e o comportamento despersonalizado, o que leva a pessoa a agir como se estivesse bêbada.

Como todas as drogas tomadas por via oral, ela é absorvida pelo estômago, passando na membrana mucosa e agindo no fígado. Nesse trajeto, o BZD entra na corrente sanguínea e continua o caminho em direção ao cérebro, onde consegue “burlar” uma membrana que filtra substâncias perigosas, conhecida como barreira hematoencefálica.

“Embora essa barreira seja bastante seletiva, sua composição principal é formada por substâncias lipossolúveis, apolares ou simplesmente ‘solúveis em óleo’. Como o alprazolam possui boa miscibilidade em óleo, ele a atravessa facilmente”.

Vice-coordenadora da Comissão de Dependência Química da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), a médica Carla Bicca ressalta que os benzodiazepínicos amplificam os efeitos dos receptores GABA-A, assim como o álcool e as pílulas para dormir. Entretanto, realizam isso ao aumentar a eficácia de seu neurotransmissor, o que afeta o hipocampo, área cerebral importante para a conservação da memória. 


 Uso de alprazolam adulterado cresceu no UK

Reprodução/Twitter

Bicca afirma que o medicamento leva dias para deixar o organismo e que, se usado para fins recreativos, pode causar um desequilíbrio no cérebro. Neste estágio, ela explica, a droga se desprende dos receptores cerebrais e desencadeia quadros de dependência.

“O BZD de vida média é rapidamente absorvido pelo organismo e sua ação pode durar até 30 horas. Em idosos e crianças, o efeito pode ser paradoxal, elevando a inquietude e a insônia devido as particularidades da absorção”, aponta. 

“É importante ter em mente que sim, o alprazolam é uma droga
com grande potencial aditivo e pode ser fatal se misturada com álcool e opioides, gerando intoxicação, coma e overdose. Já no que se diz respeito às pessoas que o usam com frequência para tratamento médico, é recomendado que não parem de consumi-lo repentinamente e que procurem ajuda para evitar efeitos colaterais como convulsões e delírios”, completa a médica. 

Leia também: Droga usada para controlar ansiedade e insônia mata mais que cocaína e heroína

Os dois especialistas apontam que há uma falsa crença de que o fármaco
– que vicia mais que heroína e cocaína – não apresenta perigo e que, por isso, o uso deveria ser livre. Para reverter tal visão, ambos acreditam ser necessário que as pessoas conheçam como o “benzo” funciona, e que órgãos governamentais, sociedades médicas e farmacologistas, entre outras instituições, se unam para orientar sobre seus efeitos e riscos.

“Não devemos incentivar um tratamento que serve somente como ‘band-aid’ para os distúrbios cerebrais. Embora o alprazolam isolado seja uma substância segura, há diferentes composições sendo criadas que causam danos irreparáveis e passam ‘batidas’ pela fiscalização”, pontuam.

Jovens contam como é o uso da droga que vicia mais que heroína

Apesar da fiscalização e do requerimento de receita médica especial para adquirir o Xanax,  uma pesquisa realizada pela University of British Columbia (UBC) aponta que um novo mercado mundial nascido no Twitter e no Instagram vem permitindo o aumento de comerciantes que vendem ‘xans’ combinados com outros componentes, como o diclazepam, um análogo benzodiazepínico e funcional do diazepam usado para dores musculares.  

Procurados pela reportagem do
iG

, jovens britânicos, com faixa etária entre 14 e 22 anos, contam que “conseguir o fármaco online é muito mais fácil do que se pensa”, e que dependendo do vendedor, no momento de retirar o produto, é possível receber ‘tutoriais’ de consumo para “diminuir as chances de dependência química”.

“Eu usei alprazolam pela primeira vez durante uma festa na casa de um amigo. Me lembro de ter sentido um ‘vazio’, como se tudo o que me atormentasse sumisse. Como gostei da sensação, procurei modos para continuar usando, e encontrei contas no Instagram que vendem. Existe um Xanax vermelho chamado ‘ Devil
’, que eu sempre compro. Sei que é adulterado, mas ainda assim leva minha ‘inquietação’ embora. Um dia, pretendo parar de usar, mas, por enquanto, sinto que preciso. Sempre sofri com ansiedade, mas até hoje não procurei tratamento”, diz Kitt, de 15 anos.

Outro jovem britânico, que quis se identificar apenas como “R.D”, conta que costuma comprar o remédio falsificado pela internet ou diretamente com vendedores nas ruas. Ele diz que se preocupa com as misturas de drogas e que também sente medo de viciar, já que amigo dele se tornou uma espécie de “zumbi”, conforme descreve, por causa do uso abusivo do ansiolítico.

“Eu costumo ir às ‘festas do Xanax’, muito populares aqui no Reino Unido. Existem várias,  acontecem tanto em boates quanto nas casas de adolescentes. O consumo de ‘benzos’ é insano nesses lugares. Tenho um amigo que começou assim, como eu, e está inválido. Na verdade, não o vejo faz muito tempo. Fico preocupado de chegar a esse estágio, parecer um “zumbi” também. O ‘engraçado’ é que, quando a gente compra na rua, até consultoria de como usar acontece. Não temos garantia do que estamos colocando na boca, mas o preço é bem menor e até agora tem causado o mesmo efeito do ‘xan’ original”, alega.

À BBC
, a Pfizer, fabricante de Xanax como medicamento receitado, declarou estar “alarmada” pelo aumento de falsificações do produto. O laboratório diz ter realizado testes e identificado ácido, metais pesados e até cera para pisos em comprimidos adulterados.

O Instagram também foi questionado acerca do uso da plataforma para venda de substâncias ilegais. A empresa respondeu que “a compra e a venda de drogas são proibidas na rede social, e que removeria as contas suspeitas o mais rápido possível”.

Fiscalização de alprazolam em território nacional

No Brasil, as redes sociais não são tão utilizadas para a venda de benzodiazepínicos, mas há páginas no Facebook em que há publicações de fotos que o medicamento é visto como algo positivo, destacando a cultura propagada por rappers estrangeiros. Em comentários de uma publicação sobre o produto encontrada pela reportagem do
iG

, por exemplo, é possível ver adolescentes perguntando: “Como faço para comprar?”, “Alguém sabe em quais sites encontro?” e “Tem alguém no exterior que possa trazer para mim?”.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informa que o medicamento é vendido apenas com prescrição médica e não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), definindo a aprovação para consumo apenas para tratamentos do distúrbio de ansiedade e de transtorno de pânico.

Além disso, a reguladora pontua que, em conjunto com a Polícia Federal, faz parte do Sistema de Comunicação do Projeto ION, da Organização das Nações Unidas (ONU), plataforma dedicada à comunicação em tempo real de incidentes envolvendo substâncias psicoativas. Ou seja, recebe notificações provenientes de diversos países sobre remessas internacionais suspeitas contendo tais substâncias.

Leia também: Portugal passa a aprovar o uso da maconha para fins medicinais em todo o país

Quanto à possibilidade de aparecimento de novas substâncias de uso ilícito, como o Xanax
adulterado nos EUA e no Reino Unido, a Anvisa afirma utilizar o Sistema de Alerta Prévio da ONU ( Early Warning Advisory System
), que permite monitorar e obter informações antecipadas sobre o aparecimento e a prevalência destas drogas no mundo.                                         

O artigo Nova ‘moda’ entre jovens, uso do Xanax como droga recreativa causa mortes foi originalmente publicado em http://saude.ig.com.br/saude.ig.com.br/2018-06-19/xanax-cultura-overdose.html

Nova ‘moda’ entre jovens, uso do Xanax como droga recreativa causa mortes

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Xanax, fármaco para tratamentos de distúrbios de ansiedade está sendo usado mundialmente como droga recreativa

Reprodução/Twitter

Usado para tratar distúrbios de ansiedade, o tarja preta
Xanax tem se tornado cada vez mais popular entre jovens de 13 a 23 anos, sendo encontrado tanto em farmácias como também em festas frequentadas por menores de idade. De acordo com a apuração realizada pela VICE
internacional, na série de reportagens “Xanxiety”, o uso irresponsável do fármaco já levou muitos adolescentes à morte por overdose, principalmente no Reino Unido e nos Estados Unidos. 

Leia também: Lean: a droga à base de codeína que tem aumentado número de mortes por overdose

Um exemplo disso é o rapper norte-americano Lil Peep, que morreu em novembro do ano passado após misturar Xanax
 e Fentanil, um potente analgésico sintético. A combinação letal, segundo autoridades de saúde, caso não leve o usuário à morte, pode causar danos como dependência química, além de quadros graves de demência e depressão.

No Brasil, a intitulada “cultura do Xanax” não tem a mesma potência estrondosa que a dos países citados acima, por enquanto, porém, um recente roubo do medicamento em uma farmácia de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, e o aumento do número de páginas e hashtags dedicadas à droga no País evidenciam a crescente procura dos jovens brasileiros pelo ansiolítico, que também atua como auxiliar para tratamentos contra a insônia.

A expansão da cultura do Xanax e seus efeitos


Lil Peep faleceu por overdose de alprazolam

Reprodução/Youtube

Assim como o conhecido “lean”, uma mistura à base de codeína, prometazina, refrigerante e balas de goma, o alprazolam
é fortemente exaltado por artistas do hip-hop, que contam experiências pessoais com a droga em suas composições.

O rapper americano de 17 anos, Lil Pump, é uma figura que aparece frequentemente consumindo o fármaco benzodiazepínico ( BZD
), que tem propriedades sedativas, em sua casa e em festas luxuosas. Quando da comemoração de um milhão de seguidores no Instagram, o rapaz agradeceu o carinho dos fãs encomendando um bolo de Xanax para a ocasião.

Lil Xan, outro cantor dos EUA de 21 anos, também é lembrado pelo uso contínuo do apelidado “benzo”, inclusive já chegou a assumir que é viciado. Em entrevistas a diferentes veículos locais, o jovem relata que tudo começou porque sofre com fortes crises de ansiedade, que foram diminuídas com tratamento e consumo controlado e acompanhado do ansiolítico.

“Minhas crises de ansiedade eram muito fortes, eu não conseguia fazer quase nada sem passar mal. O Xanax me ajudou, porém, depois que o tratamento terminou, eu quis continuar consumindo o remédio por acreditar que voltaria à estaca zero sem ele. Foi aí que conheci lojas online que o vendiam”, relatou.

Na mesma entrevista, o americano disse que batalha contra o “endeusamento” dos ‘xans’, como descreve, já que sofreu tanto contra o próprio vício. Ele diz que quando se deparou com o mercado ilegal da droga, em que o medicamento é adulterado e possui aparência diferente e colorida, decidiu usar o trabalho contra o movimento.

“É triste. Para me livrar do vício passei por momento difíceis que me fizeram criar o ‘Xanarchy’, uma espécie de movimento anti-alprazolam, para ajudar os jovens que estão na situação em que me encontrava. É algo fora do comum o que acontece com você, houve vezes em que eu tomei as pílulas e tudo foi apagado da minha cabeça”, relata. 

Como o alprazolam age no organismo e no cérebro?

O doutor em Ciências Fisiológicas e professor de Farmacologia, Thiago de Melo Costa Pereira, afirma que a sensação de “perda de memória” relatada por Lil Xan é comum após o uso desenfreado de alprazolam, induzindo o usuário à hipnose, à sonolência e até mesmo à inconsciência.

O especialista explica que os efeitos surgem em menos de uma hora depois do uso do medicamento, proporcionando forte relaxamento. Dependendo da dosagem, a percepção visual do indivíduo fica alterada, acontece a memória ‘em branco’ e o comportamento despersonalizado, o que leva a pessoa a agir como se estivesse bêbada.

Como todas as drogas tomadas por via oral, ela é absorvida pelo estômago, passando na membrana mucosa e agindo no fígado. Nesse trajeto, o BZD entra na corrente sanguínea e continua o caminho em direção ao cérebro, onde consegue “burlar” uma membrana que filtra substâncias perigosas, conhecida como barreira hematoencefálica.

“Embora essa barreira seja bastante seletiva, sua composição principal é formada por substâncias lipossolúveis, apolares ou simplesmente ‘solúveis em óleo’. Como o alprazolam possui boa miscibilidade em óleo, ele a atravessa facilmente”.

Vice-coordenadora da Comissão de Dependência Química da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), a médica Carla Bicca ressalta que os benzodiazepínicos amplificam os efeitos dos receptores GABA-A, assim como o álcool e as pílulas para dormir. Entretanto, realizam isso ao aumentar a eficácia de seu neurotransmissor, o que afeta o hipocampo, área cerebral importante para a conservação da memória. 


 Uso de alprazolam adulterado cresceu no UK

Reprodução/Twitter

Bicca afirma que o medicamento leva dias para deixar o organismo e que, se usado para fins recreativos, pode causar um desequilíbrio no cérebro. Neste estágio, ela explica, a droga se desprende dos receptores cerebrais e desencadeia quadros de dependência.

“O BZD de vida média é rapidamente absorvido pelo organismo e sua ação pode durar até 30 horas. Em idosos e crianças, o efeito pode ser paradoxal, elevando a inquietude e a insônia devido as particularidades da absorção”, aponta. 

“É importante ter em mente que sim, o alprazolam é uma droga
com grande potencial aditivo e pode ser fatal se misturada com álcool e opioides, gerando intoxicação, coma e overdose. Já no que se diz respeito às pessoas que o usam com frequência para tratamento médico, é recomendado que não parem de consumi-lo repentinamente e que procurem ajuda para evitar efeitos colaterais como convulsões e delírios”, completa a médica. 

Leia também: Droga usada para controlar ansiedade e insônia mata mais que cocaína e heroína

Os dois especialistas apontam que há uma falsa crença de que o fármaco
– que vicia mais que heroína e cocaína – não apresenta perigo e que, por isso, o uso deveria ser livre. Para reverter tal visão, ambos acreditam ser necessário que as pessoas conheçam como o “benzo” funciona, e que órgãos governamentais, sociedades médicas e farmacologistas, entre outras instituições, se unam para orientar sobre seus efeitos e riscos.

“Não devemos incentivar um tratamento que serve somente como ‘band-aid’ para os distúrbios cerebrais. Embora o alprazolam isolado seja uma substância segura, há diferentes composições sendo criadas que causam danos irreparáveis e passam ‘batidas’ pela fiscalização”, pontuam.

Jovens contam como é o uso da droga que vicia mais que heroína

Apesar da fiscalização e do requerimento de receita médica especial para adquirir o Xanax,  uma pesquisa realizada pela University of British Columbia (UBC) aponta que um novo mercado mundial nascido no Twitter e no Instagram vem permitindo o aumento de comerciantes que vendem ‘xans’ combinados com outros componentes, como o diclazepam, um análogo benzodiazepínico e funcional do diazepam usado para dores musculares.  

Procurados pela reportagem do
iG

, jovens britânicos, com faixa etária entre 14 e 22 anos, contam que “conseguir o fármaco online é muito mais fácil do que se pensa”, e que dependendo do vendedor, no momento de retirar o produto, é possível receber ‘tutoriais’ de consumo para “diminuir as chances de dependência química”.

“Eu usei alprazolam pela primeira vez durante uma festa na casa de um amigo. Me lembro de ter sentido um ‘vazio’, como se tudo o que me atormentasse sumisse. Como gostei da sensação, procurei modos para continuar usando, e encontrei contas no Instagram que vendem. Existe um Xanax vermelho chamado ‘ Devil
’, que eu sempre compro. Sei que é adulterado, mas ainda assim leva minha ‘inquietação’ embora. Um dia, pretendo parar de usar, mas, por enquanto, sinto que preciso. Sempre sofri com ansiedade, mas até hoje não procurei tratamento”, diz Kitt, de 15 anos.

Outro jovem britânico, que quis se identificar apenas como “R.D”, conta que costuma comprar o remédio falsificado pela internet ou diretamente com vendedores nas ruas. Ele diz que se preocupa com as misturas de drogas e que também sente medo de viciar, já que amigo dele se tornou uma espécie de “zumbi”, conforme descreve, por causa do uso abusivo do ansiolítico.

“Eu costumo ir às ‘festas do Xanax’, muito populares aqui no Reino Unido. Existem várias,  acontecem tanto em boates quanto nas casas de adolescentes. O consumo de ‘benzos’ é insano nesses lugares. Tenho um amigo que começou assim, como eu, e está inválido. Na verdade, não o vejo faz muito tempo. Fico preocupado de chegar a esse estágio, parecer um “zumbi” também. O ‘engraçado’ é que, quando a gente compra na rua, até consultoria de como usar acontece. Não temos garantia do que estamos colocando na boca, mas o preço é bem menor e até agora tem causado o mesmo efeito do ‘xan’ original”, alega.

À BBC
, a Pfizer, fabricante de Xanax como medicamento receitado, declarou estar “alarmada” pelo aumento de falsificações do produto. O laboratório diz ter realizado testes e identificado ácido, metais pesados e até cera para pisos em comprimidos adulterados.

O Instagram também foi questionado acerca do uso da plataforma para venda de substâncias ilegais. A empresa respondeu que “a compra e a venda de drogas são proibidas na rede social, e que removeria as contas suspeitas o mais rápido possível”.

Fiscalização de alprazolam em território nacional

No Brasil, as redes sociais não são tão utilizadas para a venda de benzodiazepínicos, mas há páginas no Facebook em que há publicações de fotos que o medicamento é visto como algo positivo, destacando a cultura propagada por rappers estrangeiros. Em comentários de uma publicação sobre o produto encontrada pela reportagem do
iG

, por exemplo, é possível ver adolescentes perguntando: “Como faço para comprar?”, “Alguém sabe em quais sites encontro?” e “Tem alguém no exterior que possa trazer para mim?”.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informa que o medicamento é vendido apenas com prescrição médica e não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), definindo a aprovação para consumo apenas para tratamentos do distúrbio de ansiedade e de transtorno de pânico.

Além disso, a reguladora pontua que, em conjunto com a Polícia Federal, faz parte do Sistema de Comunicação do Projeto ION, da Organização das Nações Unidas (ONU), plataforma dedicada à comunicação em tempo real de incidentes envolvendo substâncias psicoativas. Ou seja, recebe notificações provenientes de diversos países sobre remessas internacionais suspeitas contendo tais substâncias.

Leia também: Portugal passa a aprovar o uso da maconha para fins medicinais em todo o país

Quanto à possibilidade de aparecimento de novas substâncias de uso ilícito, como o Xanax
adulterado nos EUA e no Reino Unido, a Anvisa afirma utilizar o Sistema de Alerta Prévio da ONU ( Early Warning Advisory System
), que permite monitorar e obter informações antecipadas sobre o aparecimento e a prevalência destas drogas no mundo.                                         

O artigo Nova ‘moda’ entre jovens, uso do Xanax como droga recreativa causa mortes foi originalmente publicado em http://saude.ig.com.br/saude.ig.com.br/2018-06-19/xanax-cultura-overdose.html

Vacinação contra febre amarela será ampliada para 190 cidades em São Paulo

Veja a matéria completa sobre Vacinação contra febre amarela será ampliada para 190 cidades em São Paulo e fique por dentro de como cuidar da sua saúde.


Vacina contra febre amarela passará a ser administrada em todas as cidades de São Paulo

Rovena Rosa/Agência Brasil

A partir desta segunda-feira (18) 190 cidades do Estado de São Paulo serão incluídas no mapa de recomendação de imunização contra a febre amarela. A informação é da Secretaria Estadual da Saúde, que vai ampliar a vacinação para municípios do Grande ABC, Vale do Paraíba e Baixada Santista.

Leia também: Campanha de vacinação contra febre amarela será estendida até dia 30 em SP

Segundo a pasta, essas cidades receberão a vacina contra febre amarela
fracionada. Com a ampliação, todas as cidades paulistas oferecerão a vacina.

Nos últimos meses, a média mensal de casos diminuiu 75%, de acordo com o balanço de maio. No entanto, a ocorrência de mortes e adoecimento de macacos recente mostra que o vírus ainda circula no estado de São Paulo.

Com a chegada das férias escolares, o alerta para quem ainda não se vacinou e pretende viajar foi reforçado. A vacina deve ser tomada com dez dias de antecedência para a total proteção.

A secretaria anunciou que entre 14 de maio e 15 de junho, foram registrados 36 casos e 19 óbitos por febre amarela. Desde janeiro de 2017, foram confirmados 561 casos autóctones de febre amarela silvestre, sendo que 214 resultaram em óbito.

A maior parte dos casos foi contraída em Mairiporã (31,5%) e em Atibaia (10,2%), cidades que tiveram campanha de vacinação
intensificada em 2017.

Desde julho do ano passado, foram confirmados 760 macacos infectados pela doença. As regiões com maior concentração foram a Grande São Paulo (47%) e Campinas (33%). Em 2018, 7,5 milhões de pessoas foram vacinadas no estado, número que supera as doses aplicadas em 2017, quando 7,4 milhões de pessoas receberam a imunização. Entre 2006 e 2016, 7 milhões de pessoas foram vacinadas.

De acordo com a secretaria, desde o ano passado, 23 milhões de doses foram enviadas para os postos de saúde paulistas, sendo 55% desse total somente nos cinco primeiros meses deste ano.

Leia também: OMS recomenda vacina da febre amarela para estrangeiros que vão para o Sul

Tira-dúvidas


Vacina contra febre amarela protege 90% dos vacinados no 10º dia e mais de 99% após quatro semanas da administração da dose

Rovena Rosa/Agência Brasil 25.01.2018

  • A vacina é segura?

Sim. Ela estimula a produção de uma reposta imune que constitui a defesa necessária contra a febre amarela com detecção de anticorpos neutralizantes em 90% dos vacinados já no 10º dia e em mais de 99% após quatro semanas da vacinação.

  • Quem deve se vacinar?

Receberão a vacina crianças a partir de 9 meses de idade até adultos com 59 anos de idade. Pessoas com 60 anos de idade ou mais só devem receber a dose se residirem ou forem se deslocar para áreas com transmissão ativa da doença.

Pessoas deste grupo etário deverão ser avaliadas antes da realização da vacinação. Gestantes (em qualquer idade gestacional) e mulheres amamentando só devem ser vacinadas se residirem em local próximo ao que ocorreu a confirmação de circulação do vírus (presença da doença em animais, em humanos e presença de vetores na área afetada).

Mulheres que estiverem amamentando, caso tenham que ser vacinadas, recomenda-se suspender o aleitamento materno por 10 dias após a vacinação, nos casos de lactentes menores de 6 meses de idade. A idade mínima para vacinação fica sendo a de 9 meses de idade.

“Enfatizamos que, de acordo com as novas recomendações, as pessoas que já receberam uma dose da vacina anteriormente são consideradas vacinadas, não havendo necessidade de novas doses”, informa a SBD-A.

  • Quem não pode se vacinar?

– Pessoas com histórico de reação anafilática – reação alérgica grave e imediata -, relacionada a substâncias presentes na vacina, como ovo de galinha e seus derivados, gelatina bovina, etc; 

– Bebês com idade abaixo de 6 meses;

– Pessoas com doenças que comprometam a imunidade, como infecção por HIV sintomática, disfunções do timo associadas com função imune alterada, Imunodeficiências primárias, câncer, pacientes em terapêutica imunodepressora: quimioterapia, radioterapia, corticóide em doses elevadas.  

  • Quais são os efeitos colaterais da vacina?

A SBD-A alerta que é possível perceber que em 4% dos adultos observam-se efeitos como dores no local da aplicação, com duração de um ou dois dias, geralmente de intensidade leve a moderada. Manifestações como febre, dor de cabeça e muscular também são raras, apenas 4% dos vacinados pela primeira vez e menos de 2% para quem toma a segunda dose.

  • Quanto tempo demora para fazer efeito?

O Ministério da Saúde recomenda que a vacina seja administrada pelo menos 10 dias antes do deslocamento para áreas de risco, principalmente, para os indivíduos que são vacinados pela primeira vez.

  • Qual a diferença entre dose fracionada e dose padrão?

O Ministério da Saúde afirmou que a dose fracionada tem mostrado a mesma proteção que a dose padrão. Segundo a pasta, a única diferença está no volume: a dose padrão tem 0,5 Ml, enquanto a dose fracionada tem 0,1 Ml. É isso que faz com que o tempo de duração da proteção seja diferente.

Atualmente, o Ministério da Saúde utiliza a dose padrão da vacina de febre amarela. Porém, em alguns estados serão adotadas as doses fracionadas, que representam 1/5 da dose padrão. Um frasco com 5 doses da vacina de febre amarela, por exemplo, pode vacinar 25 pessoas e um frasco com 10 doses pode vacinar 50 pessoas.

No início de janeiro deste ano o Ministério da Saúde anunciou que 75 municípios de São Paulo, do Rio de Janeiro e da Bahia irão adotar campanhas de vacinação contra a febre amarela com doses fracionadas . A decisão, segundo o ministro da Saúde, Ricardo Barros, foi tomada mediante recomendação e autorização da Organização Mundial da Saúde (OMS).

  • Por quanto tempo a vacina fracionada protege? E a dose padrão?

A dose padrão protege por toda a vida, enquanto a dose fracionada protege por pelo menos oito anos, segundo estudo realizado pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Biomanguinhos/Fiocruz).

  • Quem já tomou a vacina contra a febre amarela deve se vacinar novamente?

Não. Uma dose já é o suficiente para proteger por toda a vida. Mesmo quem tomou uma dose há mais de dez anos e foi orientado a tomar uma dose de reforço depois desse período.

O Ministério da Saúde esclarece que desde abril de 2017, o Brasil adota o esquema vacinal de apenas uma dose durante toda a vida, medida que está de acordo com as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Apenas crianças de 9 meses a 5 anos de idade que já receberam a dose devem receber o reforço após os 5 anos.

  • Além da vacina, quais outras formas de evitar a febre amarela?

Existem algumas condutas que podem e devem ser adotadas pela população para se proteger, como o uso de repelentes, mosquiteiros e roupas de mangas compridas que são métodos relevantes e eficazes para controlar a proliferação da febre amarela.

Em relação aos repelentes, produtos contendo DEET, Icaridina ou IR3535 oferecem proteção contra picadas de mosquitos incluindo o Aedes aegypti, com eficácia e duração de ação variadas e indicações específicas contra febre amarela
.

Leia também: Agentes investigam origem do surto de toxoplasmose no Rio Grande do Sul

O artigo Vacinação contra febre amarela será ampliada para 190 cidades em São Paulo foi originalmente publicado em http://saude.ig.com.br/saude.ig.com.br/minhasaude/2018-06-18/febre-amarela-ampliacao-vacinacao.html