“Verão 90” foi o antídoto perfeito para os tempos sombrios em que vivemos

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“Verão 90” foi o antídoto perfeito para os tempos sombrios em que vivemos

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É comum lembrarmos do passado com um carinho que dificilmente conseguimos compartilhar com o presente. Acho que é isso que chamam de nostalgia, mas não sou um especialista. A novela “Verão 90” foi extremamente generosa ao contar uma história de quase 30 anos atrás com uma saudade que só conseguimos ter daquilo que já não lembramos muito bem como era.

As tintas neón com que as autoras Izabel de Oliveira e Paula Amaral pintaram os tempos de inflação galopante, plano Collor e pochetes foram de uma presença de espírito fascinante. Acabou por funcionar como um antídoto para os tempos sombrios em que vivemos.

E não por conta da suposta maravilha cósmica que foram aqueles anos. Que nada! Já vivíamos na Era do Perrengue, mas parecida com uma versão idílica se comparada com o que temos atualmente. De qualquer forma, deu para lembrar que sempre seremos capazes de tentar amar e nos divertir, independente do caos que nos cerca.

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A grade noturna da Globo atualmente é porrada atrás de porrada. “Malhação” discute temas sociais cascudíssimos. Na sequência, “Órfãos da Terra” fala de refugiados, perseguições e paranoia. Para dar uma respirada, as tragédias da sua região no jornal local. Pouco depois, encaramos as piores novidades do Brasil e do mundo no “Jornal Nacional” e o triunfo da burrice como status quo em “A Dona do Pedaço”.

Desta feita, é possível dizer que “Verão 90” foi um raro exemplar diversão leve, descompromissada, como a TV oferecia com frequência em outros tempos. Hoje tudo precisa ter uma certa noção de auto-importância, carregando a gravidade de denunciar algo ou desnudar novas impressões sobre a realidade que nos cerca.

Não deixa de ser um ato de resistência política: pelo direito à alienação pura e simples, com Claudia Raia fazendo caras e bocas, Isabelle Drummond em um papel ainda mais bobinho (e adorável!) que a Emília do Sítio, Jesuíta Barbosa testando os limites da falta de expressão, além de referências noventistas tão óbvias que alimentam nossa alma com o conforto e a familiaridade de um prato de arroz com feijão.

O grande Maurício Stycer condenou a produção por ser primária, boba e esquecível. São justamente os adjetivos que eu escolheria para elencar as melhores características de “Verão 90”.

Voltamos a qualquer momento com novas informações.

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“Verão 90” foi o antídoto perfeito para os tempos sombrios em que vivemos

foi originalmente publicado em http://chicobarney.blogosfera.uol.com.br/2019/07/25/verao-90-foi-o-antidoto-perfeito-para-os-tempos-sombrios-em-que-vivemos/

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