Série com papa severo e defensor do sexo livre é "realista", diz diretor

Veja, Série com papa severo e defensor do sexo livre é "realista", diz diretor confira também tudo o que acontece no BBB13.

  • Gianni Fiorito/Divulgação

    Jude Law interpreta Lenny Belardo, o papa Pio 13, na série "The Young Pope"

    Jude Law interpreta Lenny Belardo, o papa Pio 13, na série “The Young Pope”

Imagine que o novo papa fosse norte-americano, jovem e bonitão. Que em sua primeira aparição pública, gesticulasse como Mussolini, mas defendesse o aborto, a masturbação, o casamento gay e o sexo por prazer. Pois é algo assim que aparece logo em uma das primeiras cenas da série televisiva “The Young Pope” [o jovem papa], cujos dois primeiros episódios tiveram première mundial na manhã deste sábado (3), no Festival de Veneza.

Agora imagine a primeira homilia de um papa soturno, que dá bronca nos fiéis, recusa-se a ter o rosto fotografado e que prega servidão total a Deus. Pois a cena também está na série. O papa liberal e expansivo da primeira coexiste com o severo e radical da segunda; são aspectos da mesma personalidade contraditória, oscilante, atormentada de Lenny Belardo – ou Pio 13, pontífice fictício vivido por Jude Law na série da HBO.

O personagem foi criado pela mente sempre inventiva e controversa do cineasta italiano Paolo Sorrentino (vencedor do Oscar de filme em língua estrangeira por “A Grande Beleza”), que também dirige a atração. Lenny chega ao pontificado como parte da estratégia de grupos clericais que pretendiam utilizar um papa jovem e desconhecido como fantoche para suas decisões nos bastidores. Mas o jovem escolhido é tudo, menos manipulável. Ao contrário: é de uma esperteza assombrosa.

E tem o comportamento que menos se esperaria de um líder religioso. Fuma muito, desrespeita regras seculares do Vaticano e, em certo momento, não se mostra convicto da própria crença em Deus. Mas ele acredita – ou melhor: sabe – que informação é poder, e por isso procura conhecer tudo sobre seus oponentes para poder jogar de igual para igual na alta esfera vaticana.

Muito aplaudido pela imprensa (majoritariamente italiana), Sorrentino falou aos jornalistas sobre a produção. Foi logo indagado se acha que a Igreja Católica vai receber mal a série. “Isso é um problema do Vaticano”, respondeu o diretor. “Na verdade, não é um ‘problema’: se eles assistirem até o fim verão que não há vontade nenhuma de mostrar intolerância [à Igreja], mas apenas de investigar as contradições e dificuldades por que passam padres, freiras… E o próprio Papa”.

Nos primeiros capítulos, o Pio 13 de Law avança e recua em vários comportamentos; não dá para saber se, com a progressão da série, fará um papado reacionário ou progressista. Sorrentino não quis antecipar qual vertente o personagem deve seguir.

Disse que a ideia de seu papa não largar o cigarro veio quando soube que o antigo, Bento 16, fumava muito. Mas evita comparações com pontífices verdadeiros. “Nosso papa é diferente do atual [Francisco]. Mas é um papa realista – é bem possível que, um dia, algum homem como ele chegue ao topo da Igreja Católica”, disse.

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