Politicamente incorreta, "A Praça É Nossa" é a coisa mais subversiva da TV

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Carlos Alberto reage ao humor de Gogó (Foto: Reprodução)

Muitos brasileiros sentem saudades do humor classificado como politicamente incorreto, republicando vídeos antigos dos “Trapalhões” ou da “Escolinha do Professor Raimundo” e lamentando pela impossibilidade de ver algo parecido na televisão de hoje. “A primeira piada do Costinha provavelmente tiraria a emissora do ar”, já vi argumentarem por aí.

Pois estes livre-pensadores não estão sintonizando o suficiente na tela do SBT. Enquanto boa parte da sociedade civil está procurando rever suas atitudes e replanejar um futuro mais igualitário e justo para todos, “A Praça É Nossa” comete a subversão de permanecer imóvel. Trata-se do mesmíssimo programa de 30 anos atrás.

Como diz o bordão de Paulinho do Gogó, uma das principais estrelas do humorístico, “quem não tem dinheiro, conta história”. Sem muita grana para investir na produção, o esquema continua aquele de sempre: Carlos Alberto de Nóbrega sentado no seu velho e querido banco recebe figuras pitorescas vividas por comediantes em ascensão, figurantes de carreira ou astros como o supracitado personagem de Maurício Manfrini e o popular Matheus Ceará.

Se o formato não mudou muito, o que comprova a genialidade do conceito, podemos dizer a mesma coisa do conteúdo –e talvez sem chegar a conclusões tão alvissareiras. Entre piadas quase infantis de tão bobas, passando por bicudas em vespeiros que dariam trabalho para a assessoria de imprensa do Silvio Santos caso jovens ativistas se importassem de ligar no SBT durante a exibição do programa.

Paulinho Gogó fala as maiores atrocidades de um jeito encantador. Dou gostosas risadas com esse que considero um dos maiores storytellers do showbiz brasileiro deste século. As crônicas do Brasil profundo que ele apresentou ontem formam um emaranhado de gracejos que dificilmente teriam graça na boca do seu vizinho, talvez até motivassem voz de prisão em determinadas rodas, mas garantem boas risadas para o público cativo da “Praça”.

Os limites do humor: um debate em constante evolução (Foto: Reprodução)

Gogó sempre começa na maior tranquilidade. Comédia que poderia figurar em um gibi do Pato Donald, caso eles ainda fossem publicados no Brasil. É a trama sobre um relacionamento mal sucedido: “ela terminou comigo, disse que eu sou muito infantil. Só de raiva, toquei a campainha dela e saí correndo várias vezes.” Parece besta, e é mesmo. Mas tente ouvir Paulinho contando essa história. Hilário!

A aventura seguinte é uma festa para os saudosos do humor politicamente incorreto. E talvez para os advogados, também. Tudo tem início de maneira pueril, como é costume. “Tu me acha bonitinho, Carlos Alberto? Eu já fui muito feio. Eu era tão feio que de perto eu era feio. E de longe, parecia que eu tava perto.”

Logo a narrativa passa para um encontro com uma “bichinha” com “priapismo no olho” no ponto de ônibus, pedindo para “segurar o maçarico” de Paulinho Gogó durante 10 minutos para especular qual seria sua idade verdadeira. E termina com patoladas bicuriosas em locais públicos. É difícil de explicar, e eu não ousaria repetir aquelas palavras por aqui.

Para encerrar, o comunicativo transeunte resolve contar para Carlos Alberto que conheceu uma nova pretendente.”Arranjei uma situação pra mim. Pensei ‘vou largar um pingo de solda”‘, comenta com um brilho no olhar. Quando chega na casa da moça, descobre que ela é virgem e não pretende levar qualquer intimidade adiante. Ao pedir que a senhorita seja “benevolente”, refere-se a determinada troca de carinhos como “remoção de tártaro”. O desfecho é muito engraçado, embora talvez também seja um crime.

O teor do material é muito próximo do que Donald Trump chamaria de “locker room talk”, a chamada conversa de vestiário. Será que devemos problematizar “A Praça É Nossa” ou deixá-la como está, em um limbo entre a popularidade e a irrelevância que é um dos maiores fenômenos midiáticos dos nossos tempos? Por via das dúvidas, deixo a seguir alguns links do Paulinho Gogó.

Voltamos a qualquer momento com novas informações.

O artigo Politicamente incorreta, "A Praça É Nossa" é a coisa mais subversiva da TV foi originalmente publicado em http://chicobarney.blogosfera.uol.com.br/2018/08/17/politicamente-incorreta-praca-e-a-coisa-mais-subversiva-da-tv/

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