Como explicar os gays da novela das 6 para os filhos? A novela explica!

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Juliano Laham e Pedro Henrique Müller (foto: reprodução)

Vamos falar de homossexualidade na novela das seis. Sim, “Orgulho e Paixão“, uma trama romântica, de época, em um horário livre, logo, visado. Mas não precisa tirar os filhos da sala para ver a novela. “Orgulho e Paixão” é a primeira do horário com uma trama romântica envolvendo gays. E tratando o assunto de forma que qualquer criança possa compreender – o sentimento entre duas pessoas do mesmo sexo –  sem apelação ou a pretensão de ser didática ou levantar bandeira.

Talvez a temporada “Viva a Diferença” da Malhação (2017-2018) tenha sido a primeira da novelinha a abordar o tema abertamente e sem melindres ou didatismo. Ou pelo menos a que melhor tocou no assunto. O ápice foi o beijo entre duas garotas. A atração avançou na abordagem e abriu um precedente para que outras produções fossem pelo mesmo caminho.

Nunca antes os dilemas da homossexualidade foram trabalhados de maneira tão eficaz em uma novela das seis quanto agora, em “Orgulho e Paixão“. Na trama, o jovem Luccino (Juliano Laham), de uma família de simples camponeses, em uma cidadezinha do interior, na década de 1910, sente-se atraído e desperta para a paixão pelo militar Otávio (Pedro Henrique Müller), que corresponde aos seus sentimentos.

Sagaz, o autor Marcos Bernstein inseriu com cuidado a trama em sua novela. Primeiro ele esperou o tempo certo para o público amadurecer a ideia: depois de meses da novela no ar, já com audiência estabelecida. Segundo fez o público gostar dos personagens. Otávio, a princípio, tinha um viés cômico ou estava envolvido em situações cômicas. Era um personagem pequeno, mas agradável.

Pedro Henrique Müller e Juliano Laham (foto: reprodução)

Já Luccino foi apresentado desde o início como um rapaz de boa índole, trabalhador, bom filho e bom irmão. Um personagem “do bem”. Sua trajetória foi elaborada de modo a que o público acompanhasse com ele a descoberta de seus sentimentos. Primeiro por Mário, em quem Mariana (Chandelly Braz) se travestia. Depois por Otávio. Outro acerto foi a escolha dos atores, pouco conhecidos do grande público e muito bem nos papeis.

Além do texto meticuloso de Bernstein, a produção prima pelo bom gosto da direção (Fred Mayrink e equipe). Foi bonita e cuidadosa toda a sequência do jantar na casa de Luccino, quando o pai Gaetano (Jairo Mattos) flagra o filho no quarto em um quase beijo com Otávio e, por isso, o expulsa de casa. Texto, direção e elenco na medida certa.

Já critiquei a atemporalidade do texto de “Orgulho e Paixão“, em que os personagens, de época, pensam com a cabeça de 2018 (leia AQUI). No caso dos gays da novela, a trama se limita a mostrar os sentimentos dos personagens e seus dramas. Eles vivem os dilemas e renúncias comuns a todos os homossexuais, de todas as épocas – ainda que alguns amigos de Luccino e Otávio aceitem tudo com uma naturalidade bastante contemporânea.

O horário das 18h de novelas é o mais tradicional da TV, haja vista seu público alvo, na maioria donas de casa, crianças e adolescentes. Com bom gosto e cuidado, tateando para não ferir os mais sensíveis ao tema, a novela explica, sem ser didática, por meio de uma trama bem conduzida, romântica e atraente. Com “Orgulho e Paixão“, a Globo quebra mais um tabu de sua programação e avança na discussão. Aguardemos o beijo.

AQUI tem tudo sobre “Orgulho e Paixão“: trama, elenco, personagens, trilha sonora, curiosidades.

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