Atemporalidade ou descuido? Orgulho e Paixão podia se passar na atualidade

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As irmãs Benedito rindo da piadinha do “sabe o Mário?” (foto: reprodução)

Lembra quando eu dizia que “O Outro Lado do Paraíso” era uma novela contemporânea que podia ser ambientada nos anos 30 ou 40? – por causa da trama e das atitudes e ideias dos personagens. Com a atual novela das seis, “Orgulho e Paixão“, acontece o mesmo, só que ao contrário. Trata-se de uma novela de época (década de 1910) que poderia se passar nos tempos atuais. Essa constatação não é uma crítica, tampouco deprecia a obra. Mas a atemporalidade – principalmente nas atitudes e falas de alguns personagens – às vezes destoa do conjunto, que é de época.

Já deu para perceber que as irmãs Benedito são bem avançadas e à frente de seu tempo. É compreensível, e condizente com a época, o desejo de Mariana (Chandelly Braz) de participar de um esporte então exclusivo a homens. Já a doidivanas Lídia (Bruna Griphão) é um tipo atemporal. Porém, muitos dos discursos de Elisabeta (Nathalia Dill) ultrapassam tudo o que se espera de uma mulher da década de 1910 considerada “à frente de seu tempo”. Não querendo contemporizar até quando poderia avançar o pensamento de uma moça daquela época, mas já o fazendo: uma personagem à frente de 1910 pensaria até 1940, 1950… mas com a cabeça dos anos 2010?

Não é um julgamento, mas apenas um ponto para reflexão. Uma obra de época pode dialogar com a atualidade e refletir ou discutir os problemas atuais. Considerando isso, mantemos essa característica de Elisabeta como válida.

Sem a pretensão de julgar a liberdade sexual dessas moças do início do século passado, entretanto considerando a moral da época, soa estranho que vários pares sem serem oficialmente casados travem diálogos sozinhos em um quarto, como se naquele tempo fosse a coisa mais normal e aceitável.

Há ainda falas de alguns personagens com frases ou expressões aplicáveis somente aos dias de hoje.  Ou posteriores à época da novela. Há algumas semanas, Lady Margareth (Natália do Valle), ao se referir aos brasileiros, falou em “complexo de vira-lata“, expressão criada décadas depois por Nelson Rodrigues. No capítulo do último sábado, Mariana fez a piadoca do “sabe o Mário?” (sim, esse mesmo que você pensou!) com direito a risadinhas – um chiste totalmente fora do contexto da novela.

São esses pequenos detalhes – ou descuidos? – que levam a imaginar “Orgulho e Paixão” na atualidade: bastava trocar os cenários e figurinos e incluir computadores, tablets, smartphones…

AQUI tem tudo sobre “Orgulho e Paixão“: trama, elenco, personagens, curiosidades.

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