"A EBC sofre e está ameaçada", diz Ricardo Melo após voltar à presidência

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  • Juca Varella/Agência Brasil

    Ricardo Melo, diretor-presidente da EBC

    Ricardo Melo, diretor-presidente da EBC

O jornalista Ricardo Melo ficou menos de um dia fora do comando da EBC (Empresa Brasil de Comunicação). Nesta sexta-feira (2), o governo publicou sua exoneração no Diário Oficial da União, a defesa do jornalista recorreu ao STF (Supremo Tribunal Federal) e o próprio governo recuou da decisão após decreto do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, que exerce a Presidência da República interinamente no lugar de Michel Temer.

Ao UOL, Ricardo Melo diz que a nova manobra do governo afronta a EBC e o STF: “Recebi a notícia com serenidade, porque acho que a decisão tomada pelo governo, tanto em relação à medida provisória quanto ao meu afastamento, é completamente fora de propósito. É um ataque frontal à comunicação pública e ao Supremo Tribunal Federal. À comunicação pública porque a medida provisória transforma a EBC em uma agência governamental ao acabar, por exemplo, com o conselho curador”.

Ricardo Melo assumiu a presidência da EBC em 3 de maio, por indicação de Dilma. Após o afastamento da presidente pelo Senado, Michel Temer assumiu o governo em caráter interino e exonerou o jornalista duas semanas depois. Além disso, indicou Laerte Rímoli para a função de diretor-presidente. Em 2 de junho, Melo reassumiu o comando por uma liminar.

“Nunca temi perder o cargo. Não é um problema de cargo. Sou jornalista que tem algum reconhecimento e uma trajetória relativamente conhecida. A questão não é o cargo, é o objetivo da empresa, a defesa da comunicação pública. Mas, durante esse período, sempre houve essa ameaça. Saiu uma medida provisória para descaracterizar a EBC como um instrumento da comunicação pública no Brasil. Sempre trabalhamos com esse espectro nos rondando”, afirma.

Déficit e fim de contratos

O retorno de Melo à presidência da EBC é provisório. O jornalista espera o julgamento do pleno do STF para cumprir seu mandato integralmente, até 2020. A defesa acredita que a manobra do governo beneficiará Melo na decisão final.

Como diretor-presidente, Melo terá dois desafios: sanar as dívidas da EBC e reconstituir o conselho curador. A empresa, segundo ele, sofre com a verba retida pelo governo e está ameaçada com o fim da participação da sociedade nas emissoras públicas.

“Estamos sofrendo processo de assepsia financeira. Temos R$ 2 bilhões em juízo, recolhidos para contribuição para fomento da radiodifusão pública, objeto de recurso das operadoras. Além desses R$ 2 bilhões que estão tramitando na Justiça, temos R$ 840 milhões de posse do governo, que não libera esse dinheiro para a EBC como deveria ter sido liberado, que é um dinheiro recolhido junto àquelas operadoras que não entraram com recurso. A EBC tem sofrido com esse processo de liberação de verbas a conta-gotas”, reclama.

O artigo "A EBC sofre e está ameaçada", diz Ricardo Melo após voltar à presidência foi originalmente publicado em http://tvefamosos.uol.com.br/noticias/redacao/2016/09/02/a-ebc-tem-sofrido-diz-ricardo-melo-apos-voltar-a-presidencia.htm

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