Venezuelana está internada com meningite em Roraima; estado é grave

Veja a matéria completa sobre Venezuelana está internada com meningite em Roraima; estado é grave e fique por dentro de como cuidar da sua saúde.


Reprodução em 3D de meningococos, bactérias responsáveis por causar meningite

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Foi registrado, nesta semana, um caso de meningite em Roraima. Uma mulher venezuelana de 32 anos foi internada no Hospital Geral de Roraima, em Boa Vista, com diagnóstico de meningite bacteriana. De acordo com a Secretaria de Saúde do estado, a paciente, da cidade de Santa Helena de Uairén, procurou a unidade de saúde no último sábado (7).

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Este é o nono caso confirmado de meningite em Roraima
. “O caso é isolado e não há risco de contágio da doença. A paciente está internada na UTI [unidade de terapia intensiva], respira com ajuda de aparelhos e está sendo medicada com antibióticos”, informou a pasta por meio de comunicado. O estado de saúde dela é considerado grave”, informou a pasta por meio de comunicado.

A doença, segundo a secretaria, foi desenvolvida a partir de uma infecção no ouvido que acabou afetando o sistema nervoso, causando a meningite. Em entrevista coletiva, o médico infectologista Mauro Asato, coordenador da UTI do hospital, destacou que não se trata de meningite meningocócica e, portanto, não há risco de transmissão.

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Casos suspeitos de meningite em Roraima

De acordo com o Núcleo de Controle da Coqueluche, Meningite e Difteria de Roraima, até junho, foram notificados oito casos suspeitos de meningite
no estado. Destes, três foram confirmados, quatro foram descartados e um ainda está sob investigação.

Em 2017, foram notificados 36 casos suspeitos de meningite no estado. Destes, 23 foram confirmados – dois em venezuelanos. Já em 2016, foram notificados 51 casos suspeitos de meningite. Destes, 14 foram confirmados, sendo três em venezuelanos.

Sarampo na região

O estado também vive um surto de sarampo há quatro meses
. Desde então, foi iniciada uma campanha de vacinação contra a doença, mas, mesmo assim, o número de casos da infecção saltou de 8 para 200, o que implica em um aumento de 2.200%, conforme informou a Secretaria Estadual de Saúde (Sesau).

Em março, a capital Boa Vista precisou decretar situação de emergência
e, desde então, duas mortes foram confirmadas no estado, de acordo com Ministério da Saúde.

Segundo a prefeitura de Boa Vista, nos últimos meses, 84 casos de sarampo foram notificados, sendo 57 em abril, 24 em maio e apenas 9 em junho. O balanço de julho ainda não foi divulgado, assim como o balanço de casos de meningite em Roraima
do mesmo mês. 

*Com informações da Agência Brasil

O artigo Venezuelana está internada com meningite em Roraima; estado é grave foi originalmente publicado em http://saude.ig.com.br/saude.ig.com.br/2018-07-13/meningite-em-roraima.html

Mulher que já precisou dormir por 19 horas fala sobre a síndrome de Hashimoto

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Professora conta que por conta da síndrome de Hashimoto ela sentia sua pele rachar e dores em todo o corpo

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Antes de receber o diagnóstico da síndrome de Hashimoto em 2013, a americana Kristen Devanna, 27 anos, de Long Island, em Nova York, sofreu por seis anos com problemas de pele que deixavam seu tecido rachado, além de sentir frio e fadiga constantemente e em uma intensidade tão grave que uma vez ela precisou dormir por 19 horas seguidas até se sentir melhor.

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Apesar de ter visitado inúmeros médicos, Devanna, que é professora de literatura, não conseguiu encontrar um tratamento que administrasse a síndrome de Hashimoto
. A doença autoimune provoca inflamação na glândula da tireoide, comprometendo sua função e gerando o hipotireoidismo, que pode causar aumento de peso, cansaço, pele ressecada e unhas quebradiças.

A americana, portanto, decidiu, depois de tentar diversas técnicas diferentes, que deveria fazer algo ela mesma para conseguir ter sua saúde estável de volta.

“A vida tem seus altos e baixos e, embora a gente esteja mais predisposto a ver qualquer doença como negativa, você recebeu esse diagnóstico por uma razão – é porque você pode lidar com isso”, disse Devanna que, com a ajuda de exercícios, hoje consegue ter uma energia que “jamais teve antes”.

‘A doença tinha total controle sobre mim’

Falando sobre como seus sintomas começaram, a professora conta que muitas mudanças sutis aconteceram em todo o seu corpo. “Mas o sintoma que mais me afetou foi, sem dúvida, que eu estava dormindo muito mais”, lembrou.

“Minha pele ficava escamosa e facilmente irritada, minhas extremidades ficavam geladas mesmo em climas quentes, a ponto de ficarem completamente dormentes. Eu acordava de manhã e tinha que voltar a dormir pelo menos hora por dia a mais e quando acordava, lutava para ficar de pé.”

Enquanto lutava contra seus sintomas incapacitantes, Devanna também era incapaz de encontrar o apoio de que precisava. “Houve muitos dias em que esta doença tinha controle total sobre mim e meu corpo doía demais. Eu me sentia mal depois de ir à uma loja ou tomar um banho. Cheguei a chorar arrumando a cama.”

Por falta de conhecimento sobre a doença, muitos médicos não sabiam indicar recomendações adequadas ou então tratamentos eficazes para o problema da americana.

“Quando o mundo ao seu redor não consegue entender suas lutas ou como ajudá-lo, torna-se um lugar muito assustador e solitário”, desabafou.


Americana encontrou na prática de exercícios uma maneira de controlar os sintomas da doença e compartilha suas experiências no Instagram

Reprodução/Instagram

“Ter uma doença autoimune é frustrante porque o mundo vê você de maneira diferente que como você sente que é e está vivendo na verdade. As pessoas apenas assumem que estou cansada e não conseguem pensar de fato sobre o que está acontecendo”.

Para ela, a prática de exercícios foi o que realmente mudou sua vida. “Eu me limito a entre dois e quatro treinos por semana, seja em casa ou na academia. Eu gosto de correr, fazer treinos intervalados de alta intensidade [HIIT] e levantar alguns pesos. As endorfinas são fundamentais e me ajudam a obter um impulso de energia.”

Agora, Devana está interessada em aumentar a consciência de outras pessoas sobre a doença para conseguir ajudar os outros por meio de suas redes sociais
.

Síndrome de Hashimoto também causa alterações de peso


Em sua conta no Twitter, Gigi Hadid desabafou sobre seu problema na tireoide e rebate críticas sobre seu peso

Reprodução/Instagram

No ano passado, a  supermodelo americana Gigi Gadid, de 23 anos, que também sofre da condição
chegou a falar sobre o assunto no Twitter depois que muitas pessoas falaram sobre sua alteração de peso
.

Desde 2016 a celebridade já havia afirmado ter tireoidite de Hashimoto. “Quando eu comecei [a trabalhar] aos 17 anos, eu ainda não tinha sido diagnosticada com a síndrome de Hashimoto. Aqueles que falavam que eu era ‘muito gorda para ser modelo’ estavam vendo na verdade [o resultado de] inflamação e retenção de líquido”, escreveu a modelo na rede social recentemente.

“Ao longo dos anos, eu fui medicada para reduzir os sintomas. Não apenas esses [ganho de peso devido inflamação e retenção de líquido], mas também cansaço extremo, questões de metabolismo, capacidade de lidar com calor, etc”, afirmou ela, explicando o fato de ter perdido peso.

“Eu posso estar muito magra para você. E honestamente, essa magreza não é como eu gostaria de estar. Mas eu me sinto mais saudável internamente e continuo aprendendo com o meu corpo a cada dia”, desabafou Hadid.

Só nos Estados Unidos, a tireoidite de Hashimoto afeta 14 milhões de pessoas, mas os especialistas ainda não estão certos do que causa exatamente a doença.

A glândula da tireoide
produz hormônios que regulam a taxa metabólica do corpo, controle muscular, coração e função digestiva. Quando ela é atacada pelo sistema imunológico a produção desses hormônios se torna insuficiente, levando ao ganho de peso, fraqueza muscular e um rosto inchado. Além disso, também pode causar sensibilidade ao frio, perda de cabelo, fadiga e inchaço na parte frontal da garganta.

Como é feito o diagnóstico?


Problemas na tireoide podem acarretar em distúrbios significativos na saúde do indivíduo

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A doença, que geralmente é diagnosticada por meio de um exame de sangue, é o transtorno da tireoide mais comum, afetando principalmente as mulheres de meia-idade.

A causa exata da doença ainda é desconhecida, mas os especialistas acreditam que as pessoas são mais propensas a desenvolvê-las se tiverem membros da família com doenças ou outras doenças autoimunes, como doença celíaca, diabetes tipo 1 e lúpus.

Sabendo que as mulheres são oito vezes mais propensas a desenvolver a condição do que os homens, conforme informa o Instituto Nacional de Diabetes e Doenças do Rim, os especialistas acreditam que os hormônios sexuais podem desempenhar um fator significativo para o desenvolvimento da doença.

Apesar de não ter cura, a síndrome pode ser controlada com o uso de medicamentos. Se não for tratada, a condição pode levar a outros problemas de saúde.

Baixos níveis de hormônios tireoidianos permitem níveis de colesterol “ruim”, o que aumenta o risco de doença cardíaca. Além disso, bebês nascidos de mulheres com hipotireoidismo não tratado devido à doença de Hashimoto também apresentam maior risco de defeitos de nascimento do que os bebês nascidos de mães saudáveis.

Por agir na função dos principais órgãos do corpo, como o coração, cérebro, fígado e rins, além de interferir no desenvolvimento de crianças e adolescentes, ciclos menstruais, fertilidade, peso, memória, concentração, humor e controle emocional, é importante ficar atento para os cuidados com bom funcionamento da tireoide. Saiba quando procurar um endocrinologista:

  • Se tiver história familiar de alteração da tireoide;
  • Quando perceber atraso no crescimento de crianças;
  • Caso note aumento do diâmetro do pescoço;
  • Se tiver sintomas e sinais compatíveis com doença da tireoide;
  • Caso use medicamentos que podem afetar a tireoide, como carbolítio, amiodarona e interferon;
  • Se teve exposição prévia ao iodo radioativo ou radiação na região da cabeça, pescoço e tronco;
  • Em caso de gestação com alteração dos exames de tireoide;
  • Se já tiver feito alguma cirurgia da tireoide.

Conheça os sintomas dos problemas que podem envolver a tireoide

  • Hipotireoidismo
    : cansaço, sonolência excessiva, pele seca, queda de cabelos, sensação de frio mais intensa que o normal, constipação intestinal, dificuldade para perder peso, inchaço em pálpebras, mão e pés.
  • Hipertireodismo
    : agitação, insônia, sensação de calor mais intensa, taquicardia, tremores nas mãos, sudorese excessiva, evacuações frequentes e/ou diarreia, perda de peso, irritabilidade.
  • Tireoidites
    : podem não apresentar sintomas ou causar dor na região do pescoço, dificuldade para engolir, febre, sensação de inchaço no pescoço.
  • Nódulos e tumores de tireoide
    : geralmente não geram sintomas. Eventualmente, com a tireoide aumentada de tamanho, podem causar sensação de aperto ou sufocação na região do gogó. Saiba mais sobre o câncer de tireoide.

Como fazer o autoexame?

A SBEM ensina a fazer o autoexame da tireoide, importante na detecção de nódulos que podem indicar uma visita ao endocrinologista. No entanto, a técnica não dispensa o exame clínico e complementar, que devem ser feitos por um especialista.

O procedimento é simples e pode ser feito em casa. Para isso, é preciso um copo de água e um espelho. Veja como proceder:

  • Segure o espelho e procure no pescoço a região logo abaixo do “pomo-de-adão” ou, como é popularmente conhecido, gogó. Ali está a sua glândula tireóide.
  • Incline o pescoço para trás, para que a região fique mais exposta.
  • Beba um pouco de água.
  • O ato de engolir fará com que a tireoide suba e desça. Não confunda a tireoide com o “pomo-de-adão”.
  • Observe se existe algum caroço ou saliência. Se observar alguma alteração procure um endocrinologista. Ele é o profissional especializado sobre o assunto.

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De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a estimativa é de que 60% da população brasileira tenha nódulos na tireoide em algum momento da vida, o que pode resultar em complicações como a síndrome de Hashimoto
. Porém, isso não significa que serão malignos. Cerca de 5% apenas são cancerígenos.

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‘Sinto raiva e desespero’, diz jovem que sofre com misofonia; saiba o que é isso

Veja a matéria completa sobre ‘Sinto raiva e desespero’, diz jovem que sofre com misofonia; saiba o que é isso e fique por dentro de como cuidar da sua saúde.


Já ouviu falar? Misofonia é a aversão a sons de volume baixo e repetitivos; conheça a condição, os sintomas e as causas

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Já imaginou ficar incomodado com o som de alguém digitando no teclado, mascando chiclete e assoando o nariz? A princípio, pode até parecer algo banal – porém, quem sofre com misofonia sabe o quanto esses barulhos, frequentes no dia a dia de tantas pessoas, são perturbadores e causam reações emocionais negativas, como raiva, ódio e irritação
.

A misofonia
é a aversão intensa a sons de volume baixo e repetitivos e afeta 3% de toda a população mundial, segundo uma pesquisa da University of British Columbia
, no Canadá. Em entrevista à reportagem do iG
, a estudante Lívia*, de 21 anos, conta como descobriu a condição, há seis anos. “Ficava muito incomodada com sons de mastigação. Pesquisei na internet sobre o que sentia e me identifiquei”, diz.

Os sintomas do problema, geralmente, começam na infância ou na adolescência. No caso da jovem, os gatilhos que a levam ao desespero – como roer a unha, umedecer os lábios, arrastar talheres e respiração alta – foram aumentando com o passar do tempo. “Sinto repulsa ao som. Um misto de raiva e desespero. Quando acontece, não consigo me concentrar em outras coisas. Preciso que a pessoa pare ou, caso contrário, entro em pânico”, descreve.

Por que a misofonia acontece?

A otorrinolaringologista Tanit Ganz Sanchez explica que todos os sons que ouvimos são conduzidos até o cérebro para serem analisados e entendidos. Eles passam por várias estações até chegarem no córtex auditivo, que é a região final desse caminho.

Conforme explica a especialista, por ser uma descoberta recente, pesquisas estão sendo realizadas para mais revelações. Entretanto, até o momento, sabe-se que as pessoas com misofonia possuem duas áreas cerebrais – o sistema límbico e o córtex pré-frontal – mais ativadas durante a passagem dos sons que são feitos com o nariz, a mão, a boca e os pés.

Dessa forma, as conexões cerebrais extra-ativadas são capazes de provocar o reflexo imediato da reação forte e desproporcional a esses sons. “Isso faz com que os misofonicos não consigam se concentrar, pois prestam mais atenção aos sons que são irrelevantes e, assim, não conseguem ignorá-los como as outras pessoas”, expõe a especialista.

As pesquisadoras Tanit e Fúlvia Eduarda da Silva, fonoaudióloga e mestre pela Universidade de São Paulo, avaliaram 15 membros de três gerações de uma mesma família, de nove a 73 anos, com sintomas de misofonia. Desse total, 12 pessoas responderam um questionário capaz de investigar os sintomas, os sons de gatilho, os sentimentos e as atitudes adotadas por cada um deles.

Os resultados indicaram que os entrevistados apresentavam irritabilidade, ansiedade e raiva em relação aos sons. Quando passam por essas situações, eles pedem para cessar o barulho, deixam o local em que ele ocorre e, ainda, podem discutir com outras pessoas.

O estudo, publicado no Brazilian Journal of Otorhinolaryngology
, detectou que dez membros desenvolveram os primeiros sinais durante a infância ou a adolescência. Além disso, mostrou que os sintomas relacionados foram ansiedade, zumbido, transtorno obsessivo-compulsivo, depressão e hipersensibilidade aos sons.

De acordo com as autoras, a alta incidência da condição no grupo estudado sugere que ela pode ser mais comum que o esperado e favorece a possibilidade de ser hereditária. “Conhecer essa família nos ajudou a entender que a misofonia pode ser genética, mas novas pesquisa são necessárias. Ainda não dá para descartar que ela pode ser “aprendida” pela convivência dos filhos com os pais afetados”, explica Tanit.

Quando é hora de procurar ajuda médica?

A misofonia pode ser dividida em leve, moderada ou grave, de acordo com o impacto dos sintomas na qualidade de vida do paciente. Ela pode acometer ambos os sexos e não está relacionada com a idade do portador. A gravidade dos efeitos gerados pelos barulhos
é analisada por meio de um questionário específico aplicado por um profissional.  

Além da aversão aos sons, Jeanne Oiticica, otorrinolaringologista e chefe do Grupo de Pesquisa em Zumbido do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, explica que a condição pode vir acompanhada de respostas comportamentais e reações que possuem o intuito de evitar ou escapar do estímulo desencadeante.

“Alguns afetados evitam fazer refeições com seus familiares ou frequentar cafeterias e lugares onde outras pessoas geralmente vão para comer. O uso de abafadores,  fones de ouvido
e ventiladores elétricos para mascarar o som aversivo também é relatado”, detalha a especialista.

De acordo com a gravidade, os portadores podem ir além e largar o trabalho para evitar as situações de gatilho da angústia. “Eles podem se isolar socialmente e no meio familiar. Alguns podem ser verbalmente agressivos, como acontece em 29% dos casos, ou partir para a agressão física, em 17% dos casos, à pessoa provocadora do som aversivo”, diz  Jeanne.

Além disso, a condição ainda mexe com a autoestima e a vida social de quem a possui. “É uma batalha todo dia para suportar os barulhos dos outros fingindo que nada está acontecendo. Então, muitas vezes, escolho ficar só. É desmotivador viver em sociedade. Na aula, não tenho foco e a produtividade cai. Não consigo manter o bom humor e acabo me isolando e evitando inconscientemente as situações em que me sentirei mal”, relata a estudante Lívia*.

Por causa de tudo isso, quando o problema começa a atrapalhar a vida do misofonico e ele se sente preparado, é recomendado procurar ajuda médica, que poderá traçar um diagnóstico  baseado na história clínica do paciente. “Não existem exames complementares específicos. Podem-se usar ainda questionários com o intuito de mensurar a severidade do quadro e acompanhar a evolução durante o seguimento clínico”, explica Jeanne.

A condição precisa ser tratada com seriedade, mas, muitas vezes, é vista com descaso por quem a desconhece e até mesmo por profissionais de saúde. Lívia* relata que, certa vez, um psicólogo disse na frente de sua mãe que o que ela sentia era ‘frescura’ e só queria chamar atenção. “Um profissional fazendo descaso do que eu sentia me deixou muito abalada.  Só que continuei a procurar ajuda e encontrei o oposto”, desabafa.

Formas de tratamento

A Terapia de Habituação é uma das possibilidade de tratar a patologia e inclui orientação, aconselhamento e terapia sonora. “O objetivo é tornar o afetado pela misofonia menos sensível ou reativo aos sons que são gatilhos do fenômeno ou comportamento”, explica Jeanne.

Outra alternativa é a Terapia Cognitiva Comportamental, que usa a psicoterapia para mudar a forma de pensar e reagir ao estímulo sonoro aversivo. A meditação também é bem-vinda
, pois ajuda a aliviar o estresse.

Além disso, é possível adotar o tratamento com remédios, como foi o caso da estudante, que usou calmantes. “Alguns psiquiatras usam medicamentos para os sintomas coadjuvantes como ansiedade, fobia e transtorno obsessivo-compulsivo”, expõe a otorrinolaringologista Tanit.

Sons que mais incomodam


O som da mastigação é um dos que mais incomoda e irrita quem sofre com o problema

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Esses barulhos estão presentes no dia a dia e, muitas vezes, é difícil evitá-los. A lista dos sons que causam reação emocional negativa, forte, rápida, incontrolável e desproporcional aos misofonicos vai além da fobia dos barulhos de mastigação
. Os principais são:

  • Mastigar
  • Mascar chiclete
  • Tossir
  • Assobiar
  • Umedecer o lábio
  • Roer a unha
  • Respiração ofegante
  • Assoar o nariz
  • Roncar
  • Digitar
  • Clicar a caneta
  • Usar talheres
  • Mexer em chaves
  • Abrir papel de bala
  • Arrastar chinelo
  • Andar de salto alto

Ouça alguns:

Ouviu? Esses ruídos são exemplos dos considerados insuportáveis
 por quem sofre de misofonia
e, por isso, os portadores pedem mais compreensão por parte dos amigos e familiares. “Parece frescura, mas a gente sofre muito e pode, inclusive, trazer outros problemas, como ansiedade e  depressão. É como o efeito borboleta: um barulhinho aqui ou ali pode causar algo bem grande”, finaliza a estudante.

*Nome fictício; fonte não quis se identificar

O artigo ‘Sinto raiva e desespero’, diz jovem que sofre com misofonia; saiba o que é isso foi originalmente publicado em http://saude.ig.com.br/saude.ig.com.br/minhasaude/2018-07-13/misofonia.html